Jornais
FECHAR
  • Jornal NH
  • Diário de Canoas
  • Jornal de Gramado
  • Diário de Cachoeirinha
  • Correio de Gravataí
Grupo Sinos
Publicado em 28/10/2015 - 08h49
Última atualização em 28/10/2015 - 08h58

São Leopoldo tem o segundo maior número de infrações de trânsito do RS

Município já registra 74.184 emissões em 2015 e perde apenas para Porto Alegre

Matheus Beck e Karina Sgarbi

Foto: Arquivo/GES
São Leopoldo – Em outubro de 2014, novos controladores de velocidade foram instalados em São Leopoldo. Desde então, os cuidados com os ponteiros dos veículos, em cada trecho da cidade, tiveram de ser redobrados pelos condutores. Devido a isso, de acordo com a Secretaria de Segurança e Defesa Comunitária, a incidência de acidentes com lesões ou vítimas foi diminuída consideravelmente no Município. Em contrapartida, segundo o Detran, a cidade elevou o número de infrações registradas, com 74.184 multas emitidas de janeiro a setembro.
 
Em todo o ano de 2014, foram 40.621 infrações, fator quase duplicado três meses antes do término deste ano. No Rio Grande do Sul, São Leopoldo perde apenas para Porto Alegre, que registrou 298.396 no mesmo período, em 2015. No ano passado, a Capital gaúcha teve números superiores, com quase 500 mil infrações de janeiro a dezembro. No que se refere a acidentes com vítimas fatais, no entanto, o Estado apresentou uma queda. Segundo o Detran, até setembro desse ano, foram 1.334 mortes. No decorrer de todo o ano passado, foram 2.024 vítimas nas estradas gaúchas, dados que apontam a diminuição de 12,8%.

0,20% dos veículos que passam pelos controladores são multados 

O secretário de Segurança e Defesa Comunitária, Jefferson Oliveira Soares, afirma que relatórios estão sendo fechados, já que, os controladores de velocidade em São Leopoldo completam um ano nesse mês. “Ao todo são 44 unidades que foram implantadas gradativamente. Devido a testes de aferição, o funcionamento teve de ser adiado por algum tempo, mas, nesse período, já verificamos uma redução no número de acidentes com lesões corporais e danos materiais”.
 
Um cálculo realizado pela secretaria aponta que apenas 0,20% de todos os veículos que passam pelos controladores são multados. “Dividimos o número de autuações por equipamento para realizarmos a média. Temos um grande fluxo e isso demonstra que a sinalização está adequada e o nosso condutor adaptado a ela, com um maior respeito aos locais que necessitam de velocidade reduzida”, reitera. O secretário de Segurança também salientou que, devido a alguns problemas na BR-116, diversas avenidas da cidade são utilizadas por condutores de outros municípios, que passam pela cidade por intermédio de vias internas e, por vezes, não conhecem os locais onde estão localizados os controladores. “As infrações na cidade não significam que apenas leopoldenses estão sendo multados. É caminho para muitas pessoas que buscam acesso a Novo Hamburgo ou Sapucaia do Sul”, exemplificou.

Trânsito mais seguro

Mais multas e menos vítimas são consequências de uma fiscalização mais intensa que contribuem para um trânsito mais seguro. Para o doutor em Transportes pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), João Fortini Albano, a interpretação dos dados, embora apenas em caráter hipotético, é simples de ser feita. “Observamos a ação mais efetiva da fiscalização, tanto que o número de multas está maior, e os que foram punidos certamente ficam vacinados. É um efeito dominó, um fala para o outro. Quando se toma conhecimento da expansão da fiscalização, todos passam a tomar mais cuidado”, comenta.

Em contraste com 1998, ano em que foi instituído o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o número de multas aplicadas nos três primeiros trimestres saltou de 444.157, para 2.469.831 em 2015. O aumento de tecnologias e intensificação de ações de fiscalização contribuíram para este incremento no registro de infrações. “Estamos muito contentes com o resultado que é um esforço dos anos, com aprimoramento de ações estabelecidas. Os números mostram que há maior abordagem e autuações e esta é uma forma de disciplinar o condutor. A multa é o que acaba conscientizando”, afirma o diretor institucional do Detran, Rossano Dotto Gonçalves.

Fiscalização efetiva

Na visão do diretor institucional do Detran, Rossano Dotto Gonçalves, o bom resultado da redução de óbitos no trânsito é fruto de um esforço conjunto entre o departamento, órgãos e forças policiais. “Temos programas como o Balada Segura e Viagem Segura que buscam não apenas a fiscalização, mas também a conscientização desde antes de se pegar a estrada”, comenta.

Ele também destaca que a presença mais efetiva do policial patrulheiro junto às rodovias, não deixando o controle somente pelos pardais fixos, contribui para a aplicação de multas aos apressadinhos. “De 1998 para cá, a frota aumentou de 4 milhões de veículos para 6 milhões, um crescimento de 52%. E é muito positivo ver que os acidentes e vítimas fatais estão diminuindo. Isso mostra que estão valendo a pena todas as ações empreendidas”, destaca.

Que tal falir a suposta “indústria das multas”?

Uma das reclamações mais recorrentes quando se fala em multas de trânsito é a justificativa de que existe uma suposta “indústria da multa”, voltada apenas para a arrecadação de dinheiro. Com relação a esta afirmação sem qualquer fundamento, o doutor em Transportes João Fortini Albano é enfático. “As pessoas podem se organizar para quebrar a indústria da multa. É só não cometer infrações”, destaca.

Além disso, ele ressalta o potencial de conscientização trazido pelo custo de uma irregularidade cometida. “Acho que falta conscientização dos motoristas, que a fiscalização pode aumentar e também as multas podem ter um valor maior. Quanto mais alto o preço, menor será o número de acidentes. Infelizmente, a dor no bolso é a que mais pesa”, explica.

Publicidade