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Segurança

Estelionatários na mira da Polícia Civil em São Leopoldo

Trotes passados, geralmente, de dentro de presídios buscam extorquir vítimas em quantias que variam de R$1 mil e R$100 mil
07/12/2018 07:41 07/12/2018 07:42

As histórias inventadas para atrair os alvos têm enredos diferentes. Em comum apenas o envolvimento, em todas elas, de dinheiro que pode chegar, algumas vezes, a desejáveis milhões de reais. Seja apelando para a ajuda a um suposto familiar, se aproveitando de carências afetivas, ou mexendo com o imaginário e a vontade de quem sempre sonhou em se tornar um milionário, estelionatários usam da inocência das pessoas para fazerem novas vítimas. Em São Leopoldo, no mês de novembro, foram registrados na 1a Delegacia de Polícia da cidade, pelo menos, 10 casos deste tipo de crime, sendo quatro deles só no último dia 27.

Atento ao elevado número de fatos que viram ocorrências policiais, o titular da 1a DP, delegado Joel de Oliveira, chama a atenção para a necessidade de se permanecer sempre alerta à investida de criminosos e garante uma investigação detalhada dos casos na intenção de identificar e responsabilizar suspeitos. “Por isso, é fundamental que as pessoas venham na delegacia quando perceberem terem sido vítimas de estelionato. Que não sintam vergonha disso, uma vez que a maioria delas acaba caindo em um golpe por conta de fatores psicológicos. O estelionatário se aproveita da vulnerabilidade da vítima para agir”, comenta o delegado. De acordo com Oliveira, a maioria dos golpes são aplicados por detentos recolhidos no sistema prisional. “Tivemos recentemente um caso de um jogador de futebol de Rondônia que foi vítima de um golpe onde os estelionatários usaram o nome do treinador do Aimoré, Gelson Conte, para ludibriá-lo. Após ligações em um número com o prefixo da Bahia, pediram que o jovem depositasse R$500 em uma conta em nome de uma senhora, o que reforça, ainda mais, a tese de que esses golpes são aplicados de dentro de presídios”, conta.

Oliveira ressalta que é necessário chamar a atenção, especialmente dos idosos, para que se protejam da investida dos criminosos. “É preciso procurar ter autocontrole para não se envolver na conversa do estelionatário. Em caso de golpe pelo telefone, observar o DDD de onde partem as ligações e sempre desconfiar quando é cobrado algum valor para que em troca haja algum benefício”, esclarece.

Do bilhete premiado ao parente empenhado no trânsito 

Dentre as ocorrências registradas na 1a DP há casos em que as vítimas foram lesadas em valores que variam de R$1 mil a R$100 mil. Dentre as histórias mais comuns inventadas pelos estelionatários, estão a do bilhete premiado e a de um parente preso no trânsito com o carro estragado e que precisa de ajuda financeira para acionar o guincho. Numa dessas últimas, uma mulher de 57 anos acabou perdendo R$4,9 mil no último dia 27 de novembro. Em ligações recebidas de números com prefixos de São Paulo e do Rio Grande do Sul, um homem se passando por primo da vítima disse estar com o veículo estragado na estrada.

Na conversa, a mulher lembra ter falado o nome de um familiar, o que teria ajudado os criminosos a dar veracidade à narrativa inventada por eles. O suposto primo então pediu para que a mulher depositasse R$4,9 mil em uma conta da Caixa Econômica Federal em nome de um outro homem, que seria o proprietário do guincho que estava o atendendo. O valor cobriria o serviço do guincho e também a manutenção necessária no automóvel. A mulher teria se dado conta de ter sido vítima de um golpe horas depois e resolveu registrar o boletim de ocorrência onde detalhou o fato e anexou uma cópia do comprovante do depósito.

Golpe depois de mensagens carinhosas na rede social 

Foi por meio do Facebook que uma mulher de 45 anos conheceu o suposto engenheiro de 53, morador da Flórida. A troca de mensagens, no início de novembro, mostrou a ela um homem sedutor, com uma história de vida triste, já que havia perdido mulher e um dos dois filhos do casal em um acidente. Sozinho e bem-sucedido, tinha interesse em encontrar um novo amor e reconstruir a vida no Brasil. Aproveitando-se de fragilidades da vítima, o homem foi ganhando a afeição e a confiança dela. Dez dias depois, disse estar em um navio a caminho do Brasil para visitá-la. No meio da viagem, no entanto, um acidente com a embarcação em que ele estava, no mar do Caribe, colocaria em risco os planos do casal. Começavam ali os problemas da mulher.

Na história inventada, o homem começou a pedir dinheiro para a suposta liberação de documentos importantes, que não poderiam se perder em alto-mar. Num enredo que envolveu personagens fictícios como um funcionário da alfândega e um advogado, o engenheiro pedia cada vez uma quantia maior em dinheiro, depositados nas contas das pessoas inventadas por ele. Quando se deu conta do golpe, a mulher já havia ajudado em todos os pedidos do suposto engenheiro, enviando a ele um valor significativo em reais, que, por motivo de segurança, não foi informado à reportagem.

Polícia deve rastrear telefone de golpista  

O caso do suposto engenheiro da Flórida também está sendo investigado por agentes da 1a Delegacia de Polícia leopoldense. Advogado da vítima, Sílvio Moraes, explica que o telefone usado pelo golpista deverá ser rastreado pela polícia. Moraes ressalta a importância de, em casos como este, a vítima não deletar mensagens trocadas com o estelionatário e também de lavrar uma ata notarial do material e depois disso procurar a polícia. “A ata é uma certificação pública, prevista como meio de prova judicial. Ela torna perpétuo algo que pode ser apagado futuramente pelo criminoso”, reforça o advogado.

Pena pode chegar a 10 anos de reclusão 

O crime de estelionato é previsto no artigo 171 do Código Penal brasileiro. As penas, dependendo do caso, variam de um a cinco anos de reclusão e multa. É prevista aplicação da pena em dobro se o crime for cometido contra idosos.



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