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Sob suspeita

Governo dos EUA proíbe softwares da russa Kaspersky

Alegação seria que empresa pode ser obrigada a colaborar com governo russo ou pode ser infiltrada por hackers daquele país

Arte Reprodução
Hackers russos têm sido uma preocupação norte-americana desde a última eleição presidencial, e boicote à empresa Kaspersky seria, conforme a empresa, de natureza geopolítica
O governo americano proibiu o uso do software de segurança Kaspersky em escritórios federais nesta quarta-feira (13/9), alegando que a empresa russa tem laços perigosos com a Inteligência da Rússia que ameaçam a segurança nacional americana. A secretária interina de Segurança Interna Elaine Duke mandou todos os escritórios governamentais removerem e substituírem qualquer programa anti-hacker da popular empresa em até 90 dias.

"O Departamento está preocupado com o laços entre certos funcionários da Kaspersky e a Inteligência da Rússia e outras agências governamentais", disse Duke em nota. Ela também expressou sua preocupação de que agências de inteligência russas possam requerer ou obrigar a Kaspersky a colaborar, inclusive interceptando mensagens que passam pelas redes russas.

"O risco de que o governo russo, seja por ação própria, ou em colaboração com a Kaspersky, possa capitalizar com o acesso provido pelos produtos Kaspersky para comprometer informações federais e sistemas de informações implica diretamente a segurança nacional dos EUA", afirmou Duke. Essa proibição surge em meio ao aumento da tensão entre Rússia e Estados Unidos acerca da suposta interferência de Moscou na eleição presidencial americana no ano passado.

A Kaspersky já achava que o governo iria interromper seus negócios, de acordo com as empresas concorrentes dos EUA. Neste ano, seis funcionários de alto escalão de inteligência e segurança afirmaram, em uma audiência no Congresso, que eles não usariam os programas da Kaspersky.

AFP
Autoridades norte-americana alegam o temor de que a empresa de segurança digital tenha ligações não verificadas com o governo do russo Vladimir Putin
Em julho, a Administração de Serviços Gerais do governo aconselhou que eles não fossem mais usados. Na última semana, a senadora Jeanne Shaheen disse que iria anexar uma lei proibindo o uso pelo governo dos produtos Kaspersky.

Com sede em Moscou, a Kaspersky vende seus softwares populares e bem avaliados no mundo todo há duas décadas. Cerca de 85% dos seus negócios são realizados fora da Rússia, inclusive com diversos governos, de acordo com a empresa. Ela negou diversas vezes qualquer envolvimento além de negócios com o Kremlin.

"A Kaspersky Lab não tem laços inapropriados com qualquer governo, por isso nenhuma prova confiável foi apresentada publicamente por nenhuma pessoa ou companhia para sustentar as alegações falsas feitas contra a empresa", disse a companhia à AFP por e-mail.

"A única conclusão parece ser que a Kaspersky Lab,uma empresa privada, está envolvida no meio de briga geopolítica e está sendo tratada injustamente, apesar de a empresa nunca ter ajudado, como nunca ajudará, nenhum governo com ciberespionagem, ou esforços cibernéticos ofensivos".

O fundador e CEO da empresa, Eugene Kaspersky, disse que se ofereceu vários vezes para apresentar o código fonte da empresa a oficiais americanos para uma auditoria, mas que não teve a oportunidade de fazê-lo.





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