Polícia - 19/11/2009 07h39
Atualizado em 10/04/2011 22h29

Polícia encontra carta de técnica em enfermagem

No documento, ela também conta todos os problemas familiares que vinha enfrentando.


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Daiane Poitevin/ Da Redação

Canoas  - O juiz da 1a Vara Criminal de Canoas, Cristiano Vilhalda Flores, negou ontem à tarde o pedido de habeas- corpus para a técnica em Enfermagem Vanessa Pedroso Cordeiro, 25 anos. A solicitação foi encaminhada pelo advogado da suspeita na sexta-feira, quando ela foi detida no Hospital Universitário da Ulbra. Vanessa é acusada de intoxicar 11 recém-nascidos na maternidade com pequenas doses de morfina e diazepan.

Nos próximos dias, o advogado Sérgio Assumpção irá impetrar o pedido de liberdade no Tribunal de Justiça. "Entendo que minha cliente cumpre todos os requisitos para responder a acusação em liberdade", resumiu. O juiz avaliou que há indícios de que Vanessa praticou os crimes. A justificativa também foi baseada no clamor da sociedade ao caso e na garantia da ordem pública.

INQUÉRITO - O delegado responsável pelo inquérito, Guilherme Pacífico, já esperava a negativa do pedido. Segundo ele, o juiz deve esperar algumas diligências consideradas importantes para o desenrolar do caso. O inquérito deve ser concluído em quatro dias, mas esse prazo pode ser aumentado caso haja necessidade de novas buscas. Os familiares de Vanessa serão intimados a depor nos próximos dias.

A notícia deixou o pai da jovem surpreendido. "Todo dia estou indo ao presídio (feminino Madre Pelletier) para tentar vê-la, mas só poderei fazer isso no domingo, no dia da visita", comentou Haioran Cordeiro. Ele teme pelo estado emocional da filha. "Ela só viu chegar alimentos e roupas trazidos por nós, mas não vê ninguém. A minha menina deve estar achando que foi abandonada", disse o tenente do Corpo de Bombeiros.
Saiba mais

- O Instituto-Geral de Perícia ainda não divulgou à Polícia o resultado do exame no líquido encontrado na seringa que estava na pochete de Vanessa. De acordo com o delegado Guilherme Pacífico, o resultado deve chegar até o final desta semana

- Dois bebês, dos 11 que foram envenenados no HU, seguem internados. Um deles deve ser liberado ainda hoje. Segundo informações do hospital, a criança ainda não recebeu alta porque estaria necessitando da avaliação de um neurologista, o que ocorreria ontem. O HU garante que a avaliação é por precaução
"premonições"

- A Polícia Civil ouviu, ontem, técnicos em Enfermagem, enfermeiros e médicos que trabalharam na tarde de sexta-feira, dia 13, quando Vanessa Pedroso Cordeiro foi presa

- De acordo com o delegado Guilherme Pacífico, os colegas disseram que Vanessa sempre previa quando os bebês passariam mal

- "Na sexta-feira mesmo ela solicitou, por diversas vezes, que os médicos avaliassem dois bebês que, segundo ela, não estariam bem. Ela chegou a mencionar aos colegas, após negativa dos médicos, que eles não entendiam nada", comentou Pacífico

- A direção do hospital entregou nesta quarta o relatório sobre a vida funcional de Vanessa. No material estavam ainda dados referentes às mortes ocorridas na UTI neonatal no período em que a técnica em Enfermagem trabalhou no local e suas escalas de trabalho

- "Só amanhã (hoje) poderei dizer o que há nesse relatório", comentou Pacífico, que também recebeu relatórios da Vigilância Sanitária de Canoas e do Estado e das secretarias de Saúde do município e do RS

Polícia encontra carta de Vanessa pedindo ajuda

Uma carta escrita pela técnica em Enfermagem Vanessa Pedroso Cordeiro foi encontrada pela Polícia no armário pessoal dela no Hospital Universitário da Ulbra. Segundo o delegado Guilherme Pacífico, na folha de ofício, Vanessa pede ajuda e conta todos os problemas familiares que vinha enfrentando. Também relata o desejo de ser médica. "Ela conta de próprio punho tudo o que me falou informalmente", disse.

A carta não teria sido concluída, conforme Pacífico, uma vez que a frase da última linha não estaria completa. "Ela começa escrevendo: "Por meio desta...", contou. Conforme o delegado, a carta será analisada com muito cuidado, porque há menção a outras pessoas. Também na quarta-feira os policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência da suspeita, em São Leopoldo. Foram recolhidos livros, cadernos e documentos, com a presença do marido.

Ontem à tarde, agentes da 1a Delegacia de Polícia de Canoas estiveram no Hospital Regina, em Novo Hamburgo, para vistoriar o armário da técnica em Enfermagem. A intenção era buscar algum tipo de material que esclarecesse se a jovem chegou a intoxicar algum paciente da instituição, mas nada foi encontrado.

Questionado acesso a remédios

Representantes do Conselho Regional de Farmácia do RS (CRF-RS) visitaram, na terça-feira, as dependências do Hospital Universitário. Ficou constatado que os técnicos em Enfermagem têm acesso aos medicamentos controlados. "Atualmente, o hospital não tem garantido a autonomia necessária para os farmacêuticos exercerem esse controle efetivo do consumo e guarda de medicamentos controlados", explicou o fiscal Everton Borges. Além disso, ele verificou que, das 23 horas às 6h40, o hospital não tem farmacêutico de plantão. O HU teria 15 dias para resolver a situação. A direção do HU confirmou a visita, mas afirmou que não recebeu nenhuma notificação referente à situação e que também não foi informada de qualquer documentação que seria mandada.






8 Comentários
eliane Bastos
São Leopoldo, 06/01/2010 às 14:42
Estudo na Ulbra e permanecerei até me formar, pois eu decidi estudar nos fins de semana. Sou quem escolhe levantar às 4 horas da manhã para estudar. Sou eu quem muitas vezes deixo de passear com meus filhos para estudar. Sou eu quem estou pagando o preço, portanto, não generalizem os estudantes da Ulbra.
Calúzia
Novo Hamburgo, 24/11/2009 às 11:17
Comentario aguardando moderação.
neuza maria matos de
Canoas, 20/11/2009 às 11:22
acho que o que aconteceu no HU poderia ter acontecido em qualquer hospital, não podemos generalizar, eles têm ótimos profissionais, que fizeram de tudo, e conseguiram salvar todos os bebês, isso é o mais importante.
breno
Novo Hamburgo, 19/11/2009 às 15:05
Comentario aguardando moderação.
Angela
Novo Hamburgo, 19/11/2009 às 14:46
O hospital tem que ter psicólogos avaliando os funcionários mensalmente, pois estes estão com vidas em suas mãos e precisam ser equilibrados, deixando os problemas lá fora. Mas quem tem que pagar por isto é esta enfermeira, se realmente for provada a culpa dela.
Cris
Novo Hamburgo, 19/11/2009 às 12:59
Comentario aguardando moderação.
Daiane Larrea
Canoas, 19/11/2009 às 11:27
Concordo plenamente com o Carlos, A Ulbra não tem condições de graduar ninguém e acho que mesmo que tivesse não seria vista como uma boa referência de ensino pelo que vem acontecendo nesses últimos tempos. É lamentável, uma verdadeira vergonha para Canoas. [...]
Carlos Roberto
Novo Hamburgo, 19/11/2009 às 10:14
Observem que todos os problemas detectados são de responsabildade da Ulbra. O não avaliar seus funcionários periodicamente, a facilidade de acesso aos medicamentos, o não cumprimento das normas com relação ao farmacêutico etc etc. Querem manter curso de Medicina? Que profissionais irão formar?
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