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Grupo Sinos
Publicado em 08/11/2014 - 08h55
Última atualização em 08/11/2014 - 09h28

Criminosos roubaram mais de 300 veículos em cinco meses na região

Segundo a polícia, bandidos agiam com violência e chegaram a torturar vítimas

Fábio Radke e Fernanda Bassôa - fabio.radke@gruposinos.com.br; fernanda.bassoa@gruposinos.com.br

Foto: Rodrigo Rodrigues/GES
A Operação Predador, que ocorreu na manhã de sexta-feira, recebeu esse nome pela depreciação que os criminosos causam à sociedade. “Em cinco meses, 307 carros foram levados, o que movimenta uma soma de mais de R$ 3 milhões”, destaca o delegado Mário Souza.
 
A concentração dos mais de 300 policiais civis ocorreu às 5 horas, no Anfiteatro Padre Werner, no câmpus da Unisinos, em São Leopoldo. De lá, os agentes partiram para cumprir os mandados. A cúpula da Polícia Civil acompanhou de perto a operação. “A maioria das buscas estavam concentradas no Vale do Sinos. As investigações não contemplavam apenas aqueles que praticavam o assalto, mas também em quem recebe, repassa e até aqueles que adulteram”, destaca o chefe de Polícia, delegado Guilherme Wondracek. “A Polícia Civil está fazendo a sua parte tirando de circulação esses indivíduos que agem bem armados e, às vezes, até drogados”, acrescenta o diretor do Departamento de Polícia Metropolitana, delegado Antônio Vicente Vargas Nunes.
 
O diretor da 3ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, delegado Leonel Carivali, fez questão de frisar que entre as prisões de ontem houve uma em flagrante por tráfico de drogas. “O assalto a mão armada expõe a vítima em potencial, coloca ela em risco de vida, uma vez que a ação pode terminar com lesões graves e até mesmo a morte (latrocínio)”, aponta.

Balanço da operação

Cinquenta e três suspeitos, entre eles duas mulheres, todos ligados a roubos, furtos, receptação, extorsão e adulteração de veículos foram presos ontem na Operação Predadores, deflagrada pela Delegacia de Furto e Roubo de Veículos (DFRV). Desses, 21 já haviam sido capturados durante as investigações, que duraram cerca de cinco meses. Foram cumpridos 73 mandados de prisão, 55 de busca e apreensão em pelo menos 14 cidades, entre elas, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Portão, Sapucaia do Sul, Dois Irmãos, Estância Velha, Esteio e Montenegro. Conforme o delegado Mário Souza, que coordenou a ação, em um dos casos houve o sequestro de uma vítima, que chegou a ser torturada com choque elétrico.
 
“A ação foi focada nos ladrões de veículos que atuam nas ruas à mão armada. Esses criminosos fazem parte de 19 diferentes grupos, que se subdividiam em diferentes núcleos que atuavam independentemente dos outros. Contudo faziam parte de uma mesma rede”, acrescenta Souza. Foram apreendidos cinco carros e uma motocicleta, além de um revólver calibre 38, um radiocomunicador usado na frequência das polícias, dólares e 8 mil reais em dinheiro.

Conduta violenta

O delegado Souza explica que a área de atuação dos suspeitos era bastante abrangente, chegando a pelo menos 17 municípios da região do Vale dos Sinos, Vale do Caí, interior do Estado e Litoral. Durante as investigações e monitoramento, o delegado disse que foi possível traçar o perfil dos suspeitos que, na maioria, têm antecedentes criminais. “Eles têm uma conduta bastante violenta e encontram-se na faixa etária de 20 a 30 anos. Atuavam, geralmente, às noites e madrugadas, mas constatamos ataques durante o dia. Um cemitério clandestino de veículos roubados e furtados foi descoberto no Morro do Paula, em São Leopoldo. Ali, eram abandonados e destruídos carros em que, durante a ação criminosa, alguma coisa deu errado. Lá, carros foram queimados e, alguns, foram jogados de penhascos que chegavam a seis metros.”

Em cinco meses, 22 veículos foram recuperados pelos agentes da DRFV, que funciona no bairro Scharlau, em São Leopoldo, e é responsável pela investigação desses crimes no Vale do Sinos. Alguns já estavam clonados e com sinais de identificação adulterados.“Em um dos
casos, um automóvel clonado servia de viatura para uma empresa de segurança.”

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