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Psiquiatria

Maioria das mulheres com depressão pós-parto apresenta sintomas ainda durante a gestação

Período de maior risco nas que passaram bem a gestação se situa nas primeiras 12 semanas do parto, explica psiquiatra

Divulgação/Divulgação
Jerônimo de Almeida Mendes Ribeiro, psiquiatra e membro da Comissão de Estudos e Pesquisa da Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria
Fadiga, desânimo, irritabilidade, distúrbios do sono, alterações no apetite, choro incontrolável, mudanças de humor e sentimento de culpa por não conseguir atender o bebê integralmente são alguns dos sintomas da depressão pós-parto. De acordo com o psiquiatra Jerônimo de Almeida Mendes Ribeiro, que coordenou o VI Simpósio de Saúde Mental da Mulher, ocorrido na última semana em Bento Gonçalves, até 80% das mulheres que acabam de dar à luz desenvolvem um quadro parecido com depressão chamado de Tristeza Pós-Parto (disforia puerperal), mas que não necessariamente interfere no vínculo ou acolhimento com a criança. “Essa tristeza tende a desaparecer até três semanas após o parto e tem relação com as mudanças repentinas nos níveis de hormônio feminino”, destaca Mendes Ribeiro, que é membro da Comissão de Estudos e Pesquisa da Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Ele diz que a manifestação de pelo menos cinco dos sintomas citados, por mais de duas semanas, sugere a necessidade de se buscar ajuda médica. Na entrevista abaixo, o psiquiatra explica a diferença entre tristeza e depressão pós-parto e aponta maneiras de prevenir o problema.

O que explica a depressão pós-parto?

Na verdade, existe um mito da mulher feliz, cheia de si e confiante ao ganhar um bebê. Em parte, a glamourização do parto, da maternidade e dos papeis que deve desempenhar com desenvoltura trazem à mulher uma carga bastante pesada. Imediatamente após o parto, os níveis de estrógenos e progesterona, que durante a gestação estão dezenas de vezes elevados comparados aos níveis fora da gestação - cumprindo assim a sua função na manutenção do ambiente necessário para o bom funcionamento e desenvolvimento do processo - voltam aos níveis pré-gravídicos. Se sabe hoje que algumas mulheres são mais sensíveis a essas variações fisiológicas, porém caóticas e que isso influencia o humor, o cérebro. Estima-se que entre 12 a 25% das mulheres no período perinatal desenvolvam depressão pós-parto. Embora alguns fatores de risco sejam bastante conhecidos, tais como ter um parente em primeiro grau que sofreu com um episódio depressivo no pós-parto, ter tido um depressão pós-parto em uma gestação anterior ou sofrido com um tipo grave de TPM chamado transtorno disfórico pré-menstrual, passar por privação de sono, principalmente no pós-parto, ou ainda não ter planejado ou desejado engravidar, estar passando por dificuldades financeiras, conjugais incluindo separação ou perda de um ente querido. Entretanto isso não estabelece uma relação de causa e efeito. Ou seja, mulheres bem-sucedidas, em relacionamentos estáveis e satisfatórios e que desejaram engravidar também podem desenvolver depressão pós-parto.

Se manifesta logo após o parto ou pode levar algum tempo ainda?

60% das mulheres que desenvolvem depressão pós-parto já apresentam sintomas ainda durante a gestação, e isso é bastante importante, pois temos que detectar, tratar e monitorar as pacientes em alto risco. O período de maior risco nas que passaram bem a gestação se situa nas primeiras 12 semanas do parto.

Como saber a diferença entre tristeza e depressão pós-parto?

A tristeza ou disforia pós-parto é um processo que acomete até de 70% das mulheres dentro das primeiras 3 semanas do parto. A mulher, nesse período se sente mais chorosa, irritada, sobrecarregada, sensível e esse processo chamamos de hiperestesia emocional. Embora cause desconforto, é algo autolimitado onde ela mesma percebe que está retornando a lidar melhor com as demandas e desafios impostos pela maternidade. . Ela ocorre, em parte, pelo processo adaptativo, tanto hormonal quanto de ajustes à nova realidade que se impõe. Já a depressão pós-parto é uma experiência completamente diferente. Imagine uma pessoa que sofra de depressão. Agora imagine tudo isso acontecendo num período onde ela gostaria de se sentir bem, cuidando e respondendo de forma adequada às demandas do recém-nascido. O sofrimento causado pela depressão pós-parto gera, na mulher, uma sensação de culpa muito grande, e pensamentos tais como "não sou uma boa mãe", "não devo ficar sozinha com o meu bebê", e, em casos mais graves, pensamentos intrusivos e desconfortáveis sobre machucar o seu bebê, ela tenha total consciência deles, são comuns e muitas vezes confundidos com sintomas psicóticos pelo profissional envolvido com os seus cuidados.

Uma mãe pode ter este tipo de depressão com um filho e outro não?

Sim. Ter tido depressão pós-parto em uma gestação anterior é um fator de risco, ou seja, existe uma associação, nos estudos que acompanharam mulheres grávidas que desenvolveram depressão pós-parto, mas sequer é uma tendência. Na verdade, quando falamos em risco, se deve entender que exige um cuidado, que devemos olhar para esse fator com algo que devemos considerar na rotina de pré-natal da mulher, para que possamos definir estratégias, detectar sinais onde possamos intervir e dar qualidade de vida à mulher, ao bebê e à sua família, pois isso tem tratamento. Sabemos que essa condição ainda é bastante subdiagnosticada e que, muitas vezes, os responsável diretos ou indiretos sobre os cuidados da mulher nesse período , seja o médico da atenção primária, o obstetra ou o pediatra, possuem muitas dúvidas em como conduzir e otimizar ações terapêuticas.

Existe alguma forma de prevenir ou fazer um pré-tratamento?

Sim, de diversas formas. Para aquelas que buscam planejamento familiar com especialista em psiquiatria reprodutiva, é possível identificar fatores predisponentes. Um estudo americano recente demonstrou que é altamente recomendável se aplicar questionários avaliam potenciais sintomas depressivos a todas as gestantes ainda durante o cuidado pré-natal. Esses instrumentos constam com não mais do que 10 itens e não necessitam que um profissional os aplique, ou seja, a própria paciente preenche e responde. Eles são validados no Brasil podem sinalizar a necessidade de uma avaliação mais adequada. Um outro exemplo é se evitar, logo após o parto, a privação de sono. É importante que se ensine a mulher, cônjuge e familiares estratégias que a permitam ter um sono contínuo de algumas horas durante a noite. Além disso, muitas mulheres decidem, em função da gravidade de seus sintomas, iniciar ou manter o tratamento com antidepressivos mesmo durante a gestação, e a necessidade deve ser discutida caso a caso, com a paciente e familiares . Estratégias psicoterápicas, como a terapia cognitivo-comportamental, tanto individual quanto em grupo, e a psicoterapia interpessoal têm se mostrado efetivas em diversos estudos e fazem parte do tratamento. Como 50% das gestações não são planejadas, muitas delas descobrem estar grávidas durante um tratamento com antidepressivo. A pura e simples decisão por descontinuar, tomada em função do medo do uso de psicofármacos e suas repercussões para a saúde do bebê do tratamento pode deixar de fora dessa equação um dado importante: os riscos, tanto para mãe, para a gestação e para o feto ou recém nascido da depressão não tratada. Esses e outros componentes devem ser avaliados, discutidos e compreendidos pela paciente e seus familiares, na busca de uma decisão em que, em última análise, se busca o melhor para todos.


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