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País

Cunha chama Joesley de "delinquente" em carta escrita dentro da prisão

Ex-deputado diz que discutiu impeachment de Dilma com dono da JBS e Lula


Evaristo Sa/AFP
Eduardo Cunha foi preso na Lava Jato
Condenado a 15 anos de prisão na Lava Jato, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha escreveu uma carta em que ataca o dono da JBS, Joesley Batista. Como parte de seu acordo de delação premiada, o empresário entregou no mês passado à Justiça a gravação de uma conversa com o presidente da República, Michel Temer, em que ele menciona a compra do silêncio de Cunha. No documento divulgado nesta segunda-feira (19), redigido a mão por Cunha em uma cela do Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, no Paraná, o ex-deputado nega as acusações, chama Joesley de "delinquente" e "meliante" e afirma que ele mente para conseguir benefícios.

Para exemplificar o que considera uma das mentiras de Joesley, Cunha afirma que o dono da JBS se encontrava com Lula com frequência e cita uma reunião da qual também teria participado. "Ele fala que só encontrou o ex-presidente lula por duas vezes, em 2006 e 2013. Mentira! Ele apenas se esqueceu que promoveu um encontrou que durou horas, no dia 26 de março de 2016, Sábado de Aleluia, na sua residência (...), entre eu, ele e Lula, a pedido do Lula, afim de discutir o processo de impeachment, ocorrido em 17 de abril, onde pude constatar a relação entre eles e os constantes encontros que eles mantinham", escreveu o ex-presidente da Câmara.

Em resposta à entrevista concedida por Joesley à revista Época neste fim de semana, Cunha escreveu que "nega veementemente as acusações" de que ele recebia dinheiro do dono da JBS por meio do operador Lúcio Funaro. Entre outras acusações, o ex-deputado é investigado por, supostamente, agilizar a liberação dos recursos do FGTS para financiar empresas e por ter recebido propinas por contratos de construção de navios-sonda da Petrobras e pelas obras do projeto Porto Maravilha, no Rio de Janeiro.

Na carta, Cunha sugere que a JBS é beneficiária de duas medidas provisórias: a 783 (do Refis) e 784 (da leniência com o Banco Central), que me permitiu, de acordo com o documento, que "as suas falcatruas no mercado financeiro no mercado de capitais, as atuais e as passadas, poderão obter o perdão e ficarem impunes."

"A pergunta que não quer calar é de onde vem o poder dele, que mente, ataca o governo e ainda se beneficia dos atos do governo e ainda se beneficia dos atos do governo que o deixam mais rico e impune?", termina o ex-parlamentar.


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