Clima - 27/07/2010 08h04
Atualizado em 10/04/2011 22h26

Nível do Rio dos Sinos já começa a baixar em São Leopoldo

Quase 3 metros acima do normal, água atingiu pátios de algumas casas ribeirinhas.


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Aline Marques e Isabella Belli/ Da Redação

São Leopoldo  - O nível do Rio dos Sinos baixou um pouco ontem, quando marcou 5,1 metros. Domingo, a régua do Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) marcava 5,4 metros, quase 3 metros acima do normal que é 2,5 metros. Mesmo com o recuo das águas algumas casas de famílias ribeirinhas ficaram embaixo d´água. No bairro Vicentina, logo depois da casa de bombas do Semae, enquanto casas bem próximas a beira do rio ficaram ilhadas, outras foram invadidas parcialmente pela água. Na Rua da Praia a água também invadiu o trecho entre o Clube de Regatas Humaitá até a ponte do Rio dos Sinos.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil Silomar Gomes, a tendência agora é que o nível diminua aos poucos. ‘‘Nossa preocupação era com o final de semana, tanto que no domingo chegamos a 5,4 metros. A partir de agora o rio deve recuar. Segundo a meteorologia, a próxima chuva não deve ser significante ao ponto de fazer o rio extravasar novamente.’’ Para Gomes, o nível começa a normalizar a partir de hoje.

Lixo e cavalos

O reciclador Jucimar Manfrão Wais, 29 anos, mora com mais dez pessoas, entre elas quatro crianças, em uma pequena casa onde eles também separam o lixo para vender. ‘‘À noite vamos ter que recolher o lixo e também os cavalos, porque a baia já foi tomada pela água. Se não fizermos isso podemos ter prejuízo’’, contou. Wais mora no local há apenas dois meses, mas já conhece a movimentação do rio o suficiente para saber que a água não subirá mais. ‘’Venho acompanhando o aumento do nível diariamente e acho que ele não deve atingir minha casa, só meu pátio’’, ressaltou ele que viu o vizinho abandonar a casa e os animais que ficaram ilhados.

Hora da faxina na Prainha do Paquetá

Canoas- O dia de sol e o vento soprando a favor da correnteza ajudaram a baixar 30 centímetros no nível do Rio dos Sinos entre domingo e ontem na Prainha do Paquetá. Com a perspectiva de que a situação de ilhamento do povoado chegue ao fim, a preocupação passa a ser com a limpeza do material carregado pelas águas. ‘‘A sujeira dá um mau aspecto ao lugar. Daí o frequentador não vem visitar, nem comprar peixes’’, explica o presidente da associação de moradores, Paulo Denilto.

Conforme o coordenador da Defesa Civil, Mauro Guedes, uma frente de trabalho da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos deverá iniciar amanhã uma ‘‘grande faxina’’ na Prainha do Paquetá. Ele pretende ainda fornecer aos moradores kits com água sanitária para limpeza das casas. Apesar do nível do Rio dos Sinos estar baixando, ontem os ônibus ainda não acessavam a Prainha do Paquetá, deixando ilhadas cerca de 300 pessoas. Segundo Guedes, os motoristas estariam com dificuldade em manobrar os veículos dentro da comunidade de pescadores, onde a água tomou conta de algumas ruas. ‘‘Vai levar mais uma semana para secar tudo.’’

Faltam materiais de construção na Serra

Canela - Depois da passagem do tornado que destruiu e danificou mais de 500 casas em Gramado e Canela, um dos problemas enfrentados pelos moradores atingidos foi a falta de materiais de construção e de mão de obra especializada. A reconstrução dos bairros também teve que superar a escassez de telhas e lonas no comércio. A maioria dos populares, que por conta própria resolveu arrumar as suas casas, encontrou dificuldades para comprar os dois produtos.

A procura pelos materiais surpreendeu os estabelecimentos do ramo da construção civil das duas cidades. "Para encontrar telhas e pregos tem que virar a cidade de cabeça para baixo para encontrar alguma coisa", conta o instalador de alarmes, Mauro Jardim da Costa, 54 anos. Morador do bairro Santa Terezinha, em Canela, parte da sua casa ficou destelhada.

Considerado um item com pouca saída imediata, telhas de 4, 5 e 6 milímetros, um dia após o desastre já não eram mais encontradas com facilidade no comércio. Alguns estabelecimentos zeraram o estoque. Uma loja chegou a vender 400 peças de uma única vez, o que representou 90% da reserva do produto.







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