Alerta das tregédias - 09/02/2012 07h51
Atualizado em 09/02/2012 08h16

Saiba como identificar sinais de desabamento em nossos prédios

Para evitar acidentes, a dica é investir na manutenção preventiva.


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João Linden*/ Da Redação

Foto: Efe
 No Rio: três prédios desmoronaram no dia 25 de janeiro
No Rio: três prédios desmoronaram no dia 25 de janeiro

Novo Hamburgo  - Rio de Janeiro, 25 de janeiro, 20h30. São Bernardo do Campo, 6 de fevereiro, 19h40. O que as duas cidades e datas têm em comum? Ambas foram palco de tragédias provocadas por desmoronamentos de prédios. Os acidentes causaram pelo 17 mortos e dezenas de feridos, além de danos patrimoniais e emocionais. As causas e responsáveis pela queda das construções ainda são investigadas, mas esses acidentes poderiam ser facilmente evitados. “A manutenção preventiva dos prédios e uma fiscalização adequada do poder público nas modificações estruturais são caminhos simples para evitar novos desastres”, afirma o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do RS (Crea-RS), Luiz Alcides Caponi. Em muitos casos, um laudo técnico feito periodicamente por profissionais capacitados já é o suficiente para se evitar prejuízos. “Muitas pessoas querem poupar dinheiro fazendo reformas e mudanças nos prédios por conta própria. Tempo depois, elas tem de refazer o serviço mal feito e gastando muito mais recursos. O barato acaba saindo caro”, exemplifica o presidente.

Os melhores amigos da obra

Para reformas e ampliações de prédios, o ideal é contar com o auxílio de engenheiros ou arquitetos. São profissionais que estudaram ciências e cálculos por anos e têm capacidade de atestar obras mais seguras e econômicas. “Até a instalação de um ar-condicionado pode mudar a estrutura do prédio e causar riscos”, avisa Luiz Caponi. Um laudo completo feito por esses profissionais pode apontar problemas imperceptíveis para os leigos e assim evitar uma série de problemas futuros.

FIQUE DE OLHO

1 - Os andares de prédios residenciais normalmente são construídos para receber uma distribuição de peso proporcional e a instalação com grande peso concentrado, como uma piscina no terraço, por exemplo, pode alterar toda a estrutura de um prédio.

2 - Em alguns casos, paredes de prédios servem para sustentar os andares superiores, além de simplesmente separar ambientes. Remover uma parede, ou até diminuí-la, pode significar uma sobrecarga nos outros pontos de apoio do prédio. O mesmo serve para as pilastras: elas não são instaladas aleatoriamente e sua manutenção no mesmo local é fundamental para a estrutura de todo prédio.

3 - O preceito é similar ao da remoção de paredes. A instalação de muitas janelas e portas em determinados pontos da estrutura pode afetar toda a segurança do local.

4 - As infiltrações podem acontecer por uma série de fatores, que variam desde defeitos na construção a desgaste do tempo. São perigosas pois, além de goteiras, vazamentos e outros problemas mais simples também podem mexer com a estrutura do edifício, principalmente se existirem há muitos anos. A impermeabilização com manta só impede a passagem da água, mas não resolve outros danos.

5 - Talvez o principal e mais visível sintoma. Porém, não é preciso criar pânico. Há casos em que não representam perigo algum e até foram previstas pelos projetistas. Porém, para se ter certeza do perigo de cada rachadura, somente com ajuda profissional.

6 - Já foi dito, mas não custa repetir: só mexa em seu prédio com ajuda de um engenheiro ou arquiteto. Só eles estudaram o suficiente para saber que tipo de obra é possível em cada caso. Além disso, conhecem técnicas e materiais diferentes que podem acabar barateando a obra.

COMO PROCEDER

Para uma obra de qualquer tipo, inclusive reformas e ampliações, ser considerada legal, precisa ter um projeto feito por responsável técnico, que é enviado à prefeitura local para ser aprovado e licenciado. “Os autores ficam responsáveis pela estrutura do prédio por cinco anos e só depois essa tarefa é repassada aos proprietários”, explica Nelza dos Reis, coordenadora de Controle de Projetos da Prefeitura. Ano passado Novo Hamburgo aprovou 642 obras na cidade.

DENUNCIE

Para evitar acidentes, é possível denunciar as obras em que houver suspeita de estarem sendo realizadas de maneira ilegal no Crea ou na prefeitura. Se houver confirmação da irregularidade, o responsável pela construção é notificado e tem até 30 dias para se regularizar. Os embargamentos também podem ocorrer em casos de obras realizadas em terrenos públicos, de preservação ambiental, onde há previsão de construção de ruas e outras situações.

IMPORTÂNCIA DO HABITE-SE

As prefeituras emitem um documento chamado Habite-se, que atesta que as obras de prédios residenciais estão concluídas e aptas para residir, além de terem sido construídas seguindo as exigências e a legislação. Antes de emiti-lo, a prefeitura verifica se a obra final é exatamente a mesma aprovada e licenciada antes de seu começo, além de exigir outros documentos. Em Novo Hamburgo, foram emitidos 537 documentos como esse somente em 2011.

MANUTENÇÃO PREVENTIVA

Manutenção preventiva é o mais indicado pelo Crea-RS para evitar problemas. A sugestão é que até os 20 anos de idade, o prédio seja revisado de cinco em cinco anos. Entre 20 e 30 anos a vistoria deve ocorrer trianualmente e entre 30 e 50 anos a indicação é para que seja providenciada com intervalos de dois anos entre cada laudo técnico. Após os 50 anos, os riscos aumentam e a sugestão é de uma vistoria por ano.

Chame o síndico!

Vice-presidente de condomínios do Sindicato das Empresas Administradoras de Imóveis e Condomínios (Secovi), Simone Camargo afirma que não há fiscalização nos prédios porque não existem fiscais suficientes para entrar em cada apartamento para ver se há obras irregulares ou não. “O que falta é cada um ter cuidado e consciência que a segurança é geral”, salienta.

Conforme Simone, há muitas convenções de condomínios que estabelecem que qualquer obra deve ser informada ao síndico. O morador não pode pensar que, se tirar uma parede de 60 ou 80 centímetros, não vai fazer diferença na estrutura do prédio. “Às vezes faz parte da sustentação”, a dirigente.

Fidelidade ao projeto

De acordo com o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do RS (Sinduscon-RS), Mauro Touguinha, as construtoras gaúchas não apresentam problemas na execução das obras. A principal orientação, no entanto, é de que o engenheiro que executará a obra seja fiel ao projeto original.

O dirigente explica que as principais orientações devem ser aos proprietários de prédios e apartamentos. É preciso, sempre que se for mexer no prédio, contratar um profissional especializado, para determinar o que pode ou não ser mexido. “Tem prédios em que as estruturas são as paredes, então não pode remover”, alerta. O mesmo vale para as construções onde a estrutura são vigas, pilares e lajes. Outra observação importante é não fugir da carga prevista originalmente para o prédio. Qualquer alteração que acrescente peso pode influir na estrutura.

Sobre a evolução do material usado nas obras, Touguinha ressalta que, décadas atrás, a diferença era que não se tinha o mesmo conhecimento do comportamento dos materiais que se tem hoje, e nem a tecnologia para fazer cálculos. “Por isso os prédios de 40, 50 anos atrás parecem mais robustos”, explica.

* Colaboraram: Éder Kurz e Felipe Limas






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