

A nossa existência, ocupando espaço por um tempo, nos traz a oportunidade de trilhar diversos caminhos.
Escolhemos alguns, ao menos temos a impressão de que a escolha é por nossa vontade, que nos trazem surpresas, alegrias.
Outras vezes optamos por trilhas da vida que nos frustram ou nos amarguram os sentimentos.
Assim é com o compartilhamento do espaço com nossos semelhantes, durante um longo tempo, um lapso irrisório ou períodos intercalados.
Conheci uma alma pura no corpo de um halterofilista no ano de 1970. Éramos colegas na primeira turma de Eletrotécnica da Liberato.
Eu ficava impressionado como o meu amigo Marciano, então com 16 a 17 anos, levantava aquelas dezenas de quilos de halteres acima de sua cabeça, facilmente, e no dia seguinte, na sala de aula, pegava lápis e uma folha de papel e, em instantes, surgia uma rosa ou o rosto do professor, com total perfeição.
Cada um seguiu seu rumo.
Eu não imaginava que essa criatura tão bonachona, com aquele olhar sereno sempre oferecendo emanações de felicidade, tinha um acervo de tamanha grandiosidade.
Eu não entendo de arte.
Mas admirar o resultado que essas mãos fabulosas traduzem do que se passa na mente, ou o que aqueles olhos tão sinceros enxergam, praticamente faz com que nos imiscuamos naquelas pinturas, naquelas realísticas obras de arte.
Eu estou exultante por ter participado, junto com algumas centenas de privilegiados, de um momento tão significativo na vida de Marciano.
Com "Acesso", o mundo também irá conhecer o seu talento.
Os apreciadores das coisas belas saberão que, aqui em Novo Hamburgo, existe um gênio artístico.
Desejo-lhe, sinceramente, muito sucesso nessa nova jornada.
