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Gilson Luis da Cunha

O épico de uma geração

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 06052018)
06/05/2018 07:30

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

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E a espera finalmente acabou. Uma década depois de seu início e 18 filmes depois, o Universo Cinematográfico Marvel chega a seu clímax com o lançamento de Vingadores: Guerra Infinita, em cartaz nos cinemas. Fruto de um trabalho contínuo, que foi construindo lentamente toda uma teia de ligações entre personagens e tramas, usando para isso, quase sempre, o recurso da cena pós-créditos, sua marca registrada, a Marvel conseguiu o que parecia impossível: adaptar boa parte de seu universo de HQs para a telona, sem sacrificar o essencial de seus personagens.

Claro, transposições literais são impossíveis. Não há como levar para o cinema todos os arcos e todos os momentos da vida de dezenas de personagens. Em muitos casos, o que vimos foi um resumo dos principais momentos da saga do Homem de Ferro, do Capitão América, e de Thor, entre outros. Guerra Infinita, filme que encerra a fase 3 da Marvel nos cinemas é um tour de force, por vários motivos.

Primeiro, por conseguir levar à telona uma história que levou uma década para ser contada, num esforço de "filmar o infilmável" comparável ao de Peter Jackson na trilogia Senhor dos Anéis. Nunca na história do cinema uma trama conseguiu manter tamanha coesão e densidade, passando pela visão de tantos diretores, roteiristas e equipes técnicas diferentes. Não é exagero dizer que o que assistimos foram os instantes finais da mais ambiciosa trama jamais filmada.

Joe e Anthony Russo conseguem não apenas manter o nível de Capitão América: Guerra Civil, mas ir além, ao narrar um apocalipse de proporções cósmicas, a busca de Thanos (Josh Brolin) pelas pedras do infinito, que lhe darão poder para aniquilar metade do universo. O filme passa sem que sintamos suas duas horas e quarenta minutos, um feito difícil de ser batido, se considerarmos que até grandes épicos como A Sociedade do Anel têm lá suas barrigas narrativas e momentos mais lerdos.

Segundo, o nível de drama e suspense desse filme é o mais angustiante que eu já vi num filme de super-heróis. Guerra Infinita consegue mesclar aventura, suspense, drama e o típico humor do Marvel Studios, de um modo que cada uma dessas emoções tenha a intensidade certa, na hora certa. Mas, pela própria natureza do filme, é o suspense que se sobressai. Não é um filme recomendado para quem sofre de ansiedade. "Que exagero", dirão alguns. Bem, cada um sabe de si.

Posso dizer que saí do cinema tremendo. Não apenas pela ação. Não apenas pelo final. Saí eufórico com a certeza de ter testemunhado algo que julguei que nunca mais testemunharia: um acontecimento comparável apenas à lendária temporada de 1982-1983, a temporada que nos deu Tron, Blade Runner, Jornada Nas Estrelas II: A Ira de Khan, O Enigma de Outro Mundo, ET, O Retorno de Jedi, entre outros.

O Batman, de Tim Burton, em 1989, foi um grande evento de mídia. Foi legal finalmente podermos ver o Cavaleiro das Trevas como o vigilante de Gotham e não como o "Bátima" da TV. Mas nem se compara à emoção de ver o triunfo de um projeto que começou com aquela fala de Samuel Jackson ao final de Homem de Ferro (2008), e terminou por criar todo um universo.

Terceiro, os números não mentem. Guerra Infinita conquistou, em uma semana, a bilheteria que Liga da Justiça levou quatro meses para arrecadar. Se continuar nesse ritmo, em breve estará entre as maiores bilheterias de todos os tempos.

O filme tem falhas? Claro que tem. Há quem diga que este ou aquele personagem não teve tempo nem fala o bastante em cena. Gente, é um épico de Guerra. Uma Guerra Cósmica, mas ainda uma guerra. Filmes como O Mais Longo Dos Dias, mostram dezenas de astros em participações de poucos minutos. Tente encontrar Sean Connery. Ele é um soldado raso. Você verá que o lendário 007 tem uma parte bem humilde, mas não menos legal que a do general de John Wayne. Cada um fazendo a sua parte. E o conjunto se sobressai.

Assim foi com o épico da Segunda Guerra, assim é com Guerra Infinita. Claro, ao contrário do Dia D, o filme termina de um modo bem diferente, sem a resolução dos eventos que o iniciaram e sem o alívio de um final fácil. Mas sua carga dramática é, de longe, a maior que já vi num filme de super-heróis. Guerra Infinita é um marco. Pena que muita gente não entenderá isso.

Na sessão que eu assisti, um grupo de adolescentes começou a reclamar: "Que saco! Eu vi um filme sem final" ou "E que jeito de terminar! E agora? Vou ter que esperar um ano para ver o final?". Na mesma hora eu pensei no modo como me senti ao final de O Império Contra-Ataca e Jornada nas Estrelas II, A Ira de Khan. Dois filmes dramáticos, com finais esmagadores, daqueles que fazem a gente sair do cinema aos pedaços. Pior. A gurizada que reclamou na sessão terá que esperar só um ano. Tive que esperar dois anos por À Procura de Spock e três por O Retorno de Jedi.

Ah, gurizada. Se vocês soubessem que tinham acabado de ver O Império Contra-Ataca e A Ira de Khan da geração de vocês, os dois num mesmo filme... que época maravilhosa para ser nerd/geek! Em tempo, se você é fã das HQs, não esqueça de ficar até a cena pós-créditos. Ela mostra que o jogo agora passou para outro nível. Agora, gente boa, o bicho vai pegar. Vida Longa e Próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


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