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Cultura

Adeus para o dramaturgo Ivo Bender

Dramaturgo, tradutor e professor morreu nesta segunda-feira aos 82 anos
25/06/2018 15:24 25/06/2018 15:32

Divulgação
TEATRO: leopoldense Ivo Bender
Ivo Bender chegou ao porto em Áulis. A partida aconteceu nesta segunda-feira ainda na madrugada. Nessas horas escuras é o vento que aponta o destino. Ventava muito. Chovia muito. O mar estava revolto. Nessa despedida o teatro morreu um pouco junto com o dramaturgo, tradutor e professor Ivo Bender, que faleceu aos 82 anos neste dia 25 de junho de 2018. Morreu um pouco o imaginário. Mas ficaram a erudição, conhecimento, ousadia, inovação e a generosidade de ensinar. Nas redes sociais muita tristeza pela cortina que cai sobre a cena por aqui. Também vários agradecimentos para um mestre das artes cênicas, para um professor como poucos, para um profundo conhecedor da mitologia grega. Mestre em compartilhar, em observar, em ouvir e em entusiasmar.

Natural de São Leopoldo e radicado em Porto Alegre, Bender é um dos grandes nomes da dramaturgia. São muitas criações. Trabalhos que ganharam a escrita desde a década de 1960. Uma produção influenciada pelo Teatro do Absurdo, tendo como características a crítica social, a solidão, o humor e o universo fantástico. A primeira peça, As Cartas Marcadas ou Os Assassinos, foi escrita em 1961. a partir daí foram muitos trabalhos autorais, aulas de mitologia grega e traduções, principalmente de obras de Racine, Emily Dickinson e Harold Pinter.

A Prefeitura de São Leopoldo, através da Secretaria Municipal de Cultura e Relações Internacionais (Secult), lamentou profundamente a morte do dramaturgo e tradutor leopoldense, enfatizando que Em 2015, ele ganhou o Prêmio Açorianos de Literatura na categoria Conto com a obra Quebrantos e Sortilégios e lembrando que Ivo Bender foi patrono da Feira do Livro de São Leopoldo em 2007. Em nota, a Secult enfatizou que "Ivo Bender foi um dos expoentes do chamado Teatro do Absurdo no Brasil e um dos mais importantes autores gaúchos, deixando uma extensa obra com 36 peças teatrais e dois livros de contos." E nesse entrefileiras, nas coxias, na luz pescada para a letra se desajustar no papel, nas indicações, nos encontros para o texto latejar nas entranhas e nas notas do fluxo das peças dizem que o vento em Áulis é intenso. É certo que na chegada Eurípedes estava lá no porto.

Escrita no fluxo

Na fluência da escrita de Ivo Bender é possível destacar os textos As Cartas Marcadas, Sexta-Feira das Paixões, O Cabaré de Maria Elefante e A Trilogia Perversa,  Queridíssimo Canalha. Da tragédia a comédia, há em Bender o domínio da linguagem que se move entre limites que vão de subtrações e o que é essencial. Em depoimento em 1984, o escritor Caio Fernando Abreu, que Bender era capa em suas peças de "esmiuçar em profundidade não só os tormentos individuais como as mazelas sociais". Bender estava hospitalizado desde a última semana na capital. A morte foi confirmada pela família nesta segunda-feira, o velório acontece no Instituto Estadual do Livro e o sepultamento no Cemitério João XXIII.

De Maria Elefante ao perverso

Em 1981, Bender escreveu O Cabaré de Maria Elefante com 30 personagens que colocam no fluxo diversas situações. Todo unificados pelo palco de um cabaré, onde são apresentados números artísticos variados: um vampiro, um grupo de freiras, um estuprador e um travesti. Da crítica anárquica de Maria Elefanta, Bender se move, em 1988, para a Trilogia Perversa. Obra composta em três partes e inspirada mitos gregos. Na peça 1826, ele atravessa no mito de Atreu e Tiestes o contexto dos primórdios da colonização alemã no interior do Rio Grande do Sul. No texto 1874 a estrutura leva em conta a tragédia Ifigênia em Áulis, de Eurípides, que foi adaptada para o episódio da matança dos Mucker, reunidos sob a liderança messiânica de Jacobina Maurer. Por fim, na peça 1941, o mito de Electra abre espaço para a grande enchente de 1941.



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