03 de Fevereiro de 2012 - 13h55

Velas acesas pela saída de Douglas

Por Cristofer de Mattos

| Enviar por e-mail Enviar por e-mail
COMPARTILHE:

Foto Rodrigo Rodrigues/GES

A direção do Grêmio deu graças a Deus que Douglas foi embora. Se pudesse, o impediria até de retornar ao Estádio Olímpico, ou futuramente de pisar na Arena, como adversário. O temperamento do meia encheu os pacová dos dirigentes. O jogador também demonstrou que não queria permanecer. Se cansou de ser exigido por algo que não sabe ser: disciplinado taticamente. Douglas é jogador de bola, não atleta de futebol.

A saída do meia também deve fechar um ciclo no time. O camisa 10 desvinculado da questão tática não tem espaço na filosofia de futebol do diretor-executivo Paulo Pelaipe, que nunca fez muita questão de contar com Douglas. O dirigente defende a linha de futebol que os torcedores gostam de chamar de “a cara do Grêmio”. 

Nessa lógica, jogador sem espírito de entrega, competitividade e velocidade não tem espaço. O Grêmio ainda conseguiu levar R$ 3 milhões para efetivar o divórcio. Pelaipe deve ter acendido uma vela na capela do Olímpico como forma de agradecimento.

Quando Pelaipe recebeu Douglas como herança o identificou como um problema. Ele não estava, inclusive, na proposta de time do técnico Caio Jr. Ele defende a ideia de meias à la Europa. Os armadores precisam ter velocidade e atuar pelos flancos do campo com funções ofensivas e defensivas. Douglas jamais seria esse jogador. Seu temperamento e sua “lordose” o impedem de realizar funções múltiplas.

Douglas se encheu...

Queria o ex-camisa 10 tricolor a equiparação com o salário de Kleber Gladiador – algo em torno de R$ 600 mil mensais. Ganhava algo próximo de R$ 150 mil em salários – quando acabou o período das luvas diluídas, antes disso seu salário girava em torno dos R$ 200 mil mensais.

Para a direção, o teto do clube só pode ser pago aos jogadores que resolvam uma quantidade alta de jogos. No entendimento dos dirigentes, Douglas não é esse jogador. Mas análises sobre os desempenhos do clube nos campeonatos de 2011, e principalmente de 2010, evidenciam que ele foi o principal nome daqueles times. É verdade, também, que o clube não chegou a lugar algum, mas a parceria era muito precária.

A verdade é que Douglas não queria ficar. Cansou de dar o passe e receber um pedido de desculpas. Quer um time ajeitado e com boas parcerias, além de alguns milhares de reais a mais. Não se pode discutir em hipótese alguma a qualidade do jogador. Ele é técnico e capaz. 

Douglas é de uma linhagem de meias que não tem mais espaço no futebol moderno. Por vezes, parece um jogador dos anos 1970. Até Messi, o maior camisa 10 dos últimos anos do futebol mundial, é participativo, se entrega, se dedica.

No Corinthians deve viver novos dias. Por lá é conhecido como “maestro”. Por aqui nem como “roadie” o querem. Ele deixou a camisa 10 tricolor vaga. Aliás, há quanto tempo não há um camisa 10 incontestável no Estádio Olímpico? 

De qualquer modo, as velas da direção em forma de agradecimento pela saída do que identificavam como "problema" seguem acesas. O tempo e o clima mostrarão se elas serão apagadas com resultados ou pelos sopros das vaias dos torcedores. 

0 Comentários
DE
* Nome
* E-mail
* Comentário
Caracteres restantes: 300
PARA
* Nome
* E-mail

segurança
Digite o código

Não consegue ler a imagem?
Clique nela para gerar outra.


* campos de preenchimento obrigatório.
Email:

Comentário
Caracteres restantes:
Concordo com os termos de uso.
Fechar termo
segurança

Não consegue ler a imagem? Clique nela para gerar outra.
Digite o código ao lado
* todos os campos são obrigatórios.