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Notícias | Região Alternativa para gastar menos

Cresce a procura por conserto de eletrodomésticos, calçados e roupas

Demanda pelos serviços tem aumentado, de acordo com quem trabalha consertando

Por Adriana Tauchert
Última atualização: 07.09.2016 às 20:49
Diego da Rosa/GES
Eletrodomésticos: crise impulsionou a procura por consertos, avalia empresário do ramo que tem oficina em São Leopoldo
São Leopoldo - Nem sempre é preciso se desfazer daquilo que estragou. Às vezes, vale a pena recorrer ao conserto e prolongar a vida daquele velho aparelho ou eletrodoméstico que deixou de funcionar. Mesmo os reparos de calçados e as reformas de roupas tiveram um aumento nos últimos meses e a prática parece ter caído no gosto popular. Reaproveitar aquilo que já se tem em casa também é uma forma de contribuir com a sustentabilidade e a oferta é extensa. Conserta-se de tudo. Basta procurar o serviço desejado. Na contramão da crise, o proprietário de um estabelecimento com mais de cinco décadas de atuação no ramo do conserto de eletrodomésticos, João Batista Moraes, 51 anos, diz que há seis meses a loja contava com 23 funcionários. Hoje já são 27 para dar conta de todos os reparos que são feitos no local: em média 2 mil aparelhos por mês, contando aqueles que estão no tempo de garantia. “Acredito que a crise tenha impulsionado esta procura pelos consertos e nós, para darmos conta da demanda, estamos empregando mais. Sai mais barato consertar do que comprar um produto novo”, destaca Moraes, justificando a loja lotada de clientes e a oficina abarrotada de eletrodomésticos. Segundo ele, nos últimos meses, o serviço teve um crescimento na ordem de 20%.
 Dos eletrodomésticos que são levados ao local, conforme o proprietário, 80% acaba sendo consertado após o orçamento, o restante acaba achando que não vale a pena. E o pagamento também pode ser parcelado. “Dependendo do valor, estamos parcelando em até quatro vezes.”
 Moraes diz que produto de qualidade sempre vale a pena consertar e o valor pode variar muito. “Para um secador de cabelo, por exemplo, o custo de um motor pode variar entre R$ 10,00 e R$ 90,00 dependendo do modelo”, informa, destacando que a partir disso é feito o orçamento. O tempo para o reparo também depende da peça a ser usada. “Se tivermos no estoque é rápido, mas se tiver que vir de São Paulo pode levar de 10 a 15 dias”, afirma. “A maior parte, 90% das peças, vem de São Paulo.”
Sapatos renovados
Se ainda não deu para comprar aquela bota ou sapato novo, por R$ 25,00 é possível dar uma renovada no calçado. “O que mais fazemos é a troca da meia-sola e taco”, explica o proprietário de um loja especializada, Fábio Simplício, 32 anos. Segundo ele, a procura pelos consertos teve, entre final de março e início de setembro, um aumento de 20% em relação aos primeiros meses do ano. “A procura cresceu bastante mas, em função da crise, reduzimos na mesma proporção o valor cobrado pelo serviço”, destaca Fábio, que há 12 anos trabalha neste ofício e antes já trabalhava na confecção de calçados em casa. “Em média faço 60 consertos por dia, entre calçados e costuras de bolsas. Agora, com a chegada da Semana Farroupilha, estão chegando muitas botas. Num só dia consertei dez botas.” Nesta semana Anita Medeiros, 84 anos, levou três sapatos para o conserto. “Quero usar para dançar, sou tradicionalista e nos próximos dias vou precisar. Quero mandar trocar o solado que é de borracha e este para dançar não é o mais apropriado”, observa a aposentada.
Costureiras em alta
Ivonir Motta dos Santos, 58 anos, Verena de Fraga Lima, 68, e Antonia Muniz dos Santos, 79, não desgrudam da linha e da agulha. Trabalham de segunda a sábado para atender toda a clientela que solicita os serviços das costureiras. “Fazemos todos os tipos de reformas e também roupas novas. A procura pelas reformas aumentou cerca de 30% nos últimos meses”, destaca Ivonir, ressaltando que até mesmo no sábado o trabalho ocorre até o final do dia. “Descansamos pouco. Para o almoço nos revezamos para não parar de atender. Outro dia estava fechando a loja no sábado, às 18 horas, e chegou uma cliente pedindo para arrumar uma peça, pois queria viajar. Não há como negar. Então acabei ficando duas horas a mais.” E a loja está sempre movimentada. Salete de Souza, 62 anos, procurou pelo serviço das costureiras no Centro da cidade pela primeira vez nesta semana e saiu satisfeita. Ela já se adiantou para a nova estação. “Comprei tecido para que fizessem um vestido. “Fica mais em conta do que comprar pronto.” Segundo Ivonir, há bom número de pedidos para confecção de peças novas, mas o reparo nas peças é a maior demanda do momento. “Muitos estão preferindo reformar o que já têm.” Verena, que costura desde os 13 anos, destaca outra situação. “Há clientes que gostam de uma peça em uma loja mas, às vezes, não serve, e então trazem para que a gente deixe do tamanho certo. A gente faz maior ou menor.” Ivonir explica que, em média, os reparos de cada peça custam R$ 12,00. Enquanto Ivonir e Verena fazem o trabalho na máquina de costura, Antonia prepara as peças, abrindo as costuras ou pregando botões, ficando mais com a tarefa manual e caprichando em cada peça.
Eles levam
para o reparo
 O secretário de escola Gilberto Rhoden, 51 anos, costuma levar itens para consertar, mas diz que nem sempre esta é a melhor opção. “Eu sempre peço um orçamento e a partir dele avalio se vale a pena ou não”, ensina. Recentemente levou uma furadeira para ser consertada. “Neste caso foi bom negócio”, diz. O motorista Carlos Silva, 40 anos, também economizou. Comprou uma ampola para uma garrafa térmica, ao invés de comprar uma nova. “Vou pagar R$ 10,00 para a troca. Se fosse comprar uma garrafa nova, gastaria uns R$ 70,00”, compara. A cafeteira da pastora Rose Guiné, 52 anos, também foi para o conserto. “Vou gastar cerca de R$ 15,00 porque é só o caninho da água que está estragado. Se fosse comprar uma nova, acho que sairia mais de R$ 100,00.”
Controle
 Assim que o material para o reparo dá entrada na loja, recebe uma etiqueta. “É preciso um grande controle para que não ocorram trocas”, ressalta Moraes, já que nas prateleiras da oficina há muitos produtos semelhantes e até iguais. Entre os itens que mais são levados pelos clientes para o conserto estão micro-ondas, ferro de passar roupa, liquidificador, centrífuga de roupas, secador de cabelo e chapinhas. “Os problemas para o não funcionamento são variados. Recebemos muitos itens com fio quebrado, devido ao manuseio, como é o caso do ferro elétrico. “Colocamos um rabicho novo e o problema está resolvido. Itens com resistência queimada também são bem comuns.”
CURSO
Cae Souza da Silva, 26 anos, já trabalha há quatro anos no local, consertando os mais diferentes tipos de eletrodomésticos. “Fiz um curso de elétrica e, agora estou cursando mecatrônica no Senai Cetemp. É a área que eu gosto.”
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