16 de Março de 2010 - 00h25
Genérico também é alta tecnologia
Por André Moraes
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O blog tinha prometido retomar o assunto das novidades da CeBIT, a feira tecnológica alemã realizada agora em março. Vale fazer o rescaldo, porque depois de passado o entusiasmo inicial das novidades exibidas resta avaliar os indicadores concretos que vão virar tecnologias práticas aqui para nós.
E o mais interessante é um detalhe que muitos sites especializados notaram mas poucos de fato parecem ter compreendido. Este ano houve uma porção de cópias baratinhas de aparelhos como o Kindle e o Sony Reader e, pasme, até alguns aparelhinhos feitos para serem parecidos com o ainda nem lançado iPad da Apple. Na maioria fabricados por companhias asiáticas, estes "genéricos" infestaram os estandes da CeBIT.
Tudo bem, copiar tecnologia nunca foi novidade. Pequenas empresas vêm fazendo isso desde o tempo do Apple 1, passando por iPhone e qualquer coisa que esteja na moda. Há sempre uma porção destas imitações baratas para algum produto que seja "quente" naquela hora no mercado. Por isso, a maioria dos comentaristas só malhou a coisa. Deu gente rindo dos leitores de e-book feitos para venda em massa por companhias chinesas e outros esculhambando os pseudo iPads coreanos.
Tudo bem, sem dúvida os genéricos são inferiores mesmo. Até, muitas vezes, são absurdamente inferiores aos originais. Mas não dá para esquecer que são eles, justamente, que ajudam a firmar uma tecnologia no mercado. A música em MP3 não teria tido a penetração que teve junto ao consumidor se dependesse de todo mundo comprar os tocadores da Apple e da Sony, que ainda hoje são bem salgados. Foi quando chegaram os modelos abaixo dos US$ 100 que a coisa pegou, lembra?
Pois agora com o iPad, Kindle e afins a coisa está começando a se repetir. Não é todo mundo que vai querer ler ou navegar em tabletes eletrônicos que custam mil ou dois mil reais – blogueiro incluído. Se a tal revolução da leitura eletrônica e da navegação de prancheta vai pegar, vai ser com o apoio de aparelhos baratos.
Então vamos esperar. Antes de comprar o seu iPad ou leitor de eBook, confira antes se estão vendendo algo parecido no camelô da esquina. Daí compre a melhor marca que puder achar. Mas não adianta investir alto se você vai ficar sozinho em uma plataforma nova pela qual ninguém consegue pagar.
Os genéricos, quem diria, são a ponta da tecnologia de ponta.