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Assim como a milionária série Crepúsculo é uma releitura adolescente das histórias de vampiros, Jogos Vorazes (The Hunger Games) é uma transposição para o universo teen de um subgênero da ficção científica. Trata-se, aqui, de uma variação das histórias sobre distopias, que mostram pesadelos futuristas. Baseado no best-seller homônimo da escritora norte-americana Suzanne Collins (primeiro de uma trilogia), o filme está sendo marqueteado pelo estúdio LionsGate como o próximo Harry Potter.
O enredo é ambientado em um futuro não muito distante, no qual os Estados Unidos submergiram numa guerra civil entre 13 distritos. Um deles subjugou os demais e instaurou um Estado policial, a nação Panem. Dentro de uma política ditatorial de pão e circo, anualmente é promovido um reality show no qual dois jovens de cada um dos 12 distritos derrotados têm que se enfrentar até a morte. O programa é televisionado ao vivo e funciona como um controle social, já que promete uma recompensa aos vencedores. Jogos Vorazes começa com uma garota de 16 anos que se voluntaria para participar do jogo, substituindo a irmãzinha que havia sido escolhida contra a vontade.
A heroína é encarnada por Jennifer Lawrence, revelação em Inverno da Alma. O filme tem grande elenco de apoio, incluindo Stanley Tucci como uma espécie de Pedro Bial histérico, Elizabeth Banks, Woody Harrelson, Toby Jones e Donald Sutherland. Direção de Gary Ross, veterano realizador de competentes filmes de estúdio, como A Vida em Preto e Branco e Seabiscuit.

Se você assistir sem preconceito e a gurizadinha no cinema não estiver fazendo muito barulho, Jogos Vorazes é um bom filme de ação, lembrando aqui e ali outras produções sobre futuros distópicos como 1984, THX 1138 e Gattaca ou mesmo o recente O Preço do Amanhã. Mais especificamente, é uma cruza de todos esses com suspenses agrestes como Amargo Pesadelo e O Senhor das Moscas.
Visivelmente, é uma alegoria futurista com uma crítica social aplicável aos nossos dias. Logo nas primeiras cenas, alguém comenta que se todo mundo parasse de assistir ao reality show fatal o programa ia parar de ser realizado. Durante o combate, os jovens formam grupinhos para liquidar os inimigos e usam táticas como aqueles falsos namoros criados só para dar audiência. Lances bem familiares nesta era de Big Brother.
Por ser baseado em um livro, o filme tem algumas sutilezas. Há subentendidos, como algumas ações dos personagens ou a tecnologia por trás dos jogos. Os efeitos e a música são bons.
Legal para uma ficção científica teen. (André Moraes)