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Cinema

Não interessa se o filme é bom. Mulher Maravilha é uma conquista

Filme com super-heroína é uma bem-vinda história sobre mulheres empoderadas filmada e estrelada por mulheres

Divulgação
Gal Gadot como a Mulher Maravilha, no filme da Warner baseado nos quadrinhos da DC que é um dos prelúdios para a Liga da Justiça
A permanência de Mulher Maravilha em cartaz e com fila nas bilheterias, mesmo após o lançamento de blockbusters concorrentes, como A Múmia, dá o que pensar. Não faltaram críticos elogiando a produção, dizendo que é o melhor filme da Mulher Maravilha e talvez inclusive o melhor da DC nos cinemas até agora. Tudo isso pode até ser verdade, mas é interessante pensar o fenômeno sob outro ponto de vista. Afinal, quase toda trama de super-heróis que tem aparecido acaba sendo descrita, no auge do entusiasmo, como “a melhor”.

Na sessão em que fui, já na terceira semana de exibição e ainda com plateia lotada, havia todo tipo de público, dos tradicionais enxames de adolescentes ou nerds de ambos os sexos aos casais de meia idade. Curioso, porém, eram dois tipos de grupinhos. Havia turmas de meninas, algo como dos 12 aos 14. E havia clubes de vovós. Toda essa mulherada, em um amplo gradiente etário, estava lá para ver um filme de super-heróis.

Aí o interessante da coisa. Mulher Maravilha é um filme dirigido por uma mulher e com uma guerreira amazona como heroína. Os homens são vilões ou coadjuvantes, incluindo o parceiro de Gal Gadot, Chris Pine, que aqui faz o equivalente masculino da donzela em perigo.

O filme chega a fazer piada com o machismo da sociedade da Primeira Guerra, na qual vai parar a amazona dentro da história. Ela não quer usar espartilho porque não dá para lutar, e se recusa a ficar calada em reuniões de generais ou parada em situações perigosas. Mesmo em vestido de festa, carrega uma espada nas costas. Ela vai à luta. Dá para entender o apelo que isso tenha junto ao nicho de garotinhas e mesmo de vovós. Mas funcionava também para os muitos guris que estavam lá com pipoca torcendo pela – veja só – princesa. É girl power, cara.

Não, não é mérito só do filme. Mulher Maravilha não é, apesar de bem narrado, algum divisor de águas ou algo que vá entrar para a história do cinema como a consagração das heroínas ou algo que o valha. O que há de legal é a virada que ele representa.

Os estúdios de cinema estão longe de ser comandados por gente com grandes valores humanísticos ou propósitos educacionais. São feitos de executivos pragmáticos de olho no desempenho do box office e no retorno financeiro. Mas que essa gente tenha deixado uma mulher dirigir um filme sobre uma mulher superpoderosa e permitido que ele venha apinhado de pontos de vista femininos e piadas de gênero é sinal dos tempos. Assim como Frozen, Mulher Maravilha foi feito para uma geração que está se acostumando com mulheres empoderadas – para usar uma palavra da moda.

Claro que a força feminina é idealizada e glamourizada. Gal Gadot não é exatamente a mulher média, com sua elegância de supermodelo branca, alta, linda e com cabelão de miss. O roteiro tem que explicar até rudimentos de mitologia grega – já que ninguém mais conhece isso –, porém não precisa explicar o que é machismo. Todo mundo, infelizmente, sabe.

Vale comemorar a própria existência do filme pelo que ele tem de bom. Se você não sabe em qual filme de aventura levar os filhos, leve nesse – sejam meninas ou meninos. Mas se você for um defensor da igualdade de gêneros, não se entusiasme demais. Tem trailer da Liga da Justiça, e ali quem manda é um macho durão, branco e rico – também conhecido como Batman. Mas enfim.


XYZ

por André Moraes
andre.moraes@gruposinos.com.br

Assim como na tradicional coluna semanal de variedades do jornal ABC Domingo, o XYZ fala de cinema, tevê, quadrinhos, nostalgia e assuntos da cultura pop em geral. Informação e curiosidades com um toque de humor.

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