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Buscas continuam

Fortes chuvas deixam ao menos 100 mortos no Japão

Arquipélago costuma ser afetado por fortes frentes de chuva, além de tufões, muitas vezes mortais, no verão
09/07/2018 10:25 09/07/2018 10:26

  • Polícia chega para limpar destroços espalhados em uma rua em uma área atingida pela inundação em Kumano, prefeitura de Hiroshima, em 9 de julho
    Foto: Martin Bureau/AFP
  • Casa danificada em uma área inundada em Kumano, prefeitura de Hiroshima, em 9 de julho
    Foto: Martin Bureau/AFP
  • Policiais checam um carro danificado após fortes chuvas e enchentes em Hiroshima em 8 de julho
    Foto: STR/JIJI PRESS/AFP
  • Vista aérea de casas inundadas em Kurashiki, Okayama, em 8 de julho
    Foto: STR/JIJI PRESS/AFP
Ao menos 100 pessoas morreram em consequência das fortes chuvas na região oeste do Japão, anunciaram as autoridades, que prosseguem com a busca por desaparecidos em bairros completamente cobertos de lama e entre os escombros de imóveis. Das 100 vítimas, 87 foram declaradas mortas e 13 em estado de parada cardíaca e respiratória, informou o porta-voz do governo Yoshihide Suga.

As autoridades temem o aumento do balanço de mortos com o avanço dos trabalhos de busca por desaparecidos. Com a gravidade da situação, o primeiro-ministro Shinzo Abe cancelou uma viagem que o levaria a Bélgica, França, Arábia Saudita e Egito, informou a imprensa. Na cidade de Kumano, a lama destruiu várias casas, que viraram pilhas de madeira. 

O sol começa a secar as áreas inundadas. As equipes de emergência procuravam os vestígios de muitos desaparecidos. "Estamos retirando os escombros onde podemos. Também retiramos casas destruídas. Se não fizermos isto é impossível chegar até os possíveis sobreviventes presos nos escombros", afirmou uma fonte militar.

Ao retornar para suas casas destruídas com a redução da chuva, os moradores começaram a perceber a amplitude da tragédia. Bairros inteiros estão inundados, veículos foram parar em crateras abertas em estradas devastadas, pontes foram destruídas e a lama domina o cenário.

Na cidade de Kurashiki, na província de Okayama, "parece que não há mais ninguém pedindo ajuda nos telhados das casas", afirmou um socorrista. Os socorristas se deslocavam ontem (domingo) em barcos pela amplitude das inundações, mas a água está escoando progressivamente e, se o nível registrar uma redução suficiente, poderão chegar a zonas muito afetadas por estrada ou a pé", disse a porta-voz da agência de gestão de catástrofes do município de Okayama. "Hoje não chove, mas temos que permanecer alertas com a lama", insistiu.

Esta é uma das piores catástrofes do tipo nos últimos anos no Japão, com um número de vítimas que supera o registrado nos deslizamentos de terra de 2014 em Hiroshima, com 74 mortos. As passagens de dois tufões em agosto e setembro de 2011 deixaram mais de 100 mortos.

No domingo, o governo retirou o estado de alerta máximo.

Buscas

"As operações de resgate prosseguem as 24 horas do dia", afirmou no domingo Yoshihide Fujitani, diretor da agência de gestão de catástrofes de Hiroshima. "Também ajudamos as pessoas retiradas de suas casas e tentamos recuperar as infraestruturas vitais como a rede de água e gás", declarou Fujitani.

"É uma situação anormal diante de um risco iminente, não se aproximem das zonas de risco, mantenham-se em alerta", insistiu um funcionário da agência meteorológica, Yasushi Kajiwara.

As chuvas entre sexta-feira e domingo atingiram níveis recordes em 93 pontos de observação de 14 municípios.

Cinquenta e quatro mil integrantes dos corpos de bombeiro, da polícia e das Forças de Autodefesa (nome do Exército japonês) foram mobilizados para as áreas afetadas, "fazendo o máximo para salvar vidas", destacou o primeiro-ministro Abe.

Quase cinco milhões de pessoas receberam a recomendação de deixar suas casas. Algumas fábricas (Panasonic, Mitsubishi Motors, Mazda) foram obrigadas a paralisar suas cadeias de produção na região, assim como empresas de serviços como Amazon.

O Japão costuma ser afetado por fortes frentes de chuva, além de tufões, muitas vezes mortais, que alcançam o arquipélago no verão.


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