São Leopoldo - A previsão de crescimento de 5,5 % na economia brasileira em 2010, apontada no relatório Focus do Banco Central, é uma boa notícia para o comércio e pode servir de estímulo para os negócios. No entanto, é preciso investir corretamente para aproveitar essa mudança e ganhar com ela. Quem está entusiasmada é a microempresária Rosana Borges Cunha, que abriu sua loja de equipamentos para motos em pleno ano de crise e nesse mês comemora o primeiro aniversário do negócio na Campina. ‘‘Foi um desafio e estamos trabalhando muito. Se no ano passado, com as dificuldades, conseguimos, a possibilidade de crescimento é uma ótima notícia para esse ano’’, diz.
‘‘Nada garante que esse percentual vá se concretizar, pois nossa economia depende do resto do mundo. E há questões internas a se resolver também. Mas acredito que esse valor será alcançado’’, disse o economista e professor da Feevale Luís Carlos Yllana Kopschina.
O gerente-regional do Sebrae no Vale do Sinos, Marco Copetti, alerta que os pequenos e microempresários precisam investir em planejamento e ferramentas de gestão para que a boa notícia não acabe se virando contra eles. ‘‘É preciso estar preparado para o crescimento ou pode-se ver as empresas maiores tomarem o lugar. É importantíssimo ter o controle de gestão na ponta do lápis’’, diz.
O vice-presidente do Sindilojas de São Leopoldo Regis Feldmann acredita que o foco deve ser sempre no produto ofertado. ‘‘No Sindilojas trabalhamos com dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE) e do ICMS, que nos mostram um crescimento desde a metade do ano passado. Uma subida lenta mês a mês, porém firme. Não posso dar um dado - seja 5% ou outro - para todos. No caso do trigo, por exemplo, com essa ameaça de subida no preço, como vou dizer que o ano vai crescer para quem é do ramo? Cada empresário precisa fazer análise da sua área de trabalho, o seu mercado’’, afirma.
OBRAS - A extensão do trensurb até Novo Hamburgo e as obras na BR-116 tendem a trazer mais gente à região, o que pode melhorar a economia no Vale do Sinos. Entretanto, é preciso estar preparado para essa mudança ou a porta de entrada pode se tornar uma porta de saída. ‘‘Quando melhora o transporte, baixa o custo da ida e vinda. Facilita para chegar, mas também facilita para que pessoas daqui comprem em outros locais. Por isso, é preciso fortalecer os atrativos. É preciso ser competitivo. Ninguém virá para visitar ou comprar aqui se não tivermos para oferecer uma cidade limpa, segura e com bons produtos,’’, disse economista e professor da Feevale Luís Carlos Yllana Kopschina.
Comerciante investiu em cartões
Mais dinheiro rodando seria uma boa notícia para a pequena empresária Leonor da Silva, que dá os primeiros passos no mercado com uma loja de roupas masculinas e femininas, também no bairro Campina. ‘‘Abri em novembro e estou formando clientela. Por isso, não compro em grande quantidade para não criar dívidas.’’ Ela acredita que além do atendimento, o acesso a tecnologias é fundamental. ‘‘Já instalei máquinas para cartão porque hoje em dia todo mundo usa. É difícil andar com dinheiro na mão.’’
Atendimento faz a diferença
Para Rosana, o diferencial de uma empresa é o atendimento. ‘‘Se me pedem um capacete, mostro dez. Falo das cores que tenho, dos preços. Gosto de conversar com os clientes.’’ O gerente da loja Verner Loh acredita que o investimento em estoque é importante. ‘‘Se compramos mais, podemos vender mais barato e ganhar na quantidade. Sempre mantendo a qualidade’’ Ele acredita que manter a vitrine atraente também é importante.