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Publicado em 04/11/2014 - 14h56
Última atualização em 04/11/2014 - 14h57

Sensibilidade e ritmo que se aprendem na escola

Criado há dois anos projeto Camerata Osvaldo Aranha ensina música a crianças e jovens na Feitoria

Renata Strapazzon - renata.strapazzon@gruposinos.com.br

Foto: Foto: Tiago da Rosa/GES
São Leopoldo
- Das salas de aula da Escola Municipal Osvaldo Aranha, no bairro Feitoria, ecoam clássicos de bandas como Beatles, Pink Floyd e U2 embalados pela combinação doce e acústica da flauta e do violão. Os intérpretes, crianças entre 9 e 11 anos tocam como gente grande e emocionam pela dedicação e amor precoce despertado pela música por meio de um projeto encabeçado por um professor de Artes. Músico de formação e professor por obra do destino, Daniel Cassiano Ribeiro, 35, viu a oportunidade de unir as duas paixões quando começou a lecionar no Município em 2011. Morador de Porto Alegre, já nos primeiros dias em sala de aula leopoldense começou a incorporar a música no dia a dia dos alunos do 6º ano, trazendo instrumentos antigos que tinha em casa.
 
Aos poucos os estudantes foram tomando gosto pela novidade começando eles mesmos a procurarem seus próprios equipamentos. A adesão foi tamanha que, em 2012 o que era aula no currículo virou oficina extraclasse, por meio do projeto Camerata Osvaldo Aranha. “Conquistamos parcerias importantes que nos ajudaram a dar forma a este projeto doando instrumentos e camisetas. Com a Secretaria Municipal de Educação consegui a extensão de carga horária para que pudesse abranger mais turmas e implementar a oficina no contraturno escolar”, explica Daniel. Desde então, a abrangência do projeto foi crescendo, passando a atender alunos a partir do 3o ano em 2013 e também ex-alunos da escola este ano. Hoje, segundo Ribeiro, são 40 participantes, que ensaiam pelo menos duas vezes por semana. Para se manter nas aulas de música, conforme o professor, é fundamental assiduidade nos encontros, interesse e boas notas. “Não há uma cobrança, mas procuramos estimular os estudos e dar aquela puxada de orelha quando o rendimento cai”, diz.

Ensinamento além da música

Apesar de ser o elo entre o professor e os estudantes a música é apenas um dos ensinamentos passados na oficina. “O objetivo não é profissionalizá-los na música, ainda que observe que alguns tem uma musicalidade muito grande. Além do conhecimento e da troca de vivências musicais, trabalhamos a concentração, a responsabilidade, a formação de caráter e a sensibilidade com estes estudantes”, explica.

Repertório variado e apresentações em eventos

O repertório da Camerata, segundo o professor Daniel Cassiano Ribeiro, abrange diferentes nomes e estilos. “É bem eclético e vai de Vento Negro, do Fogaça a With or Without You do U2. Eles sempre trazem suas próprias referências e ensaiamos todo o possível. Nos arranjos trabalhamos diferentes níveis, para que todos participem e sejam incluídos no projeto”, conta Ribeiro. Segundo ele, nestes dois anos de iniciativa os alunos músicos já se apresentaram em festas, feiras e eventos na escola e fora dela. “Participamos da São Leopoldo Fest deste ano e também de eventos na Unisinos”, comenta.

Sonho de palco e parcerias

Diretora da Escola Osvaldo Aranha, Karine Ebert Rodrigues, garante que os resultados com o projeto são muitos. “Se não fosse o projeto talvez muitos deles não teriam esta oportunidade com a música. É gratificante a resposta dada principalmente pelos professores que notam a mudança de comportamento e concentração na sala de aula e também pelos pais, que motivam na participação e se orgulham com os filhos”. Segundo Karine, nos sonhos dos participantes estão a conquista de novos parceiros e a construção de um palco na escola.

Aprendizado e experiência

Aluna do 6o ano e desde o ano passado no projeto Larissa de Lima Weber, 11, diz pretender continuar nas aulas de flauta mesmo depois de mudar de escola. “Acho muito legal e aprendo bastante nas oficinas. Sempre ensaio em casa”, comenta. Há dois anos aprendendo violão, o aluno do 5o ano Vitor Machado Lopes de Lima, 11, entrou no projeto incentivado pelo tio e desde então não saiu mais. “Meu tio toca violão e que queria aprender a tocar como ele. Gosto muito e minha música preferida é Twist and shout dos Beatles”, diz.

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