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10 anos

Tragédia do voo TAM 3054: Uma dor que nem o tempo ameniza

Acidente com avião da TAM que deixou 199 mortos completa 10 anos nesta segunda-feira (17)

Diego da Rosa/GES
Morador de São Leopoldo, o engenheiro eletricista Fernando Antônio Laroque Oliveira, 53, foi uma das vítimas
Nesta segunda-feira (17) completam-se 10 anos de uma das maiores tragédias da aviação brasileira. Para familiares das vítimas do voo 3054 da TAM a data será de homenagens na tentativa de não se deixar esquecer um dia triste, que há uma década deixou neles uma dor que nem o tempo é capaz de amenizar. Chovia e fazia frio naquela terça-feira, 17 de julho de 2007 quando, no final da tarde o Airbus A320, que saiu da capital gaúcha com destino a São Paulo, bateu contra um prédio da própria companhia aérea após cruzar a Avenida Washington Luís a 170 quilômetros por hora.

O piloto não conseguiu frear após a aeronave tocar a pista molhada do Aeroporto de Congonhas, atingindo também um posto de gasolina. O acidente matou 199 pessoas, 187 que estavam na aeronave, 11 que trabalhavam no prédio da TAM Express e um taxista que estava no posto de gasolina ao lado. 195 corpos foram identificados. Do total, 98 vítimas eram gaúchas. Dentre elas os moradores de São Leopoldo Thaís Volpi Scott, 14 anos, o engenheiro eletricista Fernando Antônio Laroque Oliveira, 53 e a professora sapucaiense Silvania Regina de Avila Alves, 44.

Para Fernando seria apenas mais um voo comum, entre os tantos que fazia semanalmente no trajeto da casa, em São Leopoldo, ao escritório onde trabalhava, no Espírito Santo. São Paulo era apenas rota para conexão. Acostumado, voltava para a residência às sextas-feiras, retornando sempre às segundas para o apartamento próximo ao trabalho. Naquela semana, no entanto, resolveu fazer diferente. “Ele decidiu viajar na terça. Disse que queria ficar mais um dia com a gente”, recorda a esposa, Joice Helena Vinholes Oliveira, 58. Na despedida ao marido antes do embarque em Porto Alegre Joice disse ter sentido alguns sinais, os quais iria compreender horas depois. “Sempre que ele saía eu fazia um sinal de reiki como forma de proteção. Naquele dia tive uma sensação ruim, como se não tivesse surtido efeito”, diz.

Mais tarde, em casa ela e as filhas adolescentes assistiam tevê quando viram as primeiras imagens do acidente. “A notícia não estava muito clara, parecia ser apenas um avião de carga. Lembro de ainda ter comentado da 'barbeiragem' do piloto e pedi para as gurias desligarem a televisão”, conta. “Em seguida um amigo nosso ligou, perguntando que horas o Fernando embarcaria. Depois o motorista que estava esperando ele em São Paulo também ligou, mas não falou nada sobre o acidente. Até que minha comadre veio aqui em casa e nos deu a notícia. Ligamos novamente a tevê e estavam fazendo a correção da reportagem, dizendo que o voo tinha partido de Porto Alegre para São Paulo”, recorda.

Embarque às pressas para o local da tragédia 

A listagem com os nomes das vítimas que estavam na aeronave a família só conseguiu ao escutar no rádio. A empresa aérea nunca ligou para confirmar. “Peguei só minha bolsa com os meus documentos e corri para o aeroporto. Pensava em chegar rápido em São Paulo porque, na minha cabeça, meu marido estava lá, me esperando, precisando da minha ajuda”, comenta. Do hotel em frente ao cenário da tragédia para onde foram levados familiares eles ainda viam muita fumaça. Lá Joice e as filhas permaneceram até 4 de agosto, quando o corpo de Fernando foi identificado por meio do exame de DNA. O enterro aconteceu quatro dias depois, em Pelotas, sua terra natal.

Objetos ficaram intactos 

Fernando e Joice tiveram duas filhas: Fernanda e Renata. No dia 28 de julho daquele ano, Renata completava 16 anos. Em vez de festa, a adolescente passou o dia com a mãe e a irmã no Centro de Identificação do IML atrás dos pertences do pai. Carteira, fotos e a pasta de documentos que Fernando carregava com ele restaram intactas.

A luta para recomeçar e o medo do pouso  

Junto de outros familiares de vítimas, Joice e as meninas integram a Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo Tam JJ3054 (Afavitam). É lá uma das fontes onde encontram conforto. “São pessoas muito especiais para nós. Nos abraçamos e nos entendemos de uma forma que outra pessoa não seria capaz. Além disso, buscamos apoio por outros caminhos, como a espiritualidade. Comecei a frequentar centros espíritas e ler livros que me fizeram entender melhor a morte e me sentir um pouco mais confortável”, comenta a advogada e filha de Fernando, Fernanda Viholes Oliveira, 27 anos.

Além disso, a família buscou ainda apoio psicológico e psiquiátrico para superar o luto. De tudo o que vivenciaram, as três, mãe e filhas, dizem sentir certo receio sempre que embarcam em um avião. “Tenho medo do pouso. Não chega a ser pânico, mas uma sensação muito ruim. O coração acelera, passa um filme na cabeça”, conta Fernanda.

Três indiciados e absolvidos 

Das 11 pessoas indiciadas pela Polícia Federal, três se tornaram réus no processo que investigava o acidente. No entanto, todos foram absolvidos em duas instâncias pela Justiça Federal. A mais recente decisão data do último dia 12 de junho, quando o Tribunal Regional Federal da 3ª Região manteve a absolvição em segunda instância dos réus o então vice-presidente de Operações da TAM, Alberto Fajerman, o ex-diretor de segurança de voo da companhia, Marcos Aurélio dos Santos de Miranda e Castro, e a então diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu. Eles foram acusados pelo crime de expor embarcação ou aeronave ao perigo, cuja pena poderia chegar a 12 anos de prisão. Ainda há duas possibilidades de recursos: para Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal.

 “A maior punição quem teve fomos nós”

“Foi uma tragédia anunciada. Já haviam queixas anteriores feitas por pilotos de que a aeronave apresentava problemas e excesso de peso e ninguém fez nada”, lamenta Fernanda. “Não queremos vingança, mas termos o conforto e a certeza de que profissionais que tomam decisões equivocadas pensando apenas naquilo que lhes convém financeiramente sejam punidos e afastados das funções para evitar novas vítimas. A maior punição nisso tudo quem teve fomos nós, que ficamos sem nossos familiares”, desabafa.

Homenagem em Porto Alegre 

Nesta segunda-feira (17) um culto ecumênico será realizado em homenagem às vítimas. O ato está marcado para as 15 horas no Largo da Vida, localizado ao lado do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.


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