Jornais
FECHAR
  • Jornal NH
  • Diário de Canoas
  • Jornal de Gramado
  • Diário de Cachoeirinha
  • Correio de Gravataí
Grupo Sinos
Publicado em 29/04/2015 - 14h43
Última atualização em 29/04/2015 - 14h46

Leopoldenses aderem a mobilização nacional contra a redução da maioridade penal

Local escolhido para receber faixas e cartazes do manifesto na cidade foi a Praça dos Brinquedos, no Centro

Renata Strapazzon

Foto: Renata Strapazzon/GES-Especial
São Leopoldo – A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171/93, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos foi tema de uma mobilização nacional na madrugada desta quarta-feira (29). A campanha, intitulada “Amanhecer contra a redução” foi organizada pelas redes sociais e contou com mais de duas mil pessoas inscritas, em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal.
 
O objetivo do projeto foi intervir em espaços públicos, especialmente as praças, com cartazes e faixas contrários a medida, que foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados no fim de março depois de mais de 20 anos de tramitação e que agora segue em discussão no Senado Federal.

Em São Leopoldo o local escolhido para sediar a iniciativa foi a Praça dos Brinquedos, no Centro. No espaço, cerca de 20 participantes da campanha chegaram por volta das 5h30 para colar os cartazes e pendurar as faixas, com dizeres como Mais escolas, menos cadeia e Voa juventude, nos brinquedos e árvores. Conforme uma das participantes do manifesto, a atendente Ediana Krohn, 28, a ação engajou cerca de 100 pessoas na cidade, seja para a confecção dos cartazes ou o compartilhamento de informações sobre o evento na internet.
 
“A inspiração deste movimento foi uma campanha semelhante feita no Uruguai e que conseguiu barrar a redução da maioridade penal naquele país”, diz. Para Ediana, a solução para o problema passa pelo tratamento especial para menores infratores. “Atirar um jovem num presídio, ainda mais com um sistema prisional lotado como o nosso, é decretar a não recuperação deste adolescente”, opina.
 
O ponto de vista de Ediana é semelhante ao do coordenador do curso de Direito da Unisinos e professor de direito penal, Miguel Tedesco Wedy. “Não acredito que a redução da maioridade penal gere a redução na violência também. O número de adolescentes infratores é ínfimo comparado com o número de criminosos. O Brasil é hoje o terceiro país em população carcerária no mundo. E a solução é colocar mais jovens na cadeia? Este é o futuro que o Brasil quer?”, questiona.
 
Para Wedy, uma alternativa seria o aumento da internação em instituições socioeducativas, que hoje é de no máximo três anos, em casos mais graves. “Trazer esta discussão à tona novamente é uma profunda demagogia enquanto deveriam ser debatidos outros assuntos, como corrupção, estupro e latrocínio”, opina.

Publicidade