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São Leopoldo

Trabalho para minimizar a reincidência no crime

Projetos buscam oportunidade de emprego a detentos do Instituto Penal de São Leopoldo
06/12/2017 07:57 06/12/2017 15:13

Diego da Rosa/GES
Projetos buscam oportunidade de emprego a detentos do Instituto Penal de São Leopoldo
Servente de obra, porteiro, mecânico, soldador. A lista de profissionais à disposição do mercado de trabalho é grande e inclui homens com tempo de serviço e experiências diversas. A diferença é que eles estão temporariamente distantes do convívio social, cumprindo pena por delitos cometidos, algumas vezes, justamente por falta de oportunidade. Responsável por receber aproximadamente 80% dos presos do regime semiaberto da região, o Instituto Penal de São Leopoldo tem mão de obra qualificada à espera de vagas.

Dos 190 apenados, atualmente 120 já estão trabalhando. Para auxiliar na reinserção deles no mercado, a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) realiza diferentes ações, como o projeto “De mãos dadas com o trabalho”. Por meio dele, a direção do Instituto busca firmar convênios com o poder público ou com entidades da sociedade privada para viabilizar o emprego desses profissionais. Outro meio, mais simples e menos burocrático de se oportunizar isso é através da carta de emprego. Com ela, empresas, procuradas por famílias ou pelos detentos, demonstram interesse na contratação, preenchem um formulário com firma reconhecida e encaminham para o Instituto. O local é visitado por um agente e o apenado passa por uma análise com psicólogo e assistente social, que fazem um relatório repassado para a direção, que dá parecer liberando ou não o preso para o trabalho e encaminha à Vara de Execuções Criminais para homologação do juiz.

“Eles saem para trabalhar de dia e retornam para o presídio no final da tarde, para dormir. O detendo que trabalha recebe até 75% de um salário-mínimo mais 10% de encargo trabalhista”, explica o diretor do Instituto Penal de São Leopoldo, Allan Jones Rocha Marques. Segundo ele, a grande maioria dos apenados que conseguem trabalho não reincidem no crime. “O preso ocioso tem tendência a voltar a criminalidade. Queremos que eles saiam daqui com uma perspectiva de melhorar. Se não dermos oportunidades, não vamos mudar a criminalidade”, afirma.


“Nosso papel não é olhar o crime, mas a pessoa” 

De acordo com o diretor do Instituto Penal de São Leopoldo, Allan Jones Rocha Marques, dos 190 apenados, 120 já estão trabalhando fora da casa prisional. Do restante, 20 exercem atividades dentro do presídio, na manutenção e limpeza das galerias e na cozinha. “Nosso papel não é olhar o crime, mas a pessoa e estimular aquilo que eles têm de melhor”, comenta Marques.


Nova profissão surgida no cárcere 

Há dois meses cumprindo pena por roubo a mão armada um homem de 32 anos, morador de Novo Hamburgo, descobriu, no cárcere, uma nova profissão. Ele, que já havia trabalhado com construção civil, numa fábrica de calçados e como vendedor ambulante, agora vislumbra um futuro como padeiro. Ele é um dos responsáveis pela produção dos pães servidos aos demais apenados no local. Por meio de um convênio com uma panificadora, o presídio ganhou equipamentos necessários e detentos foram treinados para a produção do alimento, que vem pré pronto.

“Já tive oportunidade de ir trabalhar fora, mas escolhi ficar aqui para mudar minha mente, que anda muito suja. Quero me reciclar. Aqui, apesar de me sentir como um preso, sinto também que sou um cidadão, tenho respeito. Se tiver oportunidade, quando sair daqui quero seguir trabalhando com alimentação”, projeta. Pelo trabalho o detento recebe por mês o salário de R$773.

Apresentação ao empresariado  

Na semana passada uma reunião no Sine de São Leopoldo reuniu empresários, autoridades municipais e representantes da Susepe para a apresentação do projeto “De mãos dadas com o trabalho”. A Secretaria de Integração Social - Direitos Humanos vai trabalhar na mediação e captação de vagas no mercado de trabalho local, buscando contribuir para que os apenados tenham reinserção social. “É importante discutir essa situação. A inclusão através da reinserção é uma forma de contribuir para o desenvolvimento do Município”, comenta o secretário Hélio Teixeira.


Opiniões divididas 

A reinserção de apenados no mercado de trabalho divide opiniões em São Leopoldo. Um comerciante que prefere não se identificar diz que não empregaria um detento em seu estabelecimento. “Acho que jamais estaria tranquilo. Acho difícil ter confiança em alguém que já cometeu um crime”, comenta. Já a psicóloga Andréa Mesquita Nunes, 34 anos, afirma ser favorável à iniciativa. “Todo mundo está sujeito a errar e se arrepender. Se há a intenção de mudar, porque não oportunizar essa mudança?”, questiona.


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