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Greve do magistério

'Eu voltei porque não aguentei', desabafa professora que voltou à sala de aula

Em São Leopoldo, apenas uma escola continua paralisada
14/11/2017 18:16 14/11/2017 18:17

Diego da Rosa/GES
Mesmo sem reivindicações atendidas, professora Marusa, de matemática, voltou à sala de aula no Caic
Apenas duas escolas na região de atendimento da 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) estão com as portas fechadas. Uma é a Escola Estadual Especial Aracy de Paula Hofmann, de São Leopoldo, e a outra é de Novo Hamburgo, a Jair Henrique Foscarini. As informações são da titular da 2ª CRE, Helenise Ávila Juchem, que salienta que a maioria das instituições já recebe os estudantes com o quadro parcial ou completo de educadores. “Temos uma situação que se modificou bastante. Antes tínhamos oito sem atividade, hoje tenho só duas. As outras seis voltaram normalmente e temos outras cinco que reduziram parcialmente.”
Helenise diz que cada colégio tem um cronograma de recuperação diferente, conforme o número de dias que ficaram paradas. “No nosso calendário já entrou fevereiro. Há quem tenha 76 dias para recuperar”, enfatiza. De 5 de setembro, quando foi deflagrada a greve, até 12 de novembro, os estudantes ficaram sem conteúdo, conforme informações da educadora. “Falamos nesse momento apenas da perda pedagógica. É inadmissível, por exemplo, aluno de terceiro ano não ter esses conteúdos”, exclama.

PARCIAL

Conforme a vice-diretora da Escola Estadual de Ensino Médio Caic Madezatti, Adriana Maria Marcolan Zondoná, o colégio, mesmo no início da paralisação nunca fechou as portas para os 1.300 escolares. Sempre manteve, ao menos, parte da carga horária. “Nós adequamos os horários, algumas vezes os alunos chegam mais tarde e saem mais cedo, conforme a disponibilidade de educadores. Dos nossos 80 professores e funcionários, 20 não voltaram, sendo 14 educadores”, explica.
O Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul (Cpers-Sindicato) realizou ontem, em Porto Alegre, uma caminhada com saída da Rua Alberto Bins, 480. O objetivo do grupo é pressionar o governo para que chame o comando de greve para negociar. A última reunião aconteceu na segunda-feira, às 15 horas, na sede do Sindicato.

Sem perda para o aluno

De acordo com Helenise, o cenário é difícil de ser resolvido, porém ela explica que as equipes diretivas das instituições estão procurando a coordenadoria porque querem fazer a recuperação como ela deve ser feita: sem nenhuma perda para o aluno. “Até porque é um direito do estudante ter uma recuperação bem elaborada, realizada pela escola. Todos têm direito de concluir um processo de acordo com cada proposta pedagógica. Cabe à instituição fazer isso. Assegurar e garantir que todos esses alunos sejam atendidos, de forma presencial.”
A coordenadora aponta que essa foi uma das greves com maior duração nos últimos anos e que ainda não terminou na totalidade. “Muitos professores voltaram, mas ainda temos uma margem que optou por seguir com a paralisação. Fui em diversas escolas e vi que muitos estão dentro da sala da aula.”
Conforme ela, a proposta feita pelo Cpers ao Estado é incabível: “Eles apresentaram a ideia de ter 40 dias de férias e depois voltar e fazer a recuperação. Imagine um estudante do nono ano. Ele pode querer fazer uma seleção ou se mudar de cidade e precisa levar o certificado, esperar até a março.”

"Eu voltei porque não aguentei"

Professora de matemática há 17 anos na rede estadual, Marusa da Rosa Dreher, diz que foi grevista, mas retornou à sala de aula. “Não é fácil integrar o movimento. Exige muito de cada um. Todos que lutam pela categoria têm consciência que nós e os alunos perdemos com tudo isso. Porém, não achamos justo esperarmos as eleições para a mudança. O que o governo faz conosco é muita maldade”, desabafa.
Ela explica que há três anos não há aumento. O 13o salário foi parcelado em 12 vezes e a perspectiva é de um novo em 2017. “Agora ainda temos o atraso e querem que a gente ignore esse problemas. Somos profissionais, muitas vezes psicólogos, porém trabalhamos para o nosso sustento e da nossa família”, diz. Conforme ela, há quem diga que é para trocar de profissão, como se fosse uma escolha fácil. “É como se nossa vocação não servisse para mais nada. Tinha 40 horas no Estado, reduzi. Vejo muitos colegas saindo, mas até para isso requer investimento e eu, dinheiro, não tenho. Mas eu me recuso a desistir de sonhar.”
O pagamento parcelado fez com que o educador passasse por muitos apertos. Marusa conta que há professores que ficaram sem dinheiro para pagar a parcela da casa própria, o aluguel e o automóvel. “Tudo teve aumento, mas nosso salário não teve nem correção da inflação.” Segundo ela, que há duas semanas está de volta ao colégio, diz que é muita pressão psicológica: “Estamos lutando pela dignidade. Eu voltei porque não aguentei, pensei nos alunos. É muito, muito difícil. Não é o educador que está fazendo isso, é o governo. Eu estou aqui, mas não estou feliz.”

"Dose extra de paciência"

No terceiro ano na Caic Madezatti, Eduardo Fraga da Silva, 18 anos, diz que esse cenário não é confortável para ninguém. Nem para o estudante, muito menos para o professor. “Eles têm que fazer a greve porque é um direito deles, mas ao mesmo tempo o resultado que vemos não é o que eles esperam, então é complicado. Vivemos numa sociedade imediatista e, às vezes, precisamos de uma dose extra de paciência”, comenta. Ele, que fazia Eletrotécnica na Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, em Novo Hamburgo, saiu por ter interesse em cursar Direito ou Relações Públicas. “Atualmente estou há três meses sem aula de química. É claro que impacta, precisamos desses conteúdos, mas o aprender é uma construção, depende muito de cada um também.”
Para o aluno do primeiro ano, Caio Eduardo de Jesus Rocha, 16, as turmas vivem momentos de tensão e também de preocupação. “A gente não sabe muito bem como vamos recuperar as aulas, então ficamos na expectativa. Estamos sem aula de literatura há três meses, química também, sociologia a mesma coisa. Estou tentando me concentrar o máximo que posso”, destaca. Ele elogia o empenho da equipe diretiva e dos próprios professores em fazer o melhor para o escolar: “É muito bom o ambiente que temos aqui, mas o governo deveria voltar mais os olhos para a educação.”

Sufoco à escola pública

 Diego Pacheco, do comando de greve do 14º Núcleo do Cpers, ressalta que a categoria optou pela manutenção da greve. “Há recuo em algumas escolas, é verdade, mas a intransigência do governo em condicionar o fim do parcelamento e congelamento dos salários à adesão do Estado ao Regime de Recuperação Fiscal”, afirmou, destacando que o comando local e estadual de greve monitoram permanentemente a situação e pediram nova audiência com o governo.
 Pacheco reitera que a recuperação das aulas, após o fim da greve, será tratada com a comunidade escolar. “Esta já deu inúmeras demonstrações de que entende que o prejuízo de entrar no verão com as aulas é responsabilidade exclusiva do governo que parece estar decidido a sufocar a escola pública.”
 Ele lembra que, no mês passado, o governador José Ivo Sartori esteve na Sociedade Ginástica Novo Hamburgo, onde anunciou benefícios com mais incentivos fiscais. “O setor calçadista recebeu por mais um ano, o benefício da redução de 8,5% sobre a alíquota do ICMS devido, enquanto os salários são atrasados ou parcelados”, reclama.
 Ele reitera que, em greve ou não, “tudo se concentra em dezembro”. “Sartori prevê votar as medidas do Regime de Recuperação Fiscal no mês de dezembro. Mesmo alguns colegas tendo voltado, a questão que nos levou a fazer umas das maiores greves da nossa história continuam vivas: buscar as medidas que tirem o estado da crise e abra alguma perspectiva de futuro para a escola pública e a valorização dos educadores gaúchos”, salienta.


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