Porto Alegre - Um ciclone muito raro, extraordinário do ponto de vista científico para o nosso clima regional, ainda classificado oficialmente como subtropical pelos Estados Unidos, mas que pela nossa análise já evoluiu para tropical, segue atuando na costa do Rio Grande do Sul. Os mais recentes dados do sistema, do meio da madrugada, acusavam ele posicionado a 29,5 graus de latitude Sul e 48 graus de longitude Oeste, muito perto da posição anterior de seis horas de 29,9 graus Sul e 48,1 graus Oeste. Significa que o centro do ciclone pouco mudou de posição na madrugada, deslocando-se um pouco para Norte e Noroeste. Já as imagens de satélite, que oferecem uma idéia mais atualizada, acusam que o ciclone tropical começou a se afastar de forma mais vigorosa para Leste, distanciando-se mais do continente agora ao amanhecer.
O vento deve soprar moderado com ocasionais rajadas fortes nos litorais do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, com rajadas que podem chegar a 50 km/h a 80 km/h, mas, novamente, a MetSul Meteorologia enfatiza que o risco maior é a chuva. Nesta manhã já ocorrem pancadas fortes localizadas e com a interação entre a umidade da circulação ciclônica e o aquecimento diurno deve se desenvolver nebulosidade mais carregada que tende a provocar chuva forte a torrencial localizada e passageira com possibilidade de causar transtornos como alagamentos em pontos do Leste do Rio Grande do Sul, o que inclui a Serra, o Litoral, a região das lagoas e a Grande Porto Alegre. Podem ocorrer volumes altos de precipitaçãoem curtos períodos no Leste gaúcho. Na Metade Oeste, não se descarta chuva forte localizada e temporais isolados da tarde para a noite à medida que se espera que haja avanço de umidade mais para Oeste, onde a temperatura estará mais alta. Cabe recordar que sob circulação ciclônica é normal haver variação constante da cobertura de nebulosidade com períodos de tempo mais aberto, em que o sol até aparece, com outros de tempo mais fechado em que se pode produzir chuva até forte a intensa em verdadeira enxurradas localizadas.
O ciclone ainda pode se acercar um pouco mais da costa gaúcha, aumentando o risco de chuva forte a intensa no Leste do Estado, e propiciando rajadas de vento na orla, contudo, a tendência é que centro da tempestade fique mesmo em mar aberto até a sua dissipação, não se desenhando uma grande intensificação, o que torna muito remota, neste momento, a possibilidade deste ciclone tropical converter-se em furacão. Ante a natureza peculiar e não raro volátil deste tipo de sistema, o monitoramento prossegue de forma muito atenta para mudanças de prognóstico em caso de qualquer alteração significativa do comportamento da tempestade.