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As eleitas

Com maior bancada feminina da história, Assembleia será a casa das nove mulheres

Assembleia gaúcha quer transformar bandeiras individuais em uma pauta comum e a violência contra a mulher em uma agenda permanente para o Estado
04/11/2018 08:40 04/11/2018 08:41

Elas são nove – e de nove partidos. As mulheres eleitas em 2018 para compor a Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul formam a maior bancada feminina da história do parlamento gaúcho. Um avanço sobre a legislatura atual, que conta com sete eleitas, e um salto ainda maior se comparada à eleição de 2006, quando apenas cinco entraram no Plenário 20 de Setembro com o mandato em mãos.

Avançou, mas a proporção entre homens e mulheres ainda é um abismo na Assembleia gaúcha. Dos 55 deputados estaduais eleitos, 46 são do sexo masculino – ou 83,67% do total. As mulheres respondem por apenas 16,33% do parlamento. No plenário, a partir de 31 de janeiro do ano que vem, para cada cinco homens com mandato haverá uma mulher.
Fora dali, a realidade é outra: segundo os dados mais recentes do IBGE, extraídos do Censo de 2010, o Brasil é formado por 51,03% de mulheres e 48,97% de homens.

“Avançou mas precisa avançar ainda mais. As mulheres precisam dar o seu olhar e a sua contribuição sobre a política”, comenta a deputada estadual eleita Luciana Genro, do PSol.

Ideias diferentes, uma luta comum

Cada uma das mulheres eleitas para a próxima legislatura na Assembleia gaúcha tem as suas próprias prioridades e bandeiras de luta. Apesar da pluralidade ideológica, em um ponto todas convergem: a violência. “Essa precisa ser uma luta de todas nós”, defende Franciane Bayer, do PSB, uma das estreantes, seguida por uma veterana das urnas: Zilá Breitenbach, do PSDB. “Essa deveria ser uma luta de todos, não só das mulheres. Ainda precisamos ir adiante nesse tema”, comenta a tucana.

“Temos ideias de Estado diferentes, mas é possível ter uma luta comum em pontos específicos sim”, garante a deputada reeleita Any Ortiz, do PPS. “Esse tema da violência é de todas nós”, reforça outra estreante, Sofia Cavedon, do PT, vereadora em Porto Alegre.
Os números realmente dão relevo ao tema. Em 2018, somente no primeiro semestre do ano, a Polícia Civil registrou 38 mil ocorrências de violência contra a mulher no Estado – mais de 210 por dia. São quase nove ocorrências por hora, todas as 24 horas do dia. “Temos que defender junto ao governo medidas que ajudem a reduzir isso”, diz a ex-presidente da Assembleia, deputada reeleita Silvana Covatti, do PP. “Os casos de violência contra a mulher não podem passar em branco em nenhuma instância da sociedade”, afirma Juliana Brizola, do PDT.

Primeira medida

Nos bastidores, já se fala na criação de uma Frente Parlamentar Feminina de Combate à Violência, reunindo, sob um único guarda-chuva, as nove parlamentares eleitas. A medida não impediria a participação dos homens, mas seria necessariamente comandada por elas.

Um assessor de uma das deputadas encarregado de levantar os dados para subsidiar a criação da Frente comenta que o diferencial da medida seria justamente a pluralidade partidária da bancada feminina. Hoje, de fato, a maioria das medidas nesse sentido é de um mandato específico ou, no máximo, reúne ativamente parlamentares de uma única bancada. “Por isso, te conto sobre o tema, mas prefiro que não nos identifique antes de conversarmos com todas as deputadas eleitas”, explica ele.

Uma Frente Parlamentar é criada com um terço das assinaturas dos deputados – no caso da Assembleia gaúcha, além das nove parlamentares eleitas, teriam que conseguir mais dez apoiadores.

Mulheres das eleições

A representação feminina na Assembleia Legislativa
Legislatura 2007/2011 - 5 mulheres eleitas
Legislatura 2011/2015 - 8 mulheres eleitas
Legislatura 2015/2019 - 7 mulheres eleitas
Legislatura 2019/2023 - 9 mulheres eleitas

A bancada feminina

Quem são e quantos votos fizeram cada uma das deputadas gaúchas eleitas para a Legislatura 2019/2023

Any Ortiz (PPS) Any Ortiz (PPS)
94.904 votos

Any Ortiz nasceu em Canoas, em 19 de outubro de 1983. Tem 35 anos. Filha de Ernesto Ortiz Romancho, ex-prefeito de Palmares do Sul, foi eleita vereadora em Porto Alegre em 2012 pelo PPS. Dois anos depois, chegou à Assembleia desbancando, então, seu colega de partido e ex-presidente do Grêmio, Paulo Odone. Advogada por formação, é também a presidente do PPS gaúcho. “Defendemos um Estado mais enxuto e eficiente, que atende às necessidades dos cidadãos, a retomada do desenvolvimento e o fim de privilégios, como a aposentadoria dos ex-governadores que extinguimos por um projeto de lei nosso”, diz.

Silvana Covatti (PP) Silvana Covatti (PP)
75.068 votos

Nasceu em Frederico Westphalen em 9 de novembro de 1963 e tem 55 anos. Eleita deputada em 2006, seguiu os passos do marido, Wilson Covatti, ex-vereador em sua cidade natal, ex-deputado estadual e federal. Presidiu a Assembleia em 2016. É mãe do deputado federal Covatti Filho, eleito em 2015 e reeleito em outubro último. “Nesse novo mandato vou seguir defendendo a agricultura, os pequenos municípios e as mulheres de todo o nosso Estado”, declara.

Luciana Genro (PSol) Luciana Genro (PSol)
73.865 votos

Nasceu em Santa Maria, em 17 de janeiro de 1971 e tem 47 anos. Filha do ex-governador e ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro, foi eleita deputada estadual pela primeira vez em 1994 ainda pelo PT, aos 23 anos de idade. Reeleita em 1998, decidiu disputar uma vaga na Câmara Federal em 2002 e chegou a Brasília. Foi expulsa do partido no ano seguinte ao votar contra a Reforma da Previdência proposta pelo governo petista. Foi uma das fundadoras do PSol em 2005. Em 2014, concorreu à Presidência da República. “Nossa bandeira é a educação, a luta das mulheres.”

Kelly Moraes (PTB) Kelly Moraes (PTB)
44.755 votos

Neiva Teresinha Marques nasceu em São Leopoldo em 19 de janeiro de 1963 e tem 55 anos. Ficou conhecida como Kelly Moraes ao se casar com Sérgio Moraes, ex-prefeito de Santa Cruz do Sul e deputado federal pelo PTB. Começou a vida política ao lado do marido, sendo secretária de Saúde e depois do Desenvolvimento Econômico no município. Foi eleita deputada federal em 2006 e prefeita em 2008. Não conseguiu a reeleição e, em 2016, ficou na suplência do PTB na Assembleia. Elegeu-se vereadora e, agora, deputada estadual. Seu filho, Marcelo Moraes, foi eleito em outubro deputado federal pelo PTB.

Juliana Brizola (PDT) Juliana Brizola (PDT)
43.822 votos

Nasceu em Porto Alegre em 3 de agosto de 1975 e tem 43 anos. Neta de Leonel Brizola, elegeu-se vereadora na Capital em 2008 e, em 2010, para o seu primeiro mandato de deputada estadual. É irmã gêmea do vereador Leonel Brizola Neto, do PSol do Rio de Janeiro. “Como não poderia ser diferente, nossa luta é pela educação. Temos avanços nessa área, mas precisamos avançar ainda mais.”

Franciane Bayer (PSB) Franciane Bayer (PSB)
40.317 votos

Franciane Bayer nasceu no município de Santa Maria em 9 de outubro de 1987 e está com 31 anos. Ela é irmã da atual deputada estadual Liziane Bayer, que foi eleita em outubro para o primeiro mandato de deputada federal também pelo PSB. Evangélica declarada, Franciane Bayer nunca havia ocupado mandato eletivo. “Quero dar sequência ao mandato da minha irmã, Liziane, que agora será deputada federal. Uma das nossas medidas, o material de saúde preventiva, será reeditado.”

Sofia Cavedon (PT) Sofia Cavedon (PT)
32.969 votos

Sofia Cavedon nasceu no município de Veranópolis em 2 de agosto de 1963 e tem 55 anos. Filiada ao PT desde 1987, é professora de séries iniciais. Foi eleita vereadora em Porto Alegre pela primeira vez em 2000 – e exerce o quarto mandato. Em 2011, presidiu a Câmara de Vereadores de Porto Alegre. “Ninguém mais aceita a violência contra a mulher, mas ela acontece e não é mimimi. Vamos atuar forte nessa questão”, salienta.

Francis Somensi (PRB) Francis Somensi (PRB)
15.404 votos

Nasceu em 8 de março de 1978 em São Jorge D’Oeste, no Paraná, e tem 40 anos. Saiu da terra natal para estudar Farmácia em Pelotas. Quando se formou, abriu uma farmácia em Bento Gonçalves e, depois, em Farroupilha - onde conheceu o médico Claiton Gonçalves, com quem se casou. Hoje, ele é o prefeito de Farroupilha pelo PDT. Esta foi a primeira participação eleitoral de Francis Somensi.

Zilá Breitenbach (PSDB) Zilá Breitenbach (PSDB)
24.115 votos

Nasceu em Três de Maio em 19 de novembro de 1941 e tem 76 anos. Zilá foi professora, eleita e reeleita prefeita de Três Passos, exercendo mandato entre 1997 e 2004. Em 2006, chegou à Assembleia pelo PSDB, partido que havia emplacado naquele ano a eleição da governadora Yeda Crusius. Foi líder de governo e voltou à oposição com a eleição de Tarso Genro, em 2010. “Seguimos defendendo a educação, os pequenos municípios, as famílias que vivem no campo”, ressalta a deputada.

História

Suely, a pioneira

Suely Gomes de Oliveira Foi só na 38ª legislatura que a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul viu eleita sua primeira representante feminina. Suely Gomes de Oliveira, professora nascida em Osório, tomou posse em 31 de janeiro de 1951 pelo PTB, aos 36 anos de idade. Inaugurava ali uma série de seis mandatos consecutivos e deixava o Legislativo em 1975.

Suely faleceu aos 76 anos em abril de 1994. Em 2007, a Assembleia resgatou sua história política em um volume dos Perfis Parlamentares Gaúchos, que conta a trajetória de políticos com passagem pela Casa.

Entre outras ações de Suely na época em que exerceu o mandato de deputada estadual, está a aprovação do primeiro Estatuto do Magistério Estadual, em 1954.


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