
Novo Hamburgo - O declínio sem fim do Juventude abriu a possibilidade de outro clube ficar com o status de terceira força do futebol gaúcho, atrás apenas de Grêmio e Inter. A surpreendente reta final do primeiro turno do Campeonato Gaúcho colocou o Novo Hamburgo, vice-campeão da Taça Fernando Carvalho, na condição de grande favorito a ocupar esse espaço. Os planos de seu presidente, aliás, caminham exatamente nesse sentido. Enquanto o anilado corre na frente, outras equipes também fazem planos, mas de forma mais modesta. Durante a semana, o ABC percorreu as sedes dos quatro clubes profissionais da região em atividade e ouviu um especialista em gestão esportiva para traçar uma radiografia e apontar caminhos que levem um deles a ficar com a vaga da qual o time da Serra está com muita dificuldade em recuperar.
A boa lição do anilado é exemplo
O Novo Hamburgo já surpreendeu os gaúchos duas vezesem2010. Primeiro, eliminou o Inter na semifinal da Taça Fernando Carvalho atuando no Beira-Rio. Depois, jogou de igual para igual com o Grêmio, perdeu a decisão por 1 a 0, mas pressionou o tricolor dentro do Olímpico e deixou 34 mil gremistas ansiosos pelo apito final.
Para a direção anilada, entretanto, a campanha não surpreende. É resultado de um trabalho que tem objetivos bem definidos. E um deles é brigar pelo posto de terceira força do futebol gaúcho. Para o presidente do Novo Hamburgo, Carlos Duarte, o caminho para levar um clube do interior a brigar por títulos passa por dois fatores: planejamento e ousadia. Com o Gauchão de 2010 ainda em andamento, o dirigente já está montando o time para 2011. ‘‘Nossa meta é disputar a Série D do Campeonato Brasileiro nesse ano, o que está praticamente certo, para chegar à Série C em 2011, ano do centenário do clube. Não fosse a ousadia, nem teríamos montado esse grupo e chegado à final do turno contra o Grêmio.’’
Sem experiência anterior como dirigente de futebol, Duarte assumiu o comando do Noia em outubro do ano passado e levou ao Estádio do Vale um modelo de gestão empresarial. ‘‘Transformamos o clube em uma empresa. Hoje, o Novo Hamburgo tem
uma gestão em que cada departamento, de futebol, comercial, administrativo e de marketing, precisa funcionar’’, aponta. A maior conquista do Noia em um futuro próximo, na opinião do presidente do clube, não seria o título do Gauchão, mas manter o equilíbrio administrativo e financeiro.
‘‘É isso que nos dará condições de buscar títulos, de representar o Estado em competições nacionais e aí brigar para ser a terceira força do Rio Grande do Sul.’’ Pelo momento que vive o clube, ninguém mais duvida que o anilado possa voltar a surpreender ainda nesse ano. ‘‘O momento é ímpar e o Novo Hamburgo está buscando o seu espaço’’, afirma Duarte.
‘‘O departamento comercial é um dos esteios do clube’’
Além de um departamento de futebol bem estruturado, outro setor fundamental para a vida de um clube do interior que tem ambições de brigar com a dupla Gre-Nal é o comercial. ‘‘O departamento comercial é umdos esteios do clube. É preciso dar prioridade aos clientes e aos patrocinadores’’, ensina o presidente do Novo Hamburgo, Carlos Duarte. Desde que assumiu a direção do Noia, ele tem dado atenção especial ao setor. O departamento comercial anilado conta, inclusive, com um carro adesivado para as visitas aos clientes.
‘‘Hoje, temos um trabalho de pós-venda. Depois da final contra o Grêmio, liguei pessoalmente para cada um dos patrocinadores para saber das impressões deles. A grande maioria já quis renovar a parceria para o próximo ano’’, conta o dirigente. Bons resultados também ajudam. Após a vitória sobre o Inter e a classificação para a final do primeiro turno do Gauchão, investidores passaram a procurar o clube. ‘‘O caminho passa a ser outro. Os patrocinadores começam a nos procurar voluntariamente.’’ Se os torcedores ainda são poucos, Duarte acredita que o número irá aumentar com a sequência do trabalho. ‘‘Hoje, temos cerca de 200 sócios. Com os resultados, esse número irá aumentar ao natural. Depois da final contra o Grêmio, faltaram camisas do time para vender aqui no estádio’’, comemora o dirigente do anilado.
Receitas para subir de cotação
Antes de atuar bem em campo, ter condicionamento físico adequado e estar 100% concentrado nas partidas, é preciso estruturar um planejamento sério, focado no marketing do clube e dos jogadores, dentro e fora de campo. "O conceito é desafiador, e o segredo está todo ele atribuído na gerência do clube", adverte o especialista em gestão esportiva e consultor esportivo da Crowe Horwath RCS, com sede em São Paulo, Amir Somoggi.
Ele, aliás, faz um alerta ao times do interior que almejam alavancar o desempenho no Campeonato Gaúcho e continuar na elite do futebol. "O clube precisa seguir à risca um velho ditado: não gastar mais do que arrecada e aproveitar a boa fase para investir no que há de mais moderno em termos de gestão esportiva", diz.
Segundo Somoggi, os clubes precisam gerenciar os custos para serem os menores possíveis. "O Novo Hamburgo pode, sim, conquistar títulos dentro e fora do seu Estado. Se o time está dando certo, não precisa mudar os jogadores, nem contratar, nem vender. Basta investir no trabalho e na imagem do clube e do atleta e, principalmente, no torcedor, sem se deixar levar pela emoção."
Para o especialista, todo time deve seguir algumas características, independentemente do tamanho e renda. A dica é consolidar a imagem da organização com a ajuda de patrocinadores, torcedores e as novas mídias, que estão ao alcance de todos, como a Internet. Já para consolidar a imagem do atleta, Somoggi sustenta que é fundamental seguir o exemplo de clubes europeus e desenvolver ações estratégicas de marketing esportivo. "Geralmente, as ações sociais dão certo e são práticas pouco difundidas no Brasil", diz, convicto de que se os clubes apoiarem instituições filantrópicas, sem almejar rentabilidade, agregarão valor ao time e, consequentemente, atrairão a atenção de patrocinadores. "Todo esse processo gera uma receita valiosa para o clube, mas os times do Brasil desconhecem esse tesouro", resume.
Muita calma no velho Aimoré
O Aimoré, um dos mais tradicionais clubes do Rio Grande do Sul, foi fundado em 1936 e retornou ao futebol em 2006, após ficar 10 anos afastado dos gramados. Nas suas últimas participações na Segundona Gaúcha, não conseguiu sequer passar para o quadrangular final. Ano passado, foi o seu melhor momento. Chegou à segunda fase, mas viu o sonho ir pelo ralo diante do Panambi, em casa.
Para 2010, a diretoria prometia um time mais competitivo e que a base da Copa FGF de 2009 permaneceria. Não foi o que aconteceu. Do grupo, apenas três jogadores ficaram: o goleiro Rafael, o zagueiro Ricardo e o meia PC, um dos mais
conhecidos da cidade. Segundo o presidente Sandro Borowski, o planejamento era para chegar o mais perto possível. Mas pela campanha do primeiro turno, o Aimoré marcou apenas 6 pontos em oito jogos, o objetivo parece distante. Com tantas dificuldades, Borowski diz que é preciso ter calma quando se fala em tentar ser a terceira força do futebol gaúcho. ‘‘Não podemos fazer loucura, temos que agir com a razão e não somente com o coração. Queremos chegar, mas é necessário ter alma’’, argumenta.
Sapuca fala em planejamento para crescer
Em Sapucaia do Sul, o sonho rubro-negro de estar entre os grandes durou apenas dois anos. O mesmo tempo que levou, depois que se profissionalizou, para subir para elite do futebol gaúcho. Muito se falou que faltou planejamento, que o time não estava pronto, mas a torcida gostou de estar na Série A. Depois da queda, o Sapuca passou por uma reformulação, desde a presidência até o grupo de jogadores. José Luiz Reche Cristianetti, o Chico, deu lugar para
Ibanor Catto, que chegou com a missão de colocar a casa em ordem. ‘‘Queremos fazer futebol, mas também queremos que nossas contas estejam em dia. Ano passado e esse ano, estamos tentando fazer as duas coisa juntas, mas para 2011 com certeza estaremos mais organizados e a carga será em cima do planejamento’’, comenta.
O Sapucaiense, que hoje é o último colocado na chave 3 da Segundona, foi a última equipe da competiçãoamontar o seu elenco, já em janeiro. De lá para cá perdeu o seu gerente e sua comissão técnica. Chegaram Helton Petri e o preparador físico Taimar Marinho para tentar avançar até a próxima fase.
Ibanor comenta que é cedo para pensar em ser a terceira força do Estado, até porque está arrumando a casa. ‘‘Nosso meta sempre foi colocar tudo em ordem. É difícil, mas estamos no caminho, sabemos que futebol é resultado de campo, mas paralelo a isso estamos conseguindo fazeroque nos propomos, então quem sabe um dia chegaremos lá’’, diz Ibanor.
Novata e sem estádio, a Universidade sonha alto
Para um clube recém-criado, envolto em dívidas, sem torcida, nem estádio próprio para mandar seus jogos ou uma estrutura adequada para desenvolver seus trabalhos durante a semana, falar em querer ser a terceira força do Estado neste momento soaria um tanto quanto estranho. Mas para quem ainda pretende brigar por uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro neste Gauchão, superar os rivais do interior–mais os dois pequenos da capital – é uma obrigação imediata.
Porém, a longo prazo, os planos do Universidade SC são ambiciosos. Além de se firmar entre os grandes do futebol gaúcho, o clube – presidido por Gílson Mão de Pilão – sonha em alçar voos além das fronteiras do Rio Grande do Sul. O discurso é chegar à elite do futebol brasileiro. E lá permanecer por um bom tempo. A decisão da Justiça de desbloquear as cotas de televisão de 2009 e 2010, tomada no começo da semana, deve tornar esse caminho um pouco menos árduo.
Agora, se Gílson demonstrar no comando do clube a mesma capacidade de superar adversidades dentro das quadras da época de jogador de vôlei, tudo é possível. Não se pode duvidar da estrela do Mão de Pilão.
Foto: André Heck/GES-especial
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Novo Hamburgo, 08/03/2010 às 09:37
A exemplo de Novo Hamburgo e Sapucaiense, mudem o nome do Aimoré para São Leopoldo. Assim, divulgaria mais o município e todos dariam mais apoio. Devemos apoiar uma marca vencedora, deixar de lado os saudosismos.
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Jonatas
Novo Hamburgo, 07/03/2010 às 12:26
Belo exemplo mesmo, mas creio que para aumentarem as receitas dos clubes menores, deveriam de fazer como fazem os grandes, promoções boas para os sócios, mas não privilegiar somente meia duzia...e sim fazer com que o torcedor se sinta em casa...isso nunca aconteceu aqui em NH, mudem isso por nós
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Novo Hamburgo, 01/01/2007 às 00:00
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