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Mauro Blankenheim

Ficar para trás

"O fato inquestionável é que a sociedade está contaminada, e dela brotam frutos que nem sempre podem ser consumidos sem efeitos colaterais"
Mauro BlankenheimMauro Blankenheim é publicitário
mauro@gpspropaganda.com.br
Temos sido repetidamente surpreendidos com as reações, mais frequentemente de homens, a romances que subitamente tem seus fins decretados pela parceira. Embora não seja exclusividade de gênero (tivemos casos escabrosos protagonizados por mulheres), a resposta cruel e finalizadora tem mais a ver com a Lei Maria da Penha do que com a singela indignação feminina.
Como se dizia nas antigas, levar um fora, no cenário atual, não importando o estágio da relação, ficante, namorado, noivo, marido, amante, tem sido caminhar no fio da navalha para mulheres que nem imaginam o tipo de feedback que seus escolhidos podem dar na hora do “breaking up”. Alguns, por absoluta incapacidade de assumir perante si próprios ou os outros que foram defenestrados e que não representam mais a figura do eleito, agem de maneira imprevisível, dando um fim literal à parceira naquela de ou será minha ou de ninguém. A segurança de quem vive no entorno está na Providência Divina ou na convicção de que Adão pode ser mais feliz com outra. Vivemos tempos de intolerância tão intensa, que, de alguns anos para cá, este crime também já se incorporou ao universo da zona de conforto em que decidimos arquivar as barbáries mais primitivas de que nossa sociedade é vítima. A crueldade sempre existiu, mas o que nos intriga é que quanto mais avança a patrulha do politicamente correto, mais fora da casinha são as demonstrações da contracultura: a violência agora assume requintes de crueldade de que eram prenhas as queixas dos pedidos de separação por demonstrações domésticas de violência.
Às vezes o namorado mais recomendável patrocina os crimes mais atrozes e isto se explica pelo fato de ele já se sentir tomado até as tampas por outras circunstâncias. Do seu lastro de autoestima depende a reação totalmente inusitada frente a um revés afetivo que atua nele como um pavio curto, capaz de punir letalmente aquela que até então lhe servia como única inspiração, Oscar de conquista, paradigma de oásis de carinho, base de sua saúde psicológica.
Imagino que cada apartamento, cada alcova, cada suíte, esconda um segredo que só não é insondável a Deus, e as razões de cada um são aquelas que, se levadas racionalmente, podem iludir o mais experimentado dos médicos da mente, o mais experiente profissional do Direito. Matar sob forte emoção, foi uma dessas tábuas que sustentaram, em liberdade, atores principais de seriados televisivos contando casos de assassinatos memoráveis e cujas histórias galvanizaram a opinião pública.
O fato inquestionável é que a sociedade está contaminada, e dela brotam frutos que nem sempre podem ser consumidos sem efeitos colaterais. Até mesmo o recomendável lambidinho descrito acima, é fruto dessa banda podre que nós mesmos criamos e só nós poderemos extinguir.
Sobre os outros: todo aquele que professa não se importar com os outros, parte de uma premissa inválida. Ser consenso de positividade, incluindo-se as boas maneiras e comportamento de referência irrepreensível é uma meta a que todos nós almejamos. Quando os outros passam a ser apenas os outros, assumimos também um caráter de que não somos mais nós mesmos.

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