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Futebol

Douglas Costa: um sapucaiense em busca do hexa

O jogador da Juventus, nascido em Sapucaia do Sul, é uma das apostas de Tite para o tão sonhado hexa
10/06/2018 12:26 10/06/2018 12:30

Lucas Figueiredo/Lucas Figueiredo/CBF
Douglas Costa é um dos convocados por Tite para a missão da busca pelo hexa
Antes do anúncio da convocação para a Copa do Mundo da Rússia, a preocupação de todos brasileiros esteve em torno da lesão do atacante do PSG, Neymar. Nesse instante, a fissura no quinto metatarso do pé direito de um dos três melhores jogadores do mundo de 2017 passou a ser a manchete mais difundida no Brasil. Sem contar com o atleta, o primeiro a ser testado pelo técnico Tite na posição foi um jogador nascido em Sapucaia do Sul, no dia 14 de setembro de 1990. Douglas Costa de Souza, que atualmente é atleta da Juventus, da Itália, foi o escolhido para esta difícil tarefa. Com grandes movimentos pelo flanco esquerdo ofensivo e prestígio por substituir o camisa 10 da seleção brasileira, o filho de Marlene Costa de Souza, 52 e Antônio Valmor de Souza, 58, adicionou credenciais dentro da seleção pentacampeã. As atuações somadas à repetição das boas performances pelo clube italiano lhe trouxeram ainda mais chances de ser um dos presentes nas triangulações com Coutinho, Gabriel Jesus e companhia. Dessa forma, a premiação apareceu no dia 14 de maio, quando o nome de Douglas apareceu de maneira oficial entre os convocados para a maior competição de futebol do planeta.

Na expectativa de fazer parte do hexacampeonato, aquele que já foi chamado de Douglinhas, Maradoninha e Capinha, segue com a mesma humildade adicionada à sua vida em importantes passagens da vida. Durante a caminhada que contribuiu para o ponto mais alto da carreira do sapucaiense, certamente há um pouco de cada drible realizado pela canhotinha nos campinhos da região. Com seu Antônio e a dona Marlene, o orgulho recorda, automaticamente, das primeiras partidas na Escola Hugo Gerdau e aprendizados da Escolinha de Futebol Lance. Posteriormente, já entre os postulantes à almejada profissão de jogador de futebol, o atleta iniciou os movimentos no futebol de campo com o Novo Hamburgo e, então, foi para categoria de base do Grêmio. Douglas Costa, que sempre carregou o peso do verde e amarelo nas seleções desde a adolescência, iniciou trajetória profissional no tricolor de Porto Alegre e, antes de vestir a lendária camisa da Juventus do lendário Gianluigi Buffon, passou pelo ucraniano Shakhtar Donetsk com muitos outros brasileiros nas primeiras partidas em solo europeu, e também por entre os consagrados atletas do Bayern de Munique, da Alemanha, tendo atuado com figuras como o francês Ribery, o holandês Robben, os alemães Müller, Neuer e muitos outros.
Um pouco deste caminho será detalhado nesta série especial sobre o importante integrante da confiança de Adenor Leonardo Bachi, o Tite, que conta com o jovem sapucaiense Douglas Costa, de 27 anos, para trazer mais um título mundial para o país do futebol.

Você pode assistir aqui a reportagem em vídeo sobre a carreira de Douglas Costa

Nome: Douglas Costa de Souza
Data de Nascimento: 14.09.1990
Nascimento: Sapucaia do Sul
Altura: 1,70m
Trajetória amadora:
1999/2002 – Escolinha Lance
2000/2001 - Escola Hugo Gerdau
2001 – Novo Hamburgo
2001 – Grêmio
Trajetória profissional:
2008-2010 - Grêmio
2010-2015 – Shakhtar Donetsk
2015-2017 – Bayern de Munique
2017 – Juventus

Títulos:
* Shakhtar Donetsk
Campeonato Ucraniano: 2009–10, 2010–11, 2011–12, 2012–13, 2013–14
Copa da Ucrânia: 2010–11, 2011–12, 2012–13
Supercopa da Ucrânia: 2010, 2012, 2013
* Bayern de Munique
Campeonato Alemão: 2015–16, 2016–17
Copa da Alemanha: 2015–16
* Juventus
Campeonato Italiano: 2017–18
Coppa Italia: 2017–18
* Seleção Brasileira
Copa Sendai: 2008
Campeonato Sul-Americano Sub-20: 2009

A parcela Costa e de Souza

Diego da Rosa/Diego da Rosa/GES
Seu Antônio, pai de Douglas Costa, é só orgulho pela trajetória do filho
Antônio Valmor de Souza, 58, estava no Rio Grande do Sul no dia 14 de maio de 2018. Marlene Costa de Souza, 52, a mais de dez mil quilômetros, na Itália. Apesar da distância, o coração dos pais de Douglas palpitavam pelo mesmo desejo, ouvir o nome do filho na convocação da seleção brasileira de Tite. “Bota emoção nisso. É uma coisa que ele esperava e que poucos conseguem chegar a disputar uma Copa do Mundo. Sem dúvida isso é uma coisa fora de série. É um auge”, contou Antônio. Por videoconferência, Marlene também descreveu um pouco da sensação inédita. “Estávamos sentados no sofá. Aqui eram 19 horas e no Brasil 14. Eu, o Douglas, o empresário dele e minha filha. Gritamos muito e nos abraçamos. Foi um momento muito alegre”, ilustrou a torcedora, fã e mãe do atacante da seleção brasileira. Até chegar no que pode ser definido como ponto mais alto de uma carreira de jogador de futebol, no entanto, o jovem Douglinhas, teve de percorrer um longo caminho. Com a mesma rapidez e habilidade nos dribles do garoto, a família da ex-empregada doméstica Marlene e do ex-mecânico Antônio teve de lidar com todas as dificuldades para que o sonho do pequeno sapucaiense se concretizasse.

Origem

“A mãe dele é de Sapucaia do Sul, já eu, sou de Lajeado”, lembra Antônio. O segundo dos quatro filhos do casal, teve praticamente toda a infância no bairro Cohab Sapucaia. Nos campinhos da vila, os primeiros contatos com a bola. “Com seis anos já dava para ver que ele era diferente”, recordou o pai, que contou um pouco da trajetória que iniciou na Escolinha Lance, de Sapucaia do Sul, paralela às disputas pela Escola Hugo Gerdau, também da cidade. Teve um estágio de alguns meses no Novo Hamburgo, período de instabilidades na categoria de base do Grêmio, profissionalização no tricolor até a chegada em solo europeu, passando por Shakhtar Donetsk, na Ucrânia, Bayern de Munique, na Alemanha e Juventus, na Itália.

Elástico aos nove

A plasticidade nos dribles talvez seja a mais tradicional característica dos avantes brasileiros. Mais recentemente com Neymar e Ronaldinho Gaúcho, os passos de antigos como Pelé, Garrincha e Rivelino foram carregados com o futebol arte que tanto empolga os torcedores brasileiros. E falando especificamente deste último, fica impossível não recordar da registrada marca do elástico. Segundo seu Antônio, no Estádio Arthur Mesquita Dias, do Sapucaiense, ainda com 9 anos, o então Douglinhas já aprontou para cima dos primeiros adversários. “Ele deu um elástico e todos ficaram apavorados. Depois dali, uma série de grandes jogos com muitos gols foram chamando atenção de quem parava para assistir aos enfrentamentos da Escolinha Lance.

Avanços na adolescência

Dali, as jogadas do lépido garoto foram para Novo Hamburgo. “Ficou seis meses, aí, num jogo contra o Grêmio, ele se destacou e, juntamente com outros três, já ficou no tricolor. Nessa época ele tinha 12 anos.” Dessa forma, o planejado por todos que acompanhavam o garoto começou a se desenhar. “Ele é muito inteligente e sempre foi um menino bom. A tendência sempre foi a bola e não teve nenhum problema de disciplina, conseguindo conciliar os estudos.”

Início no tricolor

Com a camisa que sempre acompanhou o coração, as cores azul, preto e branco reservavam grandes momentos para Douglas. O início, entretanto, não foi de sucesso repentino. “Ele teve um período, logo que chegou, em que foi reserva e tinha partida que não era nem selecionado. O começo foi meio complicado, até porque era um time grande e ele era muito pequeno.” Devido a isso, por muito pouco o atleta não foi dispensado do clube. “Nesse período um dirigente soube do cenário e o segurou, pois acreditava no potencial dele.” Com o empurrãozinho de um dirigente, o magrinho sapucaiense começou a ganhar corpo e se desenvolver. “A partir desse momento, ele conseguiu um espaço maior, tanto que no juvenil ele já estava bem e o Grêmio já tinha grande expectativa”, explicou Antônio.

De Douglinhas para Douglas Costa

Apelidos ou nomes compostos são escolhidos pelos atletas em algumas situações. Noutras, ao acaso, a marca dos jogadores é atestada. Esse foi o caso do integrante da seleção, natural de Sapucaia do Sul. De acordo com o pai Antônio, detentor do sobrenome Souza, o jogador era conhecido por Douglas ou Douglinhas, ainda na base gremista. Em uma competição pela seleção brasileira sub-20, no entanto, outros três jogadores homônimos haviam sido convocados. “Tinha Douglas Santos, Souza e Silva. Para diferenciar, ele se tornou o Douglas Costa. Pegou e ele voltou sendo chamado assim”, esclareceu Antônio.

A profissionalização

O clube porto-alegrense passou então a investir ainda mais naquele que poderia dar muitas alegrias à torcida gaúcha. Se intensificaram as análises fisiológicas, evolução, aceleração do desenvolvimento e um planejamento estabelecido. “Ele sempre treinou bastante, teve a cabeça no lugar e teve na cabeça que era aquilo que ele queria. Deixava de ir para uma festa para treinar, beber jamais, fumar nem pensar. Sempre foi determinado. Mesmo com o destaque e status que ele tem até agora, continua sendo aquele mesmo cara”, salientou o pai que seguiu apoiando o jogador que esteve, ainda no tricolor, sob a batuta dos técnicos Celso Roth e Paulo Autuori. Assim que chegou Renato Portalupi, em 2010, Douglas Costa foi negociado com os ucranianos do Shakhtar Donetsk.

Na Ucrânia

As boas atuações nas seleções de base e o início com o Grêmio despertaram o interesse do jogador na Ucrânia. Nesse instante, em 2010, o Shakhtar Donetsk, despontava como um dos times com maior interesse em brasileiros. “Já estavam por lá o William (atualmente no Chelsea e seleção brasileira), Luiz Adriano (atualmente no Spartak Moscou), Jadson (atualmente no Corinthians) e Fernandinho (atualmente no Manchester City e seleção brasileira). Com ele, foi ainda o Alex Teixeira (atualmente no Jiangsu Suning). A adaptação foi bem fácil. Além dos brasileiros, havia o técnico romeno (Mircea Lucescu) que entendia bem o português”, contou o seu Antônio. Dessa forma, a consistência na Europa foi chegando com a confirmação do bom futebol em cinco temporadas com o clube.

Na Alemanha

As repetidas e qualificadas atuações surtiram efeito e fez com que Pep Guardiola se interessasse em tê-lo junto ao badalado elenco do Bayern de Munique, em 2015. “O Guardiola ligou para o Douglas e perguntou se ele gostaria de jogar lá. O Ribery e o Robben estavam machucados, ele chegou, fez uma temporada excelente e se manteve entre os titulares mesmo quando eles retornaram”, garantiu. Na temporada de 2017, o jogador acabou perdendo espaço entre os germânicos, surgindo assim mais um desafio para a carreira: o futebol italiano.

Na Itália

AFP
Douglas Costa e Dybala comemoram título italiano pela Juventus
“O começo foi complicado. O futebol italiano é bastante diferente do alemão. É mais de força, marcação e ele estava voltando de lesão. Mas aos poucos ele adquiriu a confiança e começou a jogar”, salientou o torcedor e pai de Douglas Costa, que já assistiu ao título italiano do jovem na temporada em Turim, com a Juventus do consagrado Buffon. “Ele está muito feliz. O país é muito bom para morar e viver. A princípio pretende permanecer por lá, mas depois da Copa, só Deus sabe o que pode acontecer”, projetou.

O jeito Douglas Costa

E se o destino é incerto devido às crescentes conquistas do sapucaiense, não se pode dizer o mesmo em relação ao comportamento de Douglas Costa. Segundo o pai Antônio, o mesmo Douglinhas da Cohab Sapucaia está em solo europeu. “Sabíamos que no momento certo as coisas viriam. Claro que aquela ascensão, quase todo guri que passa, acaba com um pouquinho de vaidade. Cresce o ego, mas sempre soubemos controlar e até hoje ele é uma pessoa tranquila. Ele não se deslumbrou com salário em nenhum momento e levou tudo dentro da realidade”, determinou o pai, que faz questão de ressaltar a presença familiar sejam nos momentos de reunião em solo europeu ou próximo às origens da família, no Rio Grande do Sul. “Ele segue sendo um cara reservado e tímido.” Com o mesmo jeito e frieza, principalmente dentro de campo, o atleta tem um novo capítulo para escrever na carreira, dessa vez, com o verde e amarelo. Das arquibancadas ou pela televisão, porém, o coração de Antônio segue sempre pulsando com muita força a cada jogada do atleta. “Assistir ele é fora de série. Me emociono e sempre me emocionarei vendo ele jogando”, finalizou o pai, que estará com toda a família na Rússia, para acompanhar a histórica busca pelo hexa.

O Lance na carreira do Douglinhas

Diego da Rosa/Diego da Rosa/Arquivo Pessoal
Escolinha Lance teve grande importância nos primeiros passos de Douglas no futebol
O futebol de sábado, uma passagem em ginásios e também a observação em campinhos de bairros. Esses momentos, em algumas oportunidades, costumam contemplar com crianças, jovens, adultos e até mesmo homens mais velhos que têm rara qualidade. As justificativas ou alegações para que carreiras não tenham sido encaminhadas variam. Mas a verdade é que, em alguns casos, faltou o impulso ou o envolvimento direto de alguém do meio. Pensando justamente nas trajetórias impostas por escolhas dos destinos, é possível chegar a um dos pontos de partida da história de Douglas. Um dos motivos para ele estar na seleção canarinho, certamente é a presença da Escolinha Lance, de Sapucaia do Sul, nos instantes em que o garoto engatinhava no mundo da bola. Tudo iniciou quando, o hoje personal trainer, Cleber Carvalho de Farias, 31, jogava pela escolinha Lance, do próprio pai Vivaldo Marinho de Farias, o Biba, em solo sapucaiense. “O Douglas estava num time contra o meu, tinha 9 anos, o torneio era sub-14 e ele deitando e rolando no jogo.” A partir desse momento, a relação Douglinhas com Escolinha Lance iniciou.

Tem um menino se destacando

Durante o almoço com a família, no intervalo entre as partidas da competição, Cléber resolveu contar para o pai o que havia presenciado instantes antes. “Era o ano de 1999 e identifiquei nele um potencial jogador. Eu tinha 13 anos na época. Falei pro meu pai que tinha um menino uma qualidade técnica incrível.” Depois de ouvir as palavras do filho, Biba contatou a família de Douglas e conversou com a família para a inclusão do garoto no elenco de talentos sapucaienses.

A Lance e o Sapucaiense

Dessa forma, com o benefício de não ter de pagar a mensalidade, Douglinhas, como era chamado na Lance, passou a integrar a escolinha. Diferentemente do que muitos pensam, o jogador que hoje está na seleção nunca atuou pelo Sapucaiense. Na Lance, entretanto, houve competições em que uniformes da equipe de Sapucaia do Sul foram cedidos em parceria com a escolinha, além, é claro, do Estádio Arthur Mesquita Dias. Portanto, as imagens de Douglas com o vermelho e preto são frutos desta colaboração dos clubes.

Orgulho amigo

A Escolinha Lance foi criada em 1991 e foi encerrada em 2011. Hoje, há um time de futebol sete que homenageia a trajetória histórica do celeiro de meninos para o futebol. “O grande formador, que participou desse processo, tirando a família dele, foi o meu pai (Biba). Se ele estivesse hoje por aqui, certamente teria muitos detalhes para dividir”, saúda Cléber. Biba faleceu em 2014, de acordo com o filho, orgulhoso por ter sido parte desse início de carreira do sapucaiense Douglas. Da Lance, o jogador contou com o auxílio para transitar entre Novo Hamburgo e Grêmio, adentrando finalmente às categorias de base de clubes profissionais.

As arrancadas nas disputas escolares

Diego da Rosa/GES
A professora Pitty, da Escola Hugo Gerdau, foi uma das incentivadoras
O ainda menino Douglas estudou em Sapucaia do Sul, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Hugo Gerdau e também em Esteio, na Escola Estadual de Ensino Médio Caetano Gonçalves da Silva. Na Hugo Gerdau, as principais marcas foram deixadas na quadra poliesportiva que, hoje, não existe mais. Após a reforma, a instituição passou por reformulação, conta com nova estrutura mas ainda mantém uma das professoras que enxergou muitos dos dribles do sapucaiense, a educadora física Sandra Rita Pereira, 53 anos, a Pitty. Desde 2000 na escola, Pitty começou a dar aulas para os jovens e, a primeira turma que assumiu foi justamente a do hoje selecionável atleta da Juventus. “No meu primeiro dia, os coloquei a jogar bola e brincar. Eles pediram futebol. Larguei a bola, fiquei na beira da quadra e começaram a driblar. Quando olhei os pés do Douglas, eu vi que tinha uma “Maradoninha” vindo por aí. Fiquei espantada pelo que ele fazia. Os dribles, a habilidade, a técnica. Ele já nasceu com o dom. Tudo fazia parte. Ele já veio pronto”, espantou-se a professora, que passou a dar mais atenção para o canhoto de exceção.

Desenvolvimento do Maradoninha

Os primeiros passos já demonstravam a joia a ser lapidada. Com crença no grande futuro que estava em sua frente, passou a buscar clubes ou pessoas para alavancar o garoto no mundo do futebol. “Quando eu vi toda essa qualidade, como era um menino muito pobre, procurei ajudar. Tentei colocar ele no Grêmio, mas ninguém acreditou na época. Fui atrás de muita gente”, garantiu Pitty. Sem respaldo, passou a intensificar o preparo do pequeno atleta para jogos escolares. “Ganhamos tudo que é campeonato”, comentou Pitty, durante os três anos em que treinou Douglas.

Farda especial

“Ele era pequenininho e eu o chamava de Maradoninha. Ele já sabia o que fazer”, lembra Pitty, que também recordou de um simples problema que dificultava a performance do guri: os uniformes largos. Na época, as escolas contavam com um número de camisas que serviam para todas as categorias, portanto, os tamanhos eram genéricos e, para Douglas, gigantes. “Íamos participar do Guri Bom de Bola e fui em uma empresa pedir uma camisa especial para ele. Douglas gostava do 7, mas pedi para a menor ser a número 10, aí dava para ele.”

Habilidades esportivas

A técnica não é discutida, mas até hoje, chama também atenção a velocidade de Douglas Costa com a bola sempre próxima ao pé esquerdo. “Ele jogou três anos comigo, mas fez de tudo. Participou de corrida rústica, 100 metros rasos, quatro por cem, jogou vôlei e também handebol”, contou Pitty. Segundo a treinadora do atleta com múltiplas habilidades, algumas das corridas foram completas, inclusive, sem o uso de tênis. “Ele me disse que estava apertado e o deixei correr sem.”

Atração Maradoninha

E em cada competição que participava, Douglas deixava a marca nas goleiras adversárias e também na visão dos impressionados espectadores. “Na época do futsal, o ginásio lotava de gente para ver ele jogar. A bola colava no pé dele e ninguém o segurava. Era bonito de ver. Futebol arte tanto no campo quanto no salão.” E se os movimentos do pequeno garoto eram legítimos de gente grande, nada alterava a personalidade de Douglas. “Ele era quieto. Respeitava. Só queria jogar futebol. Era uma criança tranquila e sempre foi mais fechado”, descreveu a professora.

Liberdade ao fominha

Entre 10 e 13 anos, a vontade de correr atrás da bola e largá-la somente ao ver o goleiro adversário é predominante. Nesse instante, alguns detalhes precisam ser ajustados. Pitty, entretanto, preferiu não intervir no talento que estava em desenvolvimento. “Ele era muito fominha, né? Ele sabia, mas eu deixava. Não podia bloquear muito. Uma vez fomos para uma final e falei pra chegar de brincadeira, largar mais a bola e ele se manteve sério. Eu soltava.” Relembra a professora e treinadora, que salienta inclusive as comemorações do garoto, sempre mais comedidas.

Seguidora assídua

Mesmo após a saída de Douglas Costa da Escola Hugo Gerdau, Pitty seguiu em busca de informações acerca do destino da promessa. “Uma vez o encontrei no Trensurb. Ele e o pai iam até o Centro de Porto Alegre e de lá iam a pé até o Olímpico. Chegou a pensar em desistir. Estavam preparando ele. Mas é difícil para o menino entender.” Depois disso, a subida para o profissional tricolor foi verificada a distância. Em um jogo beneficente, em 2016, em Sapucaia do Sul, Pitty reencontrou o ex-aluno e trocou algumas palavras. “Perguntei se ele ainda lembrava de mim e ele disse que sim. É um orgulho ver um menino que não foi para outro lado. Que continue tendo uma cabeça boa, sabendo controlar a grana que está ganhando e tendo uma família boa.” Sobre ter treinado algum outro garoto do mesmo nível, Pity encerra de maneira enfática: “Aquela habilidade? Aquele futebol bonito? Eu não vi ainda!”

O início azul, preto e branco

Rodrigo Fatturi/Assessoria Grêmio
Na base tricolor o jogador passou a ser conhecido em todo o estado
O talento é detectado primeiramente pelos familiares, algumas escolinhas oportunizam o início e as primeiras disputas em competições. A hora do real desenvolvimento, entretanto, é quando um clube entra nas jogadas dos garotos. Caso a estrutura oferecida seja de uma instituição de grande porte, a perspectiva de evolução se engrandece. Nessa linha, está o Grêmio na vida de Douglas Costa. Não à toa, até hoje, nas conquistas tricolores, o jogador sempre se manifesta em redes sociais. Como seu pai Antônio mesmo diz, Douglas carrega consigo um “gremismo” que veio de berço. Com qualidade jamais questionada, o garoto chegou ao clube com grande expectativa, embora o início tenha sido de alternadas participações nas partidas e convocações.

Carregando o time nas costas

O assessor de imprensa da base tricolor, Rodrigo Fatturi, foi estagiário de novembro de 2006 ao mesmo mês de 2008. Dentre esse período, acompanhou os garotos em 2007, na Copa Santiago. “Ele era reserva, ainda do time juvenil e entrou somente em dois jogos. Era muito magrinho.” No ano seguinte, de acordo com Fatturi, o futebol de Douglas cavou espaço entre as referências da equipe. “Em 2008 ele voltou para a mesma competição, em janeiro, como protagonista e praticamente levou o time nas costas para o título. O mesmo ocorreu em julho, quando ganhamos a Taça BH Junior”, recordou o profissional da imprensa.

Empréstimo que custou caro

Os clubes costumam realizar empréstimos com atletas para o ganho de experiência. A prática comum no esporte, também ocorre entre os garotos da base. Dessa forma, o ritmo de jogo não é perdido. De acordo com Luiz Gabardo Jr, atual treinador do sub-23 gremista, o time de transição, uma situação desta ocorreu com Douglas Costa. “Quando eu estava com ele em 2004, como não tinha o convocado, resolvemos cedê-lo para o Casa Lar, de Santa Catarina, para a disputa de uma competição.” A ideia dos gremistas era mantê-lo num crescimento, ainda que provisoriamente com outra camiseta. “Emprestamos o Douglinhas e ele arrebentou, fazendo inclusive um gol contra nós. Depois de 20 dias já retornou ao Grêmio”, lembrou Gabardo, que ressaltou a personalidade forte de um menino que sempre soube da própria qualidade e nunca aceitou aguardar no banco de reservas. “Ele era um menino tranquilo, divertido, sempre alegre, disposto a treinar e crescer. Em relação a questão técnica foi um dos melhores com quem já trabalhei”, comentou o profissional que está há 15 anos trabalhando no tricolor gaúcho. Gabardo já treinou todas as categorias de base do clube, desde o sub-10 ao sub-20, popularmente chamado de juniores. Da nova safra, passaram pelas coordenadas do treinador atletas como Éverton e Arthur, que tem se destacado no time de Renato Portaluppi, Lincoln, que surgiu como grande promessa e está no Rizespor, da Turquia e Fernando, que está no Spartak Moscou.

A encorpada

A unanimidade quando o assunto era técnica e habilidade era a mesma quando a questão tratada era a necessidade da evolução física. O magrinho sapucaiense precisava de um cuidado especial. Nesse momento, se estabeleceu a presença do atual preparador físico do elenco profissional do Grêmio, Rogério Dias, o Rogerinho, que à época, era responsável pelos garotos. “Trabalhei com o Douglas em 2005. Qualidades técnicas e físicas não faltavam, apesar da maturação baixa, ele já se diferenciava. Víamos nele um grande potencial a ser desenvolvido.” A situação, inclusive, gerou mais um apelido para a coleção do sapucaiense. “Chamávamos ele de Capinha, porque ele não pipocava pra ninguém e, apesar do corpo franzino, sempre queria jogar. Era fominha. Com o tempo, além de ganho de 15 quilos, o mirrado menino cresceu 14 centímetros, se credenciando a ser um atleta profissional. Quando levava uma pancada nos treinos ou nas partidas, logo se reestabelecia e estava pronto para jogar novamente. Isso despertava bastante a nossa atenção”, recordou Rogerinho, que também ressalta trabalhos semelhantes ao de Douglas que foram executados com atletas como Lucas Leiva, Anderson e Carlos Eduardo.

A coragem do pequeno

Outro fator que acompanha Douglas Costa desde os primeiros passos com a bola colada no pé esquerdo é a coragem. James Freitas, atualmente auxiliar técnico no Palmeiras do treinador Roger, também esteve com Douglas na base gremista. “Trabalhei com ele em 2005, 2006 e 2007. O Douglas era um menino com qualidades técnicas e físicas diferenciadas. Tecnicamente muito superior aos meninos da mesma idade. Trabalhou bastante a perna direita nesse período, fisicamente apresentava muito potencial para desenvolver velocidade e força, por isso foi submetido a este trabalho especial.” Passadas as questões de maturação, todo o desenvolvimento do atleta caminhou paralelamente ao passar do tempo. “A partir de então conseguia desenvolver melhor as funções com mais qualidade.” Dos fatos curiosos, antes dos títulos da Taça Santiago e BH, que o levaram para o elenco profissional de Celso Roth, esteve uma tentativa de poupar o atleta. “Teve um jogo que não o coloquei em campo porque o adversário era muito mais
forte fisicamente. O chamei e expliquei a situação, então ele me falou que desde pequeno jogava contra atletas mais fortes e que estava acostumado com essa situação. Me pediu para jogar.” Nesse instante, James resolveu confiar na palavra do seu atleta e promoveu substituição. “O coloquei em campo e ele fez dois gols”, recordou o técnico que trabalhou com jogadores como Wallace, Luan, Paulinho, Saimon, Arthur, Lima e muitos outros.


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