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Caso Odebrecht

Ex-presidente do Peru morre após atirar contra cabeça para não ser preso

Alan García chegou a ser levado para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos
17/04/2019 13:20 17/04/2019 13:24

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Foto por: Ernesto BENAVIDES / AFP
Descrição da foto: Ex-presidente peruano Alan García em foto de 2011
O ex-presidente peruano Alan García morreu nesta quarta-feira (17) após atirar contra a própria cabeça, pouco antes de ser detido pela Polícia em um caso vinculado ao escândalo Odebrecht no país. García chegou a ser levado para o hospital, mas não resistiu e acabou morrendo. 

"Esta manhã aconteceu este acidente lamentável: o presidente tomou a decisão de atirar", afirmou o advogado de defesa Erasmo Reyna na entrada do Hospital de Emergências Casimiro Ulloa, em Lima. Garcia sofreu três paradas cardíacas.

García, ex-presidente do Peru entre 1985-90 e 2006-2011, foi detido em sua casa no distrito residencial de Lima, em Miraflores, por volta das 6h30 local. A polícia apresentou um mandado de prisão preventiva de até 10 dias pela acusação de lavagem de dinheiro e recebimento de propinas em um caso ligado ao escândalo Odebrecht investigado pela Operação Lava Jato.

Escândalo da Odebrecht no Peru

Antes da emissão do mandado de prisão, García havia declarado, na terça-feira, que não ficaria isolado ou escondido, em alusão tácita ao asilo frustrado que pedira ao Uruguai em dezembro. Na ocasião, a Justiça determinou que ele estaria impedido de sair do país por 18 meses.

A ordem de prisão contra García emitida nesta quarta-feira tem validade de 10 dias e buscava, segundo o Ministério Público, coletar novos elementos na investigação diante de um eventual risco de fuga.

O ex-presidente permaneceu durante 16 dias na embaixada uruguaia, onde pediu asilo "ante a iminência de um mandado de prisão".

 

García também está sob a lupa por supostas propinas pagas pela Odebrecht para obter um contrato de construção para o metrô de Lima durante seu segundo mandato. No ano passado, ele afirmou ser "perseguido politicamente", mas sua versão foi rejeitada pela Justiça e pelo governo peruano.

O ex-presidente peruano está sujeito a uma investigação preliminar da acusação, mas ainda não é réu. Segundo a promotoria, o então presidente García e 21 outras autoridades conspiraram para ajudar a empresa holandesa Terminal Multibancom, que venceu a licitação em 2011 para a concessão do Terminal Norte do porto de Callao, vizinho a Lima.

Ainda no escândalo da Odebrecht no Peru, os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018) também estão sendo investigados, e este último se encontra sob prisão preventiva até o dia 20 de abril, bem como a líder da oposição Keiko Fujimori, igualmente em prisão preventiva.

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