

Novo Hamburgo - A partir de agora, o ir e vir de trens entre as Estações Rio dos Sinos e Santo Afonso será uma cena comum. Na manhã de ontem, a empresa espanhola Incensys, contratada pelo Consórcio Nova Via, deu início aos testes de sinalização. Os ensaios, como também são chamados os testes, ocorrem até fim de março, inclusive aos fins de semana, sempre das 9 às 16 horas, horário de menor movimentação no trem. Também há possibilidade dos ensaios ocorrerem durante a noite, caso necessário.
O coordenador das obras civis da extensão norte do Trensurb, Erno Zimpel, explica que esses testes são os últimos e, também, os mais importantes. “Os testes estão vinculados à segurança da operação ferroviária e por isso serão repetidos várias e várias vezes” argumenta. Zimpel explica que a principal preocupação dos técnicos é com a sincronia dos sistemas informatizados do Centro de Controle Operacional (CCO). Apesar de cada trem ter um condutor, o funcionamento é monitorado por meio desse sistema segurança. “E não podem ocorrer falhas de jeito nenhum”, arremata.
SAIBA MAIS
Quando a operação comercial for autorizada, o que deve ocorrer assim que os testes estiverem prontos, serão 23 trens andando ao mesmo tempo, em horários de pico, entre as Estações Mercado Público e Santo Afonso. Para garantir o perfeito funcionamento de todos os veículos, assim como garantir que não ocorram colisões ou atrasos nas partidas e chegadas, a Trensurb conta com os sistemas de segurança de Controle de Tráfego Centralizado (CTC), “Cabsignal” (CS), Controle de Velocidade dos Trens (ATC) e de Parada Automática dos Trens (ATS). A questão de se respeitar uma distância segura entre cada trem, segundo Erno Zimpel, é de extrema importância. “Um trem a 90 quilômetros por hora precisa de 400 metros até que consiga frear totalmente”, explica.
CONVERSA ENTRE SISTEMAS
Como a linha 1 da Trensurb foi construída em três etapas, existem três softwares diferentes operando no Centro de Controle Operacional (CCO, na foto acima), todos de anos diferentes (1985, 2000 e 2011). De acordo com Erno Zimpel, o desafio dos técnicos é fazer com que os programas “conversem entre si”. O novo sistema instalado tem tecnologia internacional e, por conta disso, será capaz de resolver e absorver qualquer tipo de problema que possa acontecer. “Todos os comandos são acionados por meio desses softwares”, informa. A expectativa é que os testes de concordância de software demorem quatro dias. Um exemplo é quando, em casos de emergência, o sinal vermelho é ligado na linha férrea. Independentemente da ação do piloto, o trem automaticamente para, obedecendo ao comando automatizado.
Velocidade controlada
O plano de sinalização prevê que, conforme o trecho, o trem ande respeitando um limite de velocidade, que pode ser de 30, 50, 70 e 90 quilômetros por hora. O piloto, durante a viagem, precisa respeitar esses parâmetros, caso contrário é penalizado com uma redução brusca de velocidade. Por isso que o usuário, de vez em quando, tem a sensação de que o trem parou, mesmo não tendo nenhuma estação próxima. “Depois o piloto vai precisar andar no limite para cumprir a grade horária”, conta Erno Zimpel.
ENSAIOS
Os ensaios ocorrem com trens vazios, sem passageiros. Mas como o funcionamento de vagões lotados é diferente dos vazios, o peso dos usuários será simulado. Após essa bateria de testes, o Consórcio Nova Via irá emitir uma certificação de segurança. Em seguida, a Trensurb fará novos ensaios, para poder lançar uma segunda certificação.
O primeiro teste ocorreu na madrugada de terça-feira, onde foi verificada uma falha em dos aparelhos de mudança de via (AMV). O problema já foi solucionado.
TRÂNSITO MUDA
A partir de hoje, o trânsito na Avenida Nações Unidas, no sentido Centro-bairro, entre as Ruas Araxá e Carlos Germano Burkle, estará interditado. A mudança é por conta das obras de canalização do Arroio Luiz Rau e deve permanecer até 25 de fevereiro. O acesso local será mantido e devidamente sinalizado. Em caso de chuva intensa o prazo de interdição pode ser prorrogado.