

Novo Hamburgo - Depois de 20 dias curtindo férias no Estado, o volante Adílson, ex-Grêmio, volta neste domingo para o leste europeu, onde atua no Terek Grozny, um dos principais times da Chechênia, uma ex-república soviética que viveu duas sangrentas guerras nos anos 90 e 2000. Aos 25 anos, o guri de Bom Princípio assinou contrato de três anos com os chechenos, que nesta temporada finalizaram o campeonato local na 11° colocação, mantendo-se na Primeira Divisão.
O jogador gaúcho reside e treina na cidade de Kislovodsk, distante cerca de 250 quilômetros de Grozny, onde o Terek manda os seus jogos. “É uma cidade muito segura, em que o Terek tem uma arena com capacidade para 40 mil pessoas e um gramado impecável”, destaca Adílson. “Levo uma vida normal lá, com caminhadas em parques, idas a restaurantes e cafés. Sinto falta dos amigos e familiares”, disse Adílson ao ABC Domingo, enquanto preparava as malas para viajar.
O início da primeira temporada no futebol russo foi prejudicado por uma lesão. “Tive um problema no tendão de Aquiles nas primeiras semanas, e depois de um período de três semanas na Alemanha retornei curado.” A língua não tem sido um obstáculo para o jogador, que foi viver entre as montanhas da região do Cáucaso. “Estou aprendendo o russo aos poucos, mas já consigo pedir as coisas que quero. Na maior parte do tempo eu falo inglês, já que domino um pouco além do básico”, explicou o atleta, que neste período teve a companhia de dois outros brasileiros no clube: o zagueiro Antônio Ferreira e o meio-campista Maurício, até agora os seus dois melhores amigos no time.
O volante faz uma análise do atual futebol checheno. “É um futebol competitivo e que está em grande crescimento. Acredito que o pior que se enfrenta lá é a questão da logística”, opinou. Quem estava acostumado com um Adílson mais preocupado em defender, como nos tempo de Grêmio, se surpreenderia se o visse jogar atualmente. “Jogo com outro volante ao lado e somos responsáveis pela armação das jogadas, ou seja, estou atuando de uma forma muito avançada.” Sobre a sua equipe, ele é taxativo: “É um time ofensivo e que passava por problemas defensivos”.
O assédio do torcedor do Terek é diferente do que ocorre no Brasil. “Somos abordados de uma forma respeitosa. Normalmente as pessoas apenas se referem ao respeito que tem pelo nosso trabalho, não em forma de cobrança”, ressaltou.
O frio não tem assustado o filho ilustre do bairro Santa Terezinha, de Bom Princípio. “Quando cheguei na Rússia, em março, passei um mês enfrentando um frio com temperaturas abaixo de zero e muita neve. Após esse período as coisas melhoraram, pois as temperaturas aumentaram consideravelmente”, destacou o jogador.
Nestes primeiros meses longe do Brasil, ele não teve a visita de nenhum familiar e nem da noiva, Deisinara. No entanto, isso deve mudar em breve. “Daqui para frente, irei acompanhado, e estarei esperando a visita de alguns amigos e familiares. A Deisinara irá em agosto, assim que começar o campeonato”, contou Adílson, que também espera a visita dos pais, Afonso Francisco e Marli, além da mana Marília e do cunhado Rodrigo.
Os últimos dias foram para matar a saudade de muita gente. “Visitei muitos amigos, o colégio de toda minha infância, revi os amigos no Estádio Olímpico e participei de vários jantares com familiares”, disse o atleta do Terek, que não descuidou da parte física neste período. Deu tempo para bater bola na terra natal. “Fiz um jogo de futsal com tios e primos, e alguns minijogos com os alunos do Colégio Santa Terezinha.”
Mesmo distante, a torcida pelo Grêmio continua muito forte nestes tempos de Chechênia. “Estou na torcida pelo Grêmio, e acho perfeitamente possível vencer a Copa do Brasil”, concluiu Adílson.