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Meio Ambiente - 30/06/2012 21h12
Atualizado em 01/07/2012 15h39

Água do Rio dos Sinos está cada vez mais difícil de tratar, afirma especialista

Comusa e Semae elevam quantidade de produtos para tornar água potável depois de nível crítico de poluição


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Adair Santos/Da Redação

Foto: Néia Dutra/GES
Estação de Tratamento da Água da Comusa, em Novo Hamburgo
Estação de Tratamento da Água da Comusa, em Novo Hamburgo

Novo Hamburgo  - A poluição do Sinos atingiu níveis tão críticos que está cada vez mais caro tornar a água adequada ao consumo humano. O baixo nível do rio também contribui, é verdade, mas a carga de esgoto doméstico e efluentes industriais está exigindo a aplicação de uma quantidade três vezes maior de produtos químicos pela Comusa, em Novo Hamburgo, e até 68% superior pelo Semae, em São Leopoldo.

Em reportagem publicada na semana passada, causou surpresa a revelação do diretor-geral da Comusa, Mozar Dietrich, sobre o aumento dos custos para tratamento da água e substituição de equipamentos quebrados devido ao baixo nível da água. ‘‘Desde dezembro, já gastamos mais de R$ 2 milhões’’, contabilizou. Segundo ele, o uso desses insumos, como tanino e dióxido de cloro, triplicou nos últimos seis meses.

O fator preocupante é que, pela primeira vez, a companhia utilizou carvão ativado para complementar o processo que torna a água potável. No período entre dezembro do ano passado e fevereiro deste ano, foram utilizadas 30 toneladas deste componente, o que custou R$ 162 mil extras aos cofres da autarquia.

Outro sinal de alerta diz respeito à etapa de pré-cloração com dióxido de cloro, que era utilizada eventualmente e hoje tornou-se rotina na Comusa. "É mais um indicativo do aumento da poluição", explica o coordenador de Produção da Comusa, o engenheiro químico Arlindo Soares Räder.

No total, a Comusa atende a 75 mil economias, o equivalente a 98% (235 mil pessoas) da população – o percentual restante reside na zona rural de Lomba Grande. Segundo o diretor, esses custos adicionais estão sendo absorvidos. ‘‘Por enquanto, não temos a intenção de repassá-los para o contribuinte, mas no futuro talvez isso seja inevitável’’, cogita.

Em São Leopoldo, a situação é igualmente alarmante. As estações de tratamento de água do Semae, para produzirem água potável, atendendo aos requisitos da Portaria 2914 do Ministério da Saúde, tiveram aumento na quantidade de insumos, impactando em R$ 32 mil por mês nos seus custos operacionais.

A utilização de carvão ativado aumentou 68% (de 8,3 toneladas para 14 toneladas por mês), gerando custo adicional de R$ 18 mil por mês. O uso de cloro também cresceu 20% (de 8,8 toneladas para 10,6 toneladas mensais) e o de sulfato de alumínio hoje é 15% superior (de 99 toneladas, passou para 114 toneladas).

O diretor-geral do Semae, Anderson Etter, lembra que o nível médio do Rio dos Sinos baixou nos últimos 12 meses, como consequência da estiagem prolongada, apesar das chuvas de pouca intensidade. "Este fenômeno provocou uma redução do volume de água e, consequentemente, diminuição de sua vazão ecológica. No ponto de captação de São Leopoldo, a situação não é diferente: o manancial apresenta elevada carga poluidora", lamenta.






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