Esteio - Há três décadas um grupo de voluntários liderados pela irmã Ana Garaffa, 83 anos, faz a diferença na vida dos carentes, oferecendo alimento e roupas. Porém, o Grupo Solidariedade quer dar dignidade às pessoas, pelo menos na hora das refeições. ‘‘Eles comem sentados na calçada ou embaixo de marquises, quando chove. Eles merecem mais’’, diz a religiosa que há dez anos, com a mesma persistência, inaugurou o Lar de Idosos Paz e Amor, na Vila Três Marias. Agora sua meta é construir a Casa da Humanização, na Rua Yeda Nunes Azevedo, ao lado da Associação de Moradores do Parque Amador. O terreno foi doado pela prefeitura, mas faltam os recursos para dar início à obra. "Precisamos da solidariedade das pessoas para comprar o material’’, pede a religiosa. O projeto e a planta estão sendo executados voluntariamente por uma empresa da cidade.
A Casa da Humanização vai oferecer as refeições para adolescentes, jovens e adultos e atividades de inclusão. ‘‘Ele irão trabalhar na horta comunitária que faremos no terreno e outras atividades de inclusão’’, diz irmã Ana. A Casa da Humanização não terá acolhimento para dormir. O atendimento será durante o dia.
amor ao próximo
Irmã Ana é um símbolo de solidariedade e figura popular em Esteio, principalmente na periferia. Para chegar aos carentes, ela anda de lotação, de moto, bicicleta e carroça. ‘‘Sempre ganho carona, sempre tem uma boa alma para me ajudar’’, diz a religiosa da Congregação das Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus Teresa Verzeri. Ela está na cidade há 30 anos, depois de ter curado uma doença que a impedia de andar. ‘‘Minha vida é ajudar essas pessoas. Sou completamente feliz.’’ O Lar do Idoso Paz e Amor atende 51 idosas. A religiosa italiana Tarcilia Capitanio, 75, é uma das responsáveis pelo local, que tem 25 funcionários. A maioria paga mensalmente pelo serviço.
Bazar ajuda na renda da entidade
O Grupo Solidariedade não espera só a ajuda de fora. Com criatividade e disposição, arrecada R$ 2,4 mil por mês. A renda vem do bazar que ocorre às segundas e quartas-feiras na sede da associação, com venda de roupa, eletrodomésticos, louças, tomadas, ferros, enfim, tudo o que a comunidade doa, que passa pelo conserto e é colocado à venda. "De quem pode pagar cobramos um valor simbólico. Quem não tem condições recebe o que precisa’’, explica irmã Ana.
Os R$ 2,4 mil arrecados mensalmente são investidos assim: R$ 1 mil para manutenção do Lar de Idosos Paz e Amor; R$ 1 mil para conta da Casa da Humanização para compra do material, e os R$ 400,00 restantes pagam as despesas de água, luz e gás da sede da associação. Ontem, a dona de casa Eliane Senna, 30 anos, comprou roupas para os dois filhos. ‘‘A roupa é boa e o preço melhor ainda.’’