15 de Março de 2010 - 00h10
A Ilha do Medo
Por André Moraes
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Daria para apelidar A Ilha do Medo (Shutter Island) como um thriller psiquiátrico. O mais recente filme de Martin Scorsese é uma mistura de suspense psicológico com policial noir. Leonardo DiCaprio é o investigador do FBI que, nos anos 50, vai a uma clínica psiquiátrica em uma ilha isolada para investigar o desaparecimento de uma paciente. Ele acaba literalmente ilhado lá por conta de um furacão e, enquanto isso, começa a descobrir algumas coisas perturbadoras.
Scorsese tem em comum com outros grandes diretores o fato de que dá para dividir sua obra em fases só a partir dos atores com os quais trabalha. Depois de uma longa parceria com Robert De Niro, ele entrou o século 21 em uma fase DiCaprio, com filmes como Gangues de Nova York (2002) e O Aviador (2004). Mas embora a parceria com o astro tenha rendido até Oscar com Os Infiltrados (2006), até agora a fase atual só rendeu filmes menores na filmografia de Scorsese, muito distantes de Taxi Driver (1976), Os Bons Companheiros (1990) ou mesmo Vivendo no Limite (1999), todos eles com outros atores. Infelizmente A Ilha do Medo não chega a fugir à regra.
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O filme que acaba de chegar aos nossos cinemas foge um pouco ao estilo habitual de Scorsese e lembra produções diversas como Vanilla Sky (2001) ou o cult dos anos 80 Coração Satânico. Tem também uma pitada de Alfred Hitchcock, principalmente pela trilha sonora orquestrada bem dramática (até um pouco exagerada, às vezes) e pelas tomadas de câmera com preferência pelos cenários vertiginosos. Tudo isso serve, mais ou menos, ao espírito do filme, que envolve um contínuo climão opressivo e algumas reviravoltas.
A Ilha não chega a irritar, embora seja um pouco longo, e é quase que totalmente amparado em um grande elenco. Tem os veteranos Ben Kingsley e Max von Sydow, mais Mark Ruffalo, Elias Koteas e Ted Levine, alguns deles, na grande tradição dos policiais, fazendo aparições pequenas mas carismáticas. De uma certa maneira é um filme mais à antiga, com boa fotografia e menos efeitos especiais grandiosos, o que por si só já mereceria uma visita ao cinema.
Mas admiradores dos filmes de Scorsese podem se desapontar um pouco. A Ilha do Medo não foge de se inserir no modo contemporâneo de Hollywood fazer cinema ao usar aqueles recursos tão na moda das surpresinhas e das revelações bombásticas, algumas das quais bastante previsíveis. Mas talvez disto a culpa não seja do diretor. A Apian Way, produtora de DiCaprio, é parceira executiva. Vamos torcer que volte Robert De Niro.(André Moraes)
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