Jornais
FECHAR
  • Jornal NH
  • Diário de Canoas
  • Jornal de Gramado
  • Diário de Cachoeirinha
  • Correio de Gravataí
Grupo Sinos
Publicado em 19/09/2014 - 11h43
Última atualização em 19/09/2014 - 11h50

Jornal direcionado aos colonos queria divulgar ideais farroupilhas

O Colono Alemão foi publicado em português, mas era voltado aos imigrantes, o que dificultou seu entendimento

Tânia Goulart - variedadesnh@gruposinos.com.br

Foto: Reprodução/ Acervo do museu Hipólito da Costa
Os farroupilhas também buscaram a ajuda da imprensa para divulgar seus ideais. Desde o início da revolução, em 1835, surgiram vários jornais que divulgavam as façanhas dos revolucionários e buscavam adesão do povo. Um deles surgiu em plena Colônia de São Leopoldo. Em 3 de fevereiro de 1836 nasceu O Colono Alemão, que era para ter sido um aliado dos farroupilhas junto aos alemães, o que não aconteceu por um pequeno e importante detalhe: era impresso em português e os moradores da colônia, quase em sua totalidade, só falavam em alemão. O jornal de vida curta tinha como responsável direto o farrapo alemão Hans Ferdinand Albrecht Hermann Von Salisch.

O Colono Alemão foi criado por Salisch para conquistar adesões à causa farroupilha. Ele próprio dirigiu, redigiu e editou a publicação, que começou a circular em dia 3 de fevereiro de 1836, em Porto Alegre, com marcante editorial (reproduzido ao lado), e que exaltava o 21 de janeiro, data em que ele, falando em alemão, conseguiu “tirar”, dos imperiais mais de 500 colonos que tinham arregimentado.
 
Apesar de ter apenas 8 edições, tendo circulado de três de fevereiro a 17 de março de 1836, o jornal bissemanal formato 18x25, integrou-se ao espírito revolucionário de 35, sendo uma das contribuições mais sérias do movimento republicano. Uma curiosidade explica porque O Colono Alemão durou tão pouco. Por falta de tipos góticos e de tipógrafo capacitado para os manejar, Salisch o editou em português. Como o público alvo eram os alemães e estes, em sua quase totalidade só falavam o alemão, o objetivo foi duramente prejudicado. “Salisch sabia argumentar. Se o seu jornal tivesse saído em alemão, provavelmente teria pesado mais ainda na situação da colônia”, avalia o historiador Germano Moehlecke, que reproduz em seu livro Os imigrantes alemães e a Revolução Farroupilha três edições publicadas.
 
Já a historiadora Hilda Flores salienta que “ao mesmo tempo que fazia chamamentos cívicos aos colonos, Salisch dirigia ataques violentos a seu ex-amigo Hillebrand. O Colono Alemão foi, pois, além de veículo de propaganda farroupilha, um instrumento de autopromoção à base do ataque virulento ao rival”. A 18 de março O Mensageiro, editado na mesma tipografia, informava que O Colono Alemão deixava de circular por insuficiência de assinantes.
 
Reprodução de trechos da primeira edição
 
“Esta folha é filha do 21 de janeiro, dia para sempre memorável nos fastos de São Leopoldo, dia que chamou irrevogavelmente para o lado do partido liberal da província todo o colono honesto e animado por sentimentos patrióticos, dia enfim que afastou do pacífico solo de São Leopoldo a intriga e a perversidade, que ocultamente cavava o abismo em que se ia precipitar a população numerosa dos alemães hospedados nesta província... O Colono Alemão pretende narrar em primeiro lugar os acontecimentos desse dia glorioso, e se ocupará em seus números seguintes à expor com franqueza as intrigas que se estavam tecendo desde muito tempo, a fim de indispor os brasileiros liberais contra os alemães; a traçar um pequeno esboço da formação do progressos da colônia... e a lançar um golpe de vista sobre a conduta tanto do Governo Central e Provincial, como dos partidos para com a população alemã desta província. Além disso, O Colono Alemão tomará o seu posto entre os defensores do 20 de setembro, acompanhará sua marcha e seus perigos...”
 
O Povo
Outro jornal que circulou durante a Revolução Farroupilha e também divulgou os ideais republicanos foi O Povo, que era considerado o veículo oficial da República Riograndense e tinha como redator o italiano Luigi Rossetti. Ele circulou entre 1º de setembro de 1838 e 23 de maio de 1840. Sua tipografia chegou a funcionar em Piratini e Caçapava, quando lá se encontravam as capitais farroupilhas, e foi destruída por um incêndio em 1840.

Publicidade