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Depois do discutível grande sucesso de A Bruxa de Blair em 1999, a onda de “pseudocumentários” e filmes com baixo orçamento explodiu e trouxe algumas produções interessantes e outros verdadeiros lixos. Poder sem Limites consegue emergir da mesmice e vem ganhando espaço pelo seu interessante roteiro dedicado ao público teen. A produção aposta nesta história de “uma câmera na mão (ou no ombro)” e por incrível que pareça esta talvez seja sua ideia mais discutível. O filme até poderia ter algumas cenas documentadas pelos próprios personagens, mas a verdade é que em muitos momentos isso é desnecessário, improvável e até ridículo, como em uma cena de adolescente falando com a mãe doente. Mas tirando-se este problema, o filme dirigido pelo jovem Josh Trank (um ilustre e emergente desconhecido cineasta e roteirista californiano de 27 anos) é interessante, divertido, bem produzido (com algumas falhas, mas nada catastrófico para um filme do gênero) e vai atrair o público jovem aos cinemas. A história traz três adolescentes que, após entrarem em um misterioso buraco/caverna, acidentalmente ganham superpoderes. Em cena, um elenco capitaneado por dois atores desconhecidos (Dane DeHaan – que parece uma cópia de Leonardo DiCaprio no inicio da carreira – e Alex Russell como os primos Andrew e Matt) e um coadjuvante de nome famoso (Michael B.Jordan como Steve).
A história começa mostrando Andrew, um adolescente deprimente, tímido e nerd, que tem um pai violento, a mãe doente e uma mania chata de filmar tudo, do cotidiano caseiro até a desinteressante vida escolar. Mas isso vai mudar quando seu popular primo Matt decide levá-lo a uma festa. Lá, após se darem mal na festa, eles se juntam a Steve, o típico atleta escolar popular de escolas americanas (com a diferença de ser um cara menos estúpido e até legal), em uma exploração a um misterioso buraco (foto acima). E aí, após uma explosão, tudo muda. O trio adquire poderes e passa a explorá-los. De início, fazem coisas bem adolescentes, como sustos, brincadeiras, etc... Mas o perturbado Andrew logo começa a despencar para o lado obscuro da força. E aí vem a velha fase do titio Ben do Peter “Homem-Aranha” Parker: “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. O que vem interessando a muitos em Poder sem Limites, além da aventura, é claro, é a questão da construção do herói, do amadurecimento de adolescentes que precisam deixar a imaturidade de lado para entender o que significam seus poderes.
O filme traz efeitos especiais bem produzidos, mas sem ser impecável, usando fundos que podem ser feitos em qualquer programa de computador hoje em dia (e aí Poder se assemelha mais a Cloverfield - Monstro, que teve milhões de dólares investidos devido aos efeitos, do que a Bruxa de Blair feita com uns 50 mil dólares). As cenas em que os rapazes brincam e depois brigam nos céus são o ponto alto das filmagens. mas nada tira a sensação de que a ideia de “pseudocumentário” deveria ter sido esmagada da mesma maneira como Andrew faz com um carro em um ferro-velho. Tudo bem que os jovens estão cada vez mais ligados em captar tudo ao seu redor, vivemos em uma era da imagem, na qual nossa vida está cada vez mais sendo filmada por câmeras de vigilância que se multiplicam em nossas cidades, mas o filme irrita em certos momentos por tentar manter a atmosfera de “pseudocumentário”, esquecendo que sua maior força é a ideia de adolescentes com um poder ilimitado transformados em super-homens. Poder sem Limites é uma aventura que só fica limitada pela falta de maior profundidade na discussão de nossos heróis. Mas isso é coisa de adulto chato. O filme é para adolescentes, e neste ponto é que ele tem seu maior poder. (Guilherme Schmidt)