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Gilson Luis da Cunha

Os fundadores

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 13052018)
13/05/2018 07:30

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

www.wattpad.com/search/Gilson%20Luis%20da%20cunha


Old School Rocks! Não. A crônica de hoje nada tem a ver com a raça de transmorfos criadora da coalizão de mundos do Quadrante Gama vista em Jornada nas Estrelas, Deep Space Nine. Eu me refiro aos possíveis ancestrais intelectuais do assim chamado movimento nerd, ou geek, como preferem alguns. Afinal, como eu sempre digo nesta época do ano, maio é o mês das noivas, mas também é o mês dos nerds, geeks e, por extensão, dos otakus (sei que em japonês não há plural, mas vamos aportuguesar essa palavra, tudo bem?), cosplayers, leitores de HQs gamers, e fãs de Douglas Adams, o genial criador de O Guia do Mochileiro das Galáxias, que é celebrado no dia 25 de maio, o popular Dia da Toalha, ainda que fãs mais devotos do autor inglês não gostem de ter essa data lançada no mesmo balaio que o assim chamado Dia do Orgulho Nerd, que por puro acaso (ou não) também marca o aniversário da estreia de Guerra nas Estrelas, atualmente conhecido como Star Wars, episódio 4- Uma Nova Esperança, nos cinemas americanos.

Gente como Robert J Sawyer, autor de Flashfoward, é radical: nerds são daquela turma que jamais conseguirá uma namorada (o), já passaram dos trinta, e não têm qualquer traquejo social. Geeks, segundo ele, seriam a galera “cool”, os legais, descolados, estilosos, capazes de falar sobre quase qualquer assunto, com quase qualquer um, descrição que, não raro engloba os hipsters, provavelmente devido ao fato de Doctor Who, e dos cosplayers que o encarnam, serem capazes das mesmas proezas fashionistas que eles ao se utilizarem de itens de brechó.

Ryan Britt, autor de Luke Skywalker Não Sabe Ler, apóia esta teoria. Segundo ele, caras com grande perspicácia e autoconfiança, tipos tão diferentes quanto Drácula e Sherlock Holmes, seriam alguns ancestrais de nosso clã. O segredo estava na cara de pau e na olímpica indiferença à opinião alheia, vitais para se usar capa, cartola ou boné de caçador xadrez. E isso não é, de modo algum, uma ironia (preciso explicar. Vá que alguém se sinta ofendido). Sério.

Qualquer aficionado de documentários de ciência e tecnologia com mais de 40 anos sabe que Carl Sagan e seu indefectível blazer de veludo com cotoveleiras de couro dão de 10 a zero nos ternos e roupas casuais usadas por Neil DeGrasse Tyson na nova versão de Cosmos. Nada pessoal, Neil. Que diabo. Eu mesmo sempre quis ter um blazer daqueles. Comprei um, infelizmente, sem as cotoveleiras (alguém me disse que saíram de moda. Blasfêmia!). O raio é que aquilo é quente pra burro e nossos últimos invernos não têm me dado a oportunidade de usá-lo com a frequência que eu gostaria.

Bom, voltando ao que interessa, não me importo com rótulos. Nerd, já foi um termo extremamente ofensivo e discriminador. Geek já foi um termo restrito aos aficionados de tecnologia, principalmente de informática e áreas correlatas. E então, há uns dez, talvez quinze anos, a coisa começou a mudar. As realizações da cultura pop começaram a deixar de ser "marginais" e passaram a ser "mainstream". Para cada autor de "alta literatura", daqueles que vendem três exemplares por ano (dois são para críticos literários), há dúzias de autores de fantasia medieval, space opera, horror gótico, suspense e tramas policiais, apenas para citar alguns gêneros. São caras como King e Tolkien que mantêm as editoras funcionando o bastante para que elas possam fazer mais uma edição de, digamos, O Homem Sem Qualidades, de Robert Musil.

Do mesmo modo, para que o grande cineasta possa mandar seu drama intimista de três horas e meia, sobre um cara que mora no porão de um bar de boliche e só tem duas linhas de diálogo, ao Festival de Cannes, o estúdio precisa daqueles filmes de ação ou comédias românticas que permitem sua viabilidade. Não foi uma mudança de mentalidade, de ver o entretenimento como algo bom. Foi mercadológico.

Aqueles caras que não tinham vergonha de dizer que liam HQs, viam filmes de ficção científica e afins, eles nunca deixaram de fazer o que gostavam por "pressão de grupo". Como resultado, muita gente que não curtia essas coisas, começou a prestar atenção nelas. E a gostar. Assim surgiu o que muitos chamam de bazingueiro, o nerd-novo, ou em bom português, o "modinha". O termo bazingueiro surgiu de "bazinga!", expressão de vitória usada por Sheldon Cooper, de The Big Bang Theory, ao conseguir aplicar uma pegadinha, ou outro ardil, em seus colegas no seriado de TV.

O bazingueiro é visto por muitos como aquele cara que se escondeu até o mundo se tornar mais amigável com sua cultura, razão pela qual muitos o consideram um covarde e intrometido que não devia se atrever a mostrar sua cara numa Comic Con, concepção da qual discordo totalmente. O tempo de excluir e ser excluído já passou. Você não deve discriminar alguém só porque esse alguém pensa que Star Trek Discovery é Star Trek de verdade. Você precisa ensinar-lhes a diferença (Minha filha já sabe. Ela jamais assistirá Discovery).

Do mesmo modo, você precisa ter paciência com aquela pobre alma que pensa que Tarantino inventou o cinema, ou que imagina que o Oasis é melhor que os Beatles. Tudo bem. Esse último foi um péssimo exemplo. Ninguém mentalmente são pensaria isso. Mas o que vale, é que há lugar para todo mundo nessa nova era da cultura pop.

Além disso, tenha você 20, 30, 40, 50 anos, ou mais, não importa. Como diria o sábio Qui Gon Jin "sempre haverá peixes maiores". Não importa se você assistiu aos desenhos animados (?) da Marvel no traço de Jack Kirby com a dublagem original dos anos 60 e pode cantar as letras de todas as canções (Minha favorita era a do Capitão América. Devia ter aparecido num dos filmes).

Sempre haverá aquele sujeito que leu Flash Gordon em suas primeiras aparições nas tirinhas dominicais. A cultura pop, o elo maior que nos une, nós, de gerações e tribos tão diferentes, reunidos sob a alcunha de nerds ou geeks, não é minha nem sua, nem de ninguém. É de todos nós, mesmo que alguns CEOs discordem desse ponto de vista. Então, curta e deixe curtir. E que venha o pós-bazinga! Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


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