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Mais de 200 nas ruas

Mudança de vida esbarra em oportunidades, apesar da rede de assistência

Serviços do Município prestam a apoio à população de rua, que pela crescente estão cada vez mais visada na segurança pública
16/04/2018 14:26 16/04/2018 14:28

Susana Leite/GES-Especial
Moradores de rua passam pelas revistas sistemáticas da polícia
Quando a rua se torna uma referência na vida de alguém torna-se mais difícil o recomeço. Aos 31 anos, Fabiano (que prefere não dizer o sobrenome) comemora que conseguiu um “bico”, ele vai trabalhar no serviço de montagem de um palco. “É uma dona que sempre dá oportunidade para gente”, afirma. O trabalho vai durar um ou dois dias no máximo. Mas emprego de carteira assinada, que daria a chance de recomeçar a vida e ter um endereço fixo, parece inatingível. “A gente até consegue os encaminhamentos, mas quando veem que nossa referência de endereço é o albergue o Centro Pop, não nos querem”, diz Fabiano.
Para pessoas que têm um histórico marcado pela ruptura familiar, uso de drogas e até crimes, conquistar a confiança do empregador é um grande desafio. A secretária de Desenvolvimento Social, Ângela Machado considera que para romper esse tipo de obstáculo não basta apenas um setor prestar assistência aos moradores em situação de rua. “Tem de ser um trabalho intersetorial, não basta ficar apenas na assistência se não houver continuidade na outra ponta do sistema”. Esta é a mesma percepção que o coordenador do Movimento da População em Situação de Rua, Anderson Vieira Ribeiro, o Bacana, tem da situação que ele conhece. “Não adianta fazer as oficinas, se desintoxicar se quando chegamos para conseguir um emprego não nos querem porque somos moradores de rua”.


A população de pessoas em situação de rua é considerado crescente em São Leopoldo. O Centro de Referência Especializado em População em Situação de Rua, o Centro Pop, atende por mês 160 pessoas, deste total, 85 não são de São Leopoldo. As pessoas vêm de outros municípios, estados e até de países como Uruguai, Argentina e Chile, segundo os dados da Prefeitura de São Leopoldo. Mas a quantidade de pessoas em situação de rua pode ser maior, conforme o coordenador do Movimento da População em Situação de Rua, o número pode passar de 200. “Temos contabilizado 186 pessoas em situação de rua em São Leopoldo, mas como cada vez mais vêm pessoas de outros municípios, temos em torno de 286 pessoas”, contabiliza Bacana.

Mais pessoas, mais problemas

O aumento do contingente nas ruas acentua o problema na cidade. As praças e marquises se tornam dormitórios quando não há mais espaço no albergue. Na região, São Leopoldo é uma das poucas cidades que ainda mantém um serviço que permite que pessoas possam pernoitar. Mas o sistema exige rotatividade. “Cada pessoa pode ficar 30 dias dormindo no albergue, são 30 dias limpos, sem drogas que significam muito, uma noite de volta à rua significa recaída”, lamenta-se Bacana.
A titular da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), Ângela Machado, explica que os 30 dias de permanência valem para as pessoas que vêm de fora de São Leopoldo. Além disso, o serviço oferecido no Albergue Bom Pastor está prestes a mudar. Ângela diz que há um projeto em andamento para transformar o local em uma casa de passagem para moradores em situação de rua. Dessa forma, o atendimento deixaria de ser apenas um dormitório, e passaria a fazer uma integração maior com o atendimento do Centro Pop. Há inclusive exemplos de pessoas da rua que, através da assistência, conseguem voltar a estudar e utilizam o albergue como dormitório todas as noites.

Resistência na praça

A Praça do Imigrante, localizada entre a Estação Rodoviária e a Câmara de Vereadores, se tornou um local de resistência dos moradores em situação de rua em São Leopoldo. Ao mesmo tempo, o local passou a ser mais visado pela segurança pública. “Nós escolhemos este ponto para passar o dia até o horário de ir para o albergue, aqueles que não conseguem vaga para dormir passam a noite aqui também”, afirma Bacana. Um morador em situação de rua, que prefere não ser identificado, relata que a permanência deles é bastante visada pela Guarda Civil Municipal e pela Brigada Militar. “Eles fazem abordagem durante o dia e à noite, dizem que não podemos ficar aqui”, relata.
Embora compreenda a atuação da segurança pública, o coordenador do o Movimento da População em Situação de Rua considera que a situação deva ser atendida pelo Município. “Queremos que o Município nos ouça, que abra um diálogo conosco, precisamos de oportunidade para poder deixar as ruas, porque o tempo todo somos tratados como criminosos”, desabafa Bacana.

Rondas

O patrulhamento de rotina da Brigada Militar inclui a praça onde os moradores de rua permanecem em maior quantidade. A revista às pessoas é rotineira. Na tarde da última quarta-feira, dois soldados da Brigada Militar faziam o patrulhamento e abordaram o grupo de pessoas que estava na praça. Eles foram identificados e foi conferida a situação de cada um. “Fazemos essas abordagens para identificar e conferir a situação, pois é possível que haja alguém com um mandado, por exemplo, então fazemos o encaminhamento”, explica o soldado Jean Silveira Santos.

Avanços apesar da alta demanda

No Centro Pop, os usuários recebem atendimento psicossocial, que trabalha no sentido de restabelecer vínculos familiares, por exemplo, e prestar apoio como fornecimento refeições, banho e doação de roupas. Mas o serviço vai além. A coordenadora do Centro, Caroline Timm, explica que são feitas buscas em locais onde se concentram a maior parte dessas pessoas para prestar o atendimento. O sistema começa a agir a partir da demanda de cada pessoa.
Conforme explica a diretora de Proteção Social de São Leopoldo, Fabiane Luz, cabe à pessoa decidir que rumo quer dar para si. “É um processo bem demorado, que não pode ser meramente a retirada da pessoa da rua, porque a situação de cada um é bastante complexa”. Existem casos como de pessoas que ainda em situação de rua voltaram a frequentar a escola, há aqueles que a partir do atendimento da rede se preparam para procurar emprego, mesmo passando as noites no albergue.
Para todo avanço, surgem novas dificuldades. Em 2017, um levantamento feito apenas entre as pessoas que viviam alojadas sob a linha do trem, no perímetro de São Leopoldo, contabilizou 13 indivíduos, sendo que dessas, cinco saíram da rua. O levantamento deste ano já soma 21 pessoas em situação de rua vivendo ao longo da elevada. “Percebemos que existe uma rotatividade de pessoas de fora da cidade que se alojam aqui”, salienta Caroline Timm.

Albergue Bom Pastor

O Albergue Bom Pastor é um dos locais que fazem parte da rede que atende moradores em situação de rua. O serviço funciona de forma complementar ao Centro Pop, mas não obriga nenhum usuário a participar dos dois serviços. Conforme a coordenadora do Albergue, Loreni de Góes, os horários de entrada para pernoite podem ser flexibilizados caso o usuário esteja estudando à noite. “Nosso serviço também proporciona ações de cidadania para que essas pessoas se sintam parte sociedade”, comenta Lori, ao citar um dos passeios dos albergados na última semana. “Reunimos 28 albergados e fomos ao cinema. Quando o ônibus parou em frente ao shopping, outros moradores de rua chegaram a pensar que fosse um sopão, mas ao descobrirem que era para ir ao cinema, quiseram ir também”, lembra.


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