São Leopoldo - Deve ser aberta em abril, mas sem prazo para avanço do processo, a licitação para as obras de reforma do prédio do antigo Fórum de São Leopoldo, desocupado há 794 dias - mais de dois anos -, desde que o novo Fórum do Município foi inaugurado, em 8 de janeiro de 2008. A estrutura, cedida à Brigada Militar, será a sede do 25.º Batalhão de Polícia Militar (BPM) tão logo o prédio esteja em condições de ocupação. Enquanto isso, o cenário no local é desolador: desde que foi desocupado, o prédio é alvo de invasões, vandalismo e furtos, além de servir de porta de entrada para invasões em escolas estaduais no entorno. Até uma morte já foi registrada no local.
De acordo com o tenente-coronel Nicomedes Barros Vieira Junior, titular do Comando Regional do Vale do Rio dos Sinos da Brigada Militar, a licitação para a reforma do prédio deve ser aberta pela Secretaria Estadual de Obras Públicas em abril. A Brigada Militar, porém, não sabe quanto tempo o processo levará para ser concluído, ou quando a reforma estará terminada.
"Tão logo haja condições de ocuparmos, mesmo que a reforma esteja parcialmente concluída, nós vamos mudar o 25.º BPM para lá" garante o comandante. "Isso é importante até porque estamos pagando aluguel no local onde estamos instalados hoje." A reportagem do Jornal VS tentou contato com a Secretaria Estadual de Obras Públicas, mas não obteve retorno. A Secretaria Estadual de Segurança comunicou, por meio da assessoria de imprensa, que o antigo prédio do Fórum é de responsabilidade exclusiva da Brigada Militar.
O secretário municipal de Comunicação Social de São Leopoldo, Ibanês Mariano, diz que a Prefeitura procurou interceder, por meio do envio de um projeto para a captação R$ 1,4 milhão junto ao Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), mas o governo do Estado teria dispensado o envolvimento do Município, criando um projeto próprio. "Negociamos esta questão com o Estado durante um ano", relata. "Não há retorno. É uma vergonha que a Brigada Militar esteja hoje abrigada no refeitório de uma empresa, pagando aluguel, enquanto aquele prédio fica parado."
PREJUÍZO - O abandono do edifício representa prejuízo e desperdício de dinheiro, além de risco para quem entra no local. Somente no ano passado, o Instituto Estadual de Educação Pedro Schneider - o Pedrinho - sofreu 21 arrombamentos por conta da facilidade que ladrões encontram em invadir a escola pelo prédio abandonado do Fórum. Os prejuízos, de acordo com a diretora Neusa Rocha Thiesen, chega a cerca de R$ 40 mil.
Em 2008, uma pessoa morreu no edifício abandonado ao eletrocutar-se furtando fios de luz. As presenças no prédio à noite, no entanto, são constantes, ainda que haja rondas da Brigada Militar. Depois disso, energia elétrica e abastecimento de água foram cortados, para evitar mais desperdícios.
Para escolas, abandono significa insegurança
As duas escolas existentes no entorno do antigo prédio do Fórum são as maiores prejudicadas com a demora do Estado em ocupar o prédio. Para o Instituto Estadual de Educação Pedro Schneider - o Pedrinho - e a Escola Técnica Estadual Frederico Guilherme Schmidt, o abandono do prédio significa insegurança para o patrimônio das escolas.
No Instituto Estadual de Educação Pedro Schneider, 2010 tem sido um ano melhor que 2009. Após as 21 invasões de 2009, a escola procura defender-se de novos arrombamentos e, este ano, ainda não registrou nenhum furto. Os bandidos, no entanto, seguem tentando, de acordo com a diretora Neusa Rocha Thiesen. "Agora temos guardas que o governo contratou emergencialmente. Mesmo assim, praticamente todas as noites tentam entrar na escola. No final de semana, o alarme toca, em média de dez a 15 vezes por dia", afirma Neusa, relatando que, no ano passado, o prejuízo com os furtos de comida, utensílios de cozinha, eletrodomésticos e outros equipamentos chegou a cerca de R$ 40 mil.
Na Escola Técnica Estadual Frederico Guilherme Schmidt, que fica ao lado do edifício, pelo menos três invasões já foram registradas, de acordo com a supervisora Rejane Baldissera. Segundo a supervisora, a direção obrigou-se a contratar um serviço de vigilância particular. "Não temos merenda para ser roubada, mas temos equipamentos." De acordo com Rejane, a escola chegou a solicitar ao Estado parte do terreno onde encontra-se o prédio do Fórum, mas não foi atendida.