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Tragédia

Bombeiros ainda lutam contra incêndio florestal que deixou 62 mortos em Portugal

Número de mortos pode aumentar, segundo autoridades locais

MIGUEL RIOPA /AFP
Muitas das vítimas morreram tentando fugir do incêndio
Mais de mil bombeiros ainda lutavam nesta segunda-feira (19) para tentar conter o gigantesco incêndio florestal na região central de Portugal. O balanço oficial mais recente era de 62 mortos e 62 feridos, incluindo cinco em estado grave, uma criança e quatro bombeiros. Mas as autoridades não descartam a possibilidade de encontrar outras vítimas nas áreas devastadas pelas chamas.

Após um fim de semana com 40 graus em várias regiões do país, a temperatura registrou leve queda, mas o incêndio, declarado no sábado à tarde em Pedrógão Grande, prosseguia na direção das regiões vizinhas de Castelo Branco e Coimbra. O número de focos foi reduzido para 35 no domingo à noite em todo o país.

"Nossa dor é imensa, como nossa solidariedade com as famílias da tragédia", afirmou no domingo o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, emocionado com a maior tragédia da história recente de Portugal. "Temos uma sensação de injustiça, pois a tragédia afetou os portugueses dos quais se fala pouco, de uma zona rural isolada", completou.

Nas colinas situadas entre as localidades de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, que 24 horas antes das chamas estavam repletas de eucaliptos e pinheiros, a devastação era total.

  • Nas colinas situadas entre as localidades de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera a devastação era total
    Foto: MIGUEL RIOPA /AFP
  • Um dos veículos que foram atingidos pelo fogo em Pedrogão Grande
    Foto: AFP
  • A fumaça prejudica inclusive a qualidade do ar nas áreas atingidas
    Foto: AFP
  • Moradores atingidos e que escaparam do fogo estão desolados com a destruição causada
    Foto: AFP
  • Catástrofe causada pelo fogo comoveu portugueses neste domingo
    Foto: AFP
  • Dezenas de pessoas acabaram morrendo ao tentar fugir do avanço das chamas em Portugal
    Foto: AFP
  • Uma das 220 unidades dos Bombeiros que está combatendo o incêndio em Pedrogão Grande, na região de Leiria
    Foto: AFP
  • Na última noite, uma verdadeira visão infernal das chamas que se alastravam por uma gigantes região de Portugal
    Foto: AFP
  • Bombeiros se refugiam após árduo combate ao incêndio em florestas portuguesas
    Foto: AFP
  • Homem observa incêndio de grande proporção em Anciao, na região da Leiria
    Foto: AFP

De acordo com as autoridades, muitas vítimas morreram em seus veículos quando se viram cercadas pelas chamas no momento em que passavam pela rodovia nacional 236, que liga Figueiró dos Vinhos com Castanheira de Pera, no sábado.

"Era verdadeiramente um inferno. Pensei que o fim do mundo havia chegado. Não acreditei que sairia viva", contou Maria de Fátima Nunes, que foi resgatada pelos bombeiros.

Corpos foram encontrados em casas localizadas em áreas isoladas. Os moradores de pelo menos três localidades próximas a Pedrógão Grande foram retirados de suas residências.

Algumas vítimas identificadas "morreram em suas casas, que não deixaram a tempo", afirmou o primeiro-ministro António Costa, que pediu à população que respeite as ordens de evacuação.

"Se deixar a minha casa, vai queimar tudo, pois não temos ninguém que nos ajude", declarou Fernando Pais, um agricultor de 50 anos que morava com a mulher e o filho em Trespostos, perto da localidade de Campelo.

A família Pais não abandonou sua casa e luta sozinha contra as chamas com uma simples mangueira.

"Conhecia várias vítimas. Uma amiga perdeu a mãe e a filha de quatro anos porque não conseguiu retirá-las da parte de trás do carro", disse Isabel Ferreira, de 62 anos, habitante da região.

A polícia determinou que uma tempestade seca provocou as chamas e descartou a possibilidade de incêndio criminoso.

Quatro aviões de combate ao incêndio da Espanha e três da França chegaram ao país no domingo para ajudar os bombeiros portugueses. Nesta segunda-feira devem chegar dois aviões espanhóis e dois italianos, assim como reforços terrestres, no âmbito do mecanismo europeu de proteção civil, ativado a pedido de Lisboa.


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