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30 de Setembro de 2011 - 15h07

Ainda não é o fim da várzea

Por Cristofer de Mattos

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Fotos Rafael Ribeiro/CBF

Leandro Damião simboliza a potencialidade do futebol amador. Será que não existem outros como ele perdidos por aí atrás de uma oportunidade?

Duas revelações do futebol brasileiro nesta temporada não passaram por categorias de base. Não tiveram o respaldo de nutricionistas, assistentes sociais ou orientadores educacionais. E mesmo assim chegaram a seleção brasileira. De igual forma foram as melhores coisas dos últimos meses na conturbada seleção de Mano Menezes: Leandro Damião, 21 anos, e Cortês, 24 anos.

Seriam esses dois jogadores exceções no futebol brasileiro e coincidências em tão pouco tempo ou uma tendência? Representariam eles uma ascensão das várzeas brasileiras ou uma evidente falha nas categorias de base dos grandes clubes do Brasil? Diante disso, com certeza ainda não é o fim da várzea.

Mesmo que o futebol amador esperneie e quase agonize diante da falta de apoio e recursos, Leandro Damião e Cortês nos mostram que mesmo com todo o mercantilismo do futebol, o esporte ainda é capaz de nos surpreender com belos exemplos de superação e talento.

Avaliação na base

As categorias de base dos grandes clubes são apontadas como as salvações das lavouras no árido terreno do futebol brasileiro. No entanto, poucos clubes conseguem colher bons frutos todas as temporadas. Alguns passam anos sem revelar um grande nome. Com isso, se abre a reflexão sobre os trabalhos realizados.

Realizar peneiras onde jogadores são avaliados na maior parte das vezes por poucos minutos – em algumas até mesmo fora das posições nas quais se sentem à vontade – será que é a melhor forma de identificar um talento?

Tratar jovens que na maior parte dos casos abandonam suas famílias para viver nos porões dos estádios como profissionais em meio às suas adolescências será que é a melhor alternativa para se preparar um atleta de ponta?

O caso de Mário Fernandes, que apesar de todo o respaldo do Grêmio mostra dificuldades para lidar com situações de pressão, pode nos mostrar a necessidade de reavaliarmos os trabalhos das categorias de base. Os jovens jogadores, diante da curta carreira como atleta de ponta, são submetidos a pressões. Não basta ter apenas o potencial. Precisam mostrar disciplina e dedicação total à carreira, que muitos não estão preparados para atender.

Cortês foi contra a Argentina o que de melhor a seleção brasileira apresentou: com velocidade e bom passe ele foi destaque

Abrigo da várzea

Com a dificuldade em se encaixar nesses perfis profissionais, com a escassez de oportunidades, alguns equívocos dos olheiros, além da necessidade de sobreviver financeiramente, o que não lhes permite investir em suas carreiras a longo prazo, muitos deles abandonam o sonho profissional.

A várzea acolhe alguns. Outros não. O que certamente nos faz acreditar que há na várzea brasileira outros talentos como Leandro Damião e Cortês, que por uma linha tênue da vida não concretizaram seus sonhos de vestir verde-amarelo.

Será que não há um preconceito com aquele que é o reduto da popularidade do futebol: a várzea? Não seriam “varzianos” aqueles que não olham com atenção para a várzea? Independente de tudo, foi de lá que saíram dois jogadores para a seleção brasileira.

A várzea está viva. Não chegou a seu fim. Talvez, “o fim da várzea” esteja, na verdade, no mercantilismo do futebol brasileiro.  

Nota: o tema da coluna foi oportunamente sugerido pelo leitor do blog Mauro Moraes a quem deixo um abraço. 

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