Polícia - 13/03/2010 11h24
Atualizado em 10/04/2011 22h26

Prisão de terceiro suspeito da chacina em Novo Hamburgo foi negada

Na sexta-feira, dois soldados da Brigada Militar de Campo Bom foram detidos preventivamente.


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Marcos Jorge/Da Redação

Foto: Marcos Jorge/Da Redação
Prisão de terceiro suspeito da chacina em Novo Hamburgo foi negada
Prisão de terceiro suspeito da chacina em Novo Hamburgo foi negada

Novo Hamburgo  - Foram presos preventivamente no começo da tarde de ontem dois soldados da Brigada Militar, lotados em Campo Bom, acusados de participar da chacina no bairro Canudos, em Novo Hamburgo. O incidente ocorrido na madrugada da última terça-feira, em um casebre da Rua Chico Xavier, vitimou quatro homens e deixou dois feridos em estado grave no Hospital Municipal. A decisão sobre as detenções foi homologada pelo juiz Volnei dos Santos Coelho na noite de quinta-feira, mas os mandados só foram cumpridos durante a tarde de ontem. Já o terceiro suspeito teve o pedido de prisão negada pelo magistrado. Depois de serem ouvidos no Comando Regional de Polícia Ostensiva (CRPO) do Vale do Sinos, os dois policiais militares deveriam ficar detidos no quartel da BM, a disposição da Polícia Civil.

"Dois tinham reconhecimento taxativo. A temporária já era suficiente para a condução do inquérito, mas a prova era tão robusta que o juiz decretou a preventiva", declarou o titular da 3.ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, delegado Mauro Duarte Vasconcellos. Segundo ele, a individualização da conduta de cada envolvido no incidente deve ser esclarecida na condução do inquérito. Além das prisões também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em pelo menos duas cidades do Vale do Sinos e um terceiro homem chegou a ser conduzido ao quartel da BM para ser ouvido. Os suspeitos prestaram depoimento ao delegado da 3.ª DP, Moacir Fermino Bernardo, que esteve reunido durante toda a tarde com o comandante regional da BM, coronel Nicomedes Barros.

SUSPEITO - Um terceiro suspeito que dava cobertura a dupla em um carro escuro também teria deflagrado disparos contra três homens que conseguiram saltar pela janela da casa, um deles foi atingido e não resistiu aos ferimentos. Os outros dois conseguiram fugir, sendo que um deles conta com a segurança do Programa Estadual de Proteção Estadual, Auxílio e Assistência a Testemunhas Ameaçadas (Protege).

O crime
Em um casebre de madeira da Rua Chico Xavier, na Vila Marisol, no bairro Canudos, oito homens que se reuniam para fumar crack foram surpreendidos por dois homens armados. Eles procuravam uma nona pessoa que não estava no local. Diante da ausência, deflagraram mais de 20 disparos contra o grupo. Alguns foram surpreendidos enquanto dormiam. Três morreram na hora, o dono da casa, Paulo Roberto Mauss, 48 anos, Júnior Ferreira, 30, e Samuel Henrique dos Santos, 19. Ficaram feridos Diego Cornelius Leite, 27, Caio Pacelli Rodrigues Pereira, 23, todos socorridos ao Hospital Municipal. Na manhã de quinta-feira, Leite não resistiu. Outros dois ocupantes da casa, conseguiram saltar pela janela e fugir dos disparos. Um deles conta com proteção policial. Já o outro está desaparecido.

As prisões
No final da tarde de quarta-feira, o delegado Moacir Fermino Bernardo solicitou ao Judiciário a prisão temporária de três policiais militares suspeitos de serem os autores da Chacina na Vila Marisol no bairro Canudos. O promotor de Justiça, José Nilton Costa de Souza, decidiu representar pelo pedido de preventiva dos acusados. Na noite de quinta-feira, o juiz da 1ª Vara de Execuções Criminais de Novo Hamburgo, Volnei dos Santos Coelho, homologou a prisão preventiva de dois dos suspeitos. O terceiro teve o pedido negado. No começo da tarde de ontem, após cumpridos os mandados, todos foram apresentados no Comando Regional de Polícia Ostensiva (CRPO) do Vale do Sinos, onde foram ouvidos pelo comandante e pelo delegado Fermino. A expectativa é que seguiriam ao presídio da BM, em Porto Alegre.

A violência
A suposta truculência de alguns policiais militares de Campo Bom no atendimento a ocorrências foi apresentada em aproximadamente 20 denúncias de abuso de autoridade e lesões corporais nos últimos anos contra pelo menos quatro PMs da ativa registradas na Delegacia de Campo Bom. Todos os casos teriam sido remetidos ao Ministério Público e algumas das vítimas chegaram a registrar queixa junto ao quartel da BM para que fosse instaurada uma sindicância ou inquérito policial militar. Segundo o titular da DP, delegado Pedro Vilmar Marques, somente em 2009 foram registrados quatro casos de abuso de autoridade e lesões corporais envolvendo brigadianos.

Quarta vítima da tragédia foi sepultada ontem em Campo Bom
A dor de familiares e amigos da quarta vítima da chacina de Canudos esteve estampada ontem pela manhã no sepultamento de Diego Cornelius Leite, 27 anos, assassinado com pelo menos um tiro na cabeça. "Era alguém que trabalhava em uma empresa de calçados e dizia que queria se tratar. Foi uma injustiça o que fizeram com ele. Fazia pouco tempo, dois ou três meses que tinha assumido o vício, após uma decepção amorosa", lembra a mãe de Diego, a dona de casa Lúcia Cornelius Leite, 53 anos, moradora de Campo Bom.

Lúcia recebeu a notícia da tragédia de uma pessoa que é vizinha de onde aconteceu o fato. O local era, segundo a polícia, conhecido como ponto de usuários de drogas. "Estávamos com tanta esperança de que pudesse se recuperar, mas o médico nos dizia que ele havia perdido muita massa encefálica", conta a mãe. Conforme ela, o filho, que morava em sua casa, havia acabado de receber a primeira parcela do seguro-desemprego e sustentava o vício com os próprios ganhos do trabalho. Além de Diego, pelo menos outras três vítimas são de Campo Bom, cidade onde estão lotados os três policiais militares, apontados como principais suspeitos da chacina.

Foto: Rivelino Meireles/GES






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