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Foto Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Paulo Odone tem se especializado em discursos desnecessários. Sua declaração de que o Grêmio iria rever a participação no Campeonato Gaúcho devido a lesão de Kleber só não é o gesto mais insensato do futebol gaúcho porque nele há uma Federação que pouco defende os clubes do interior, que perdem jogadores por lesões e jogos por “favores” da arbitragem à dupla Gre-Nal aos borbotões. Os clubes do interior – e os de Porto Alegre fora a dupla – sofrem na maior parte das vezes calados. Sem o poder de reverberação de Grêmio e Inter. Mas agora foi diferente.
É descabível a postura do presidente gremista de “embretar” a Federação Gaúcha numa clara tentativa de condicionar a arbitragem. Os jogadores do Cruzeiro fizeram faltas, mas a Federação fez uma falta ainda mais grave na equipe interiorana-de-Porto-Alegre ao lhe descontar 6 pontos no primeiro turno. Se é difícil fazer futebol com dinheiro e sendo grande, imagine com pouco e prejudicado pela arbitragem.
Odone passou do tom. Não creio que jogadores cruzeirenses tenham agido de má fé. A lesão é uma infelicidade. Um drama para Kleber e para o Grêmio. Mas há lesões graves na Copa do Brasil, no Brasileiro, na Libertadores, na Liga dos Campeões da Europa e nas peladas de sábado à tarde. Qualquer campeonato tem episódios como os do Gladiador.
Coerência?
Se juntamente com seus pares entende que o Gauchão é um prejuízo ao Grêmio, Odone deveria de fato levantar a bandeira do boicote as coisas da Terra. Cabe lembrar a ele que, se o tricolor tem esse tamanho, é porque há uma legião de torcedores no interior. Que o departamento de marketing do clube que ele preside realiza inúmeras ações no interior, em busca de dinheiro e sócios.
Mas que seja coerente e proíba também as bandeiras do Rio Grande do Sul que a torcida leva a campo. Que desconecte os cabos de som que formalmente tocam o hino Rio-Grandense no Estádio Olímpico. Que proíba a execução de “Querência Amada”, de Teixeirinha – tida como o segundo hino tricolor.
Se é para ser imperialista com os clubes do interior, que seja também fora da província. Que se tire do time a aura “copera y peleadora”. Não há como brigar sem fazer faltas. E mais: não há como jogar futebol sem fazer faltas.
Kleber foi apenas mais um lesionado no Gauchão. Tal repercussão deve-se ao garoto-propaganda da Arena estar limado dos campos por um longo período e por ser ele o dono dos maiores vencimentos do clube. Sua lesão não é uma exclusividade, mas tem um peso maior.
É preciso cobrar uma coerência, sim, da arbitragem. Alguns deixam a bola correr e encontrões são bem-vindos. Outros param o jogo a cada minuto; se alguém for assoprado de perto é falta. São esses disparates de critério que contribuem para Odone reforçar esse posicionamento que parecia pronto para entrar em erupção a qualquer momento. Também é preciso destacar que não conseguiremos cobrar muito mais do que isso, enquanto os homens do apito forem amadores e precisem dividir suas atuações no campo com outras atividades fora deles. Leandro Vuaden é um árbitro ruim assim como a maior parte de seu pares.
Há muito o que avançar na discussão do futebol gaúcho. Calendário, arbitragem, apoio, enfim... Mas essa declaração de Odone fazem os pinos voltarem umas dez casas no tabuleiro desse jogo chamado "Interesses do Gauchão".