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São Leopoldo

Com ingressos esgotados, palestra de Leandro Karnal vai beneficiar o Museu Histórico

Palestra ocorre nesta terça-feira no Anfiteatro Padre Werner na Unisinos
09/07/2018 14:33 09/07/2018 14:33

Alecs Dal'Olmo

Leandro karnal fará palestra no dia 10 de julho em São LeopoldoO historiador Leandro Karnal decidiu ajudar o Museu Histórico Visconde de São Leopoldo (MHVSL), que desde o ano passada enfrenta dificuldades financeiras. Os ingressos estão esgotados. Todo o valor arrecado será repassado para a direção do Museu Histórico. A palestra inédita “Onde eu quero estar quando o futuro chegar?”, acontece nesta terça-feira, 10 de julho, às 19h30, no Anfiteatro Padre Werner, em São Leopoldo.

De acordo com o presidente do MHVSL, Cássio Tagliari, o sucesso de bilheteria remete ao nome do palestrante e à sensibilidade da comunidade em ajudar o Museu, que conta com uma trajetória de quase 59 anos de trabalho. Além da palestra desta terça, outras ações já aconteceram para ajudar financeiramente e até mesmo divulgar o museu entre o público jovem, como o recital beneficente que reuniu jovens talentos da música, sob a coordenação da professora e pianista Melissa Iung. Mais do que executar obras eruditas e contemporâneas, alguns músicos foram até o museu e gravaram um vídeo para falar do espaço do espaço da memória de São Leopoldo.

Organize-se para a palestra

- As portas do Anfiteatro Padre Werner estarão abertas a partir das 18h30;
- As cadeiras não são marcadas, por isso, chegue cedo para escolher o seu lugar;
- Se você efetuou a compra pela internet, é necessário imprimir o voucher que recebeu por e-mail e apresentá-lo no dia do evento para trocar pelo seu ingresso;
- É fundamental levar o comprovante do benefício da meia entrada, com um documento com foto;
- Há estacionamento no local no valor de R$ 10,50 visitantes e R$ 5,50 para alunos da Unisinos.
Fonte: Simples Assim (produtora do evento)


SERVIÇO
O Quê: Palestra ‘Onde eu quero estar quando o futuro chegar?’, com Leandro Karnal
Quando: hoje, terça-feira, 10 de julho
Horário: 19h30
Local: Anfiteatro Padre Werner – Unisinos (Av. Unisinos, 950 - Cristo Rei, São Leopoldo)
Ingressos: esgotados
Realização: Museu Histórico Visconde de São Leopoldo e do Programa de Pós-Graduação em História da Unisinos


ENTREVISTA 

Jornal VS: O Brasil era o País do futuro. O que aconteceu com esse futuro?

Leandro Karnal: O escritor austríaco Zweig - Stefan Zweig (1881-1942) - usou esta expressão há quase setenta anos. Tínhamos uma vantagem sobre países como Portugal e Argentina, duas nações que conheceram enorme importância no passado e que, melancolicamente, sabem que a glória naquela proporção nunca voltará. Nós sempre fomos o País com população jovem, sem desastres naturais notáveis e dotados de recursos imensos. No início do século 21, parecia que a hora brasileira tinha chegado. Lembro da famosa capa da revista The Economist, com o Cristo Redentor disparando como um foguete. A breve ilusão passou. Para alguns, o obstáculo ao futuro é a classe política, outros asseguram que é a própria sociedade brasileira que barra a ascensão. O que tem faltado aqui é um duplo foco: uma ação estratégica sobre o futuro em termos de políticas públicas e um pacto nacional pela educação. Sucesso futuro não chega por sorte e nem é aleatório.


VS: Qual o futuro que se pode pensar no presente para um Brasil próximo de uma eleição, com 13 milhões de desempregados e instituições que não inspiram muita confiança?

Karnal: Já passamos por muitas crises. A História do Brasil é a história das suas crises. Toda a década de 1980 foi de inflação, desemprego e falta de crescimento. A inflação está sob controle, os juros caíram em relação ao passado recente e temos, sim, uma taxa alta de desemprego. Pelo nosso histórico e do próprio processo econômico mundial, há expansões e retrações econômicas. Crises passam sempre. A questão é uma estratégia de estadista para nosso futuro que conhecerá novas crises e nova expansão e, de novo, a questão imprescindível: educação. Podemos e devemos zerar o desemprego; sem educação isso será um remédio para disfarçar uma doença.

VS: Aliás, algum motivo especial pela escolha do tema da palestra?
Karnal: Sim. O mais importante: lutar contra a concepção de que existe sorte, azar, energia ou coisas do gênero que determinem nossa trajetória. O futuro chega sempre e sem precisar da nossa licença. Para que ele se aproxime dos nossos objetivos, eu preciso de ações estratégicas no presente. Lembrando: em 1960, a Coreia do Sul tinha índices sócio-econômicos próximos ao Brasil. Nos quarenta anos seguintes, fez um investimento pesado em educação e tecnologia. Tornou-se um país do primeiro mundo em uma geração. A Coreia do Sul decidiu e agiu em prol de um futuro específico. Vale o mesmo para projetos individuais.


VS: O que o motivou para ajudar o Museu Histórico?
Karnal: Em primeiro lugar, sou leopoldense. Nasci e cresci como capilé. Cheguei ao mundo no Hospital Centenário, andei milhares de vezes pela Rua Grande, estudei no São José, no Pedrinho e na Unisinos e devo muito do que sou a esta formação e origem. Fui ao museu muitas vezes, tanto na sede antiga quanto na nova. Em segundo lugar, sou historiador. Sei que a memória é decisiva para a construção da identidade. Ter origem é ter raízes, um lugar para voltar, uma memória para embalar e uma responsabilidade. Tudo isto é fundamental. Quando soube que o museu estava fechado por falta de recursos, tive uma profunda tristeza. Como deixamos isto acontecer? O que ocorreu? Meu avô, Ervino Schlusen, ajudou a construir o monumento ao centenário da Imigração, em 1924. Meu pai foi vereador, advogado e professor na cidade. Eu participei das celebrações do sesquicentenário da imigração alemã, em 1974. Precisamos preservar nossa memória. O museu é parte disto. Não poderia ficar indiferente.

VS: Tens alguma memória positiva dos tempos passados em São Leopoldo?

Karnal: Todas as minhas memórias de infância e adolescência são leopoldenses. A maioria absoluta é positiva. Sair com a família para comer no Capri, na Tirolesa, no Polace e em tantos lugares. Comprar na Casa Mena, no Feldmann, Emílio Müller e outros. Andar de bicicleta pela nossa rua, a São João. Frequentar a nova Biblioteca Pública da cidade no antigo quartel “da transmissão”. Vi meu primeiro jogo do Aimoré aos sete anos. Fui muito à igreja do padre Reus com meu pai. Toquei órgão na igreja do Fião, na Matriz e na Capela do Rosário na nossa rua. Quase toda a família está enterrada no cemitério da cidade. Colhi macela no Morro do Paula na sexta-feira santa. Frequentei sessões de cinema de boa qualidade no Cine Brasil. Toda a minha biografia inicial foi formada aqui e isto é mais do que positivo ou negativo, São Leopoldo é a minha memória e minha vida. Amo São Paulo como um lugar desafiador e de oportunidades. Vivo lá há 31 anos. O que me tornou hoje conhecido nacionalmente nasceu do que vivi aqui, nesta cidade, com a formação inicial dada aqui. Sonho que os jovens leopoldenses um dia tenham o privilégio que eu tive na infância e juventude: tomar chimarrão nas calçadas, sem medo e de forma tranquila.


VS: Há muitos livros que escreves em parceria. Se fosse possível uma parceria impossível (com alguém que já se foi), quem seria e sobre o que seria o livro?

Karnal: Talvez fizesse com meu pai, dr. Renato Karnal, falecido em 2010, uma obra sobre São Leopoldo. Outra hipóteses ficcional: Vianna Moog, leopoldense ilustre, autor de clássicos como Bandeirantes e Pioneiros, desenvolvendo a comparação que ele fez na década de 1950 sobre a colonização do Brasil e dos EUA. Gostaria de entrevistar Jacobina Maurer (Movimento dos Muckers) para saber , de fato, quem era ela. Os mortos nos inspiram. Os vivos seguem com a chama a cada geração. Quero ser cremado em São Leopoldo e as cinzas lançadas no mesmo lugar onde foram as do meu pai e da minha mãe. Quero me misturar ao solo que me viu nascer. Onde comecei, eu desejo terminar.


Jornal VS
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