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Boxe

Uma luta sem fronteiras para viver do esporte

Uruguaio naturalizado brasileiro, Rodrigo Alves, 23 anos, vai disputar campeonato nacional de boxe
06/12/2017 10:57 06/12/2017 11:22

Diego da Rosa/GES
Uruguaio naturalizado brasileiro, Rodrigo Alves, 23 anos, vai disputar campeonato nacional de boxe
O “sí, sí” usado para responder algumas perguntas revela a metade uruguaia de uma das promessas do boxe gaúcho. Naturalizado brasileiro em 2014 Rodrigo Alexandre Barco Alves, 23 anos, se prepara para disputar o campeonato nacional da categoria elite a partir do próximo fim de semana, na Bahia. Se de uns anos para cá o jovem trava uma luta sem fronteiras para conseguir viver do esporte, no início não foi assim. Nascido no Uruguai fruto do amor de um chapeador de carros brasileiro que encontrou no país vizinho aquela que seria sua esposa, Rodrigo veio para o Brasil aos 9 anos e firmou residência em Esteio. A vinda da família para o Rio Grande do Sul foi motivada pelo adoecimento da vó paterna

. Do bairro Parque Primavera, uma das localidades com maior vulnerabilidade e índices de violência do município, Rodrigo começou a dar os primeiros socos em busca de uma nova vida. “Eu e meu irmão brigávamos muito em casa e nossa mãe pediu para que fossemos buscar algum esporte para gastar a energia. Tentamos capoeira e jiu-jitsu até encontrarmos a oficina de boxe no bairro, que começamos em 2010”, diz. “Ia só para brincar, até que, por incentivo do professor, comecei a levar a sério. Chegava às semifinais dos campeonatos que disputava, mas era barrado das finais por não ser brasileiro. Saía das competições desanimado”, conta.

Para mudar isso, Rodrigo contou com apoio de familiares e amigos para viajar ao país natal para realizar o processo de naturalização brasileira, o que levou quatro meses. Naturalizado, ele conquistou o bicampeonato estadual e, recentemente, ficou em terceiro na categoria até 60 quilos no torneio Sul-Sudeste realizado em novembro em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. A colocação lhe garantiu participação no brasileiro, que inicia no próximo sábado.

Único gaúcho adulto que se classificou 

Rodrigo é o único gaúcho da categoria adulta a se classificar para o campeonato nacional. Motivado por seu sonho de viver do esporte, ele largou o trabalho como auxiliar de instalador de ar-condicionado para se dedicar inteiramente aos treinamentos. E a rotina inclui musculação, corrida e treino no ringue seis dias por semana, de segunda a sábado. “Acordo às 6 horas para correr. Faço musculação das 10 às 13h30. À tarde corro de novo e treino das 18 às 22 horas, em ritmo de competição de segunda a sexta. No sábado faço reforço muscular pela manhã e o domingo tiro para descansar”, explica. “Tô nervoso com o nacional. Disputar com os caras lá de cima, de Rio e São Paulo não é fácil, mas com tanto esforço, consigo almejar o pódio”.

Bolsa atleta 

Se conseguir o pódio, Rodrigo será agraciado com o Bolsa Atleta, um benefício dado pelo Governo Federal aos atletas classificados entre primeiro e terceiro lugar. O valor da bolsa é de R$925 por mês, pagos durante um ano. “Meu sonho é viver do boxe e estou correndo atrás disso. No esporte o que vale é a juventude e estou fazendo de tudo para não perder tempo e conseguir o meu espaço”, planeja,

Exemplo para os guris 

Apesar de conviver em um ambiente dominado pelo tráfico de drogas, Rodrigo garante nunca ter perdido o foco. “Minha mãe sempre nos ensinou a ficar longe das drogas. Além disso, já vi alguns amigos e conhecidos morrendo ou se perdendo na vida por causa disso”, conta. Para motivar com que crianças e adolescentes sigam no mesmo caminho saudável que ele, Rodrigo incentiva os pequenos. “Às vezes quando estou correndo na rua os gurizinhos me acompanham de bicicleta. Fazem perguntas sobre o esporte que pratico. Acho muito bom. Sinto como se eu fosse um exemplo para eles e eles a minha motivação”, afirma.

Mobilização para garantir a viagem  

Diego da Rosa/GES
Wesley, Rodrigo e Brenda
Das oficinas de Boxe da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer de Esteio surgem também outros talentos como Wesley Marques Braz, 18 anos, tricampeão gaúcho na categoria 69 quilos. Terceiro colocado no nacional do ano passado, o que lhe garantiu o benefício do Bolsa Atleta, ele disputará novamente o campeonato deste ano na categoria juvenil. “O boxe para mim representa o meu futuro. É por meio dele que conquistei minha casa, meu carro, e acredito que me proporcionará muito mais”, projeta.

Professor dos meninos, o técnico de boxe da Federação Riograndense de Pugilismo e presidente da Central Única das Favelas (Cufa) de Esteio, Abílio Valdir Mendes Mobus, diz que para bancar a viagem deles há grande mobilização. “Estamos rifando uma mochila doada pelo esgrimista Jovane Guissone e em busca de auxílio para a compra das passagens. A alimentação e hospedagem para atletas e treinadores é garantida pela Confederação Brasileira”, explica.

Segundo ele os números da rifa são vendidos a R$3. Já para as passagens o valor que falta arrecadar fica em torno de R$400. Quem quiser ajudar pode entrar em contato com Mobus pelo telefone 9.9325.7910.

De mãe para filha 

Aluna da oficina, Brenda da Silva Souza, 20 anos, torce pelos colegas. Campeã estadual em terceiro colocada no brasileiro da categoria elite, até 75 quilos em setembro, Brenda tem dentro de casa a inspiração no esporte. “Minha mãe foi aluna do professor e hoje dá aulas com ele também. Tenho ela como meu exemplo”, diz.



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