Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Av. João Corrêa, 1017 - Centro - São Leopoldo/RS - CEP: 93010-363
Fones: (51) 3591.2000 - Fax: (51) 3591.2032

PUBLICIDADE
Vegetação em risco

Parasita erva-de-passarinho é ameaça para árvores de São Leopoldo

Erva-de-passarinho é responsável por 40% das 150 inspeções mensais realizadas pela Prefeitura
14/04/2019 18:33

-

Uma ameaça tão silenciosa quanto mortal tem se multiplicado pelas árvores do Município, atacando vegetais nas ruas, praças e até nos pátios das residências. É a erva-de-passarinho, um parasita que, depois de instalado, suga a seiva das árvores, levando-as à morte. O parasita se propagou por praticamente todos os bairros da cidade, e hoje está presente em 40% das cerca de 150 inspeções realizadas pela Secretaria do Meio Ambiente (Semam) mensalmente.

Foto por: fotos daniel stein rohr/ges-especial
Descrição da foto: DEFINHANDO: no Cemitério Municipal Cristo Rei, as árvores estão abandonas à própria sorte, e a erva-de-passarinho tomou conta

Sem conseguir se defender, as árvores atacadas pelo parasita estão abanadas à própria sorte, porque não há, atualmente, um trabalho de contenção da praga. Responsável pelo departamento de Arborização Urbana da Semam, o engenheiro agrônomo Luis Marcelo Tisian é o encarregado de fazer as vistorias da secretaria nas ruas, praças e residências do Município. Ele reconhece a dimensão do problema. "Hoje não é feito absolutamente nada, a planta está livre, leve e solta na cidade. A gente não tem nenhuma equipe, estamos iniciando os processos para saber o que vai ser feito contra essa invasora", admite. "A necessidade é pra ontem, porque essa planta é muito agressiva, muito invasora", completa.

Segundo ele, a melhor forma de combater o parasita é atuar assim que a erva-de-passarinho se instala. "O ideal é retirar quando ela está bem jovem, porque, depois que infestou, ou faz uma poda drástica, ou corta a árvore. Não tem muito o que fazer", lamenta. Nas ruas do Município, é possível observar várias árvores acometidas pela infestação. Algumas têm a copa tomada pela erva- de-passarinho e tentam resistir, enquanto outras já morreram, como provam seus galhos secos.


Por que o nome erva-de-passarinho?

Atuando no Jardim Botânico do Parque Imperatriz, o biólogo Julian Mauhs explica que a erva- de-passarinho, embora seja considerada um parasita, não é um parasita completo. "Pelo fato de ela ter folhas verdes, ela faz fotossíntese também. Tecnicamente se chama hemiparasita. Isso significa que ela consegue produzir o seu próprio alimento, mas ela também suga do hospedeiro. Com o tempo, ela vai minando o hospedeiro, e levando ele a morte, com galhos fracos, por falta de nutrientes", resume.

Ele aponta que o processo de infestação leva anos, motivo pelo qual é possível combater a praga no início, desde que haja atenção aos vegetais. São anos que demoram para ela acabar com uma árvore. É um processo lento. Em menos de dez anos a erva-de-passarinho não mata", diz. Ele explica, ainda, que a erva-de-passarinho é uma planta nativa e que está presente também nas florestas. Sua ocorrência na cidade está relacionada, segundo ele, ao fato de as árvores pegarem mais sol, o que permite que o parasita se desenvolva com mais facilidade.

Mauhs revela, ainda, que o nome do parasita está relacionado ao modo de infestação, que depende dos passarinhos. "A propagação da erva-de-passarinho é feita pelo passarinho. Essa planta produz frutos, que são atrativos para os pássaros. Quando o fruto passa pelo trato digestivo, a poupa da fruta é consumida, e a semente pré germinada. Aí, quando o passarinho faz cocô, a semente pré germinada rapidamente se desenvolve. Essa semente tem uma viscosidade que serve como uma cola. Ao ser depositada no galho, ela vai germinar e emitir uma raiz diferenciada, típica dessa planta, que vai pra dentro da madeira. Ela passa a se aproveitar dos nutrientes que circulam pela árvore", detalha o biólogo da Prefeitura.

Como combater?

Mesmo que a árvore esteja no pátio de um morador, ele precisa de autorização da Prefeitura para podá-la. "Qualquer árvore, estando no pátio, na calçada ou praça, precisa de autorização para ser manejada. A Constituição de 1988 estabeleceu que o ambiente é de todos, e as árvores fazem parte do ambiente. Quem gerencia essas questões no Município é a Prefeitura e a Semam. Com base na legislação municipal, a secretaria autoriza, ou não, o manejo das árvores, seja a supressão ou poda", explica o engenheiro agrônomo Luis Marcelo Tisian.

Portanto, ao enxergar o problema em uma árvore localizada no pátio da residência, a indicação da Prefeitura é dirigir-se até a sede da secretaria, na Rua da Praia, 50, bairro Rio dos Sinos. É cobrada uma taxa inferior a R$ 10 para a inspeção do engenheiro. Agora, se a planta estiver localizada nas ruas ou em praças, o contato é diretamente pelo número 156, e não há custos envolvidos. "Em geral, a gente fornece a autorização para poda de limpeza", indica o engenheiro. A partir daí, é preciso remover os galhos afetados pela erva-de-passarinho, de forma a eliminar suas raízes.

Morador se mobiliza para recuperar praça

Os moradores que frequentam a praça Mansueto Bernardi, no bairro Cristo Rei, nas imediações do estádio do Aimoré, devem ter percebido que as árvores saudáveis viraram exceção no local. Acometidas pela erva-de-passarinho, várias delas já secaram e não têm mais salvação.

Foto por:
Descrição da foto: INFESTAÇÃO: praça Mansueto Bernardi, no bairro Cristo Rei, tem várias árvores comprometidas

A solução encontrada pelo aposentado Inácio José da Silva, 57 anos, foi plantar outras espécies para substituir os vegetais mortos. Formado no Colégio Agrícola, Silva mora há cerca de dez anos na Rua Concórdia, de frente para a praça, e se comoveu com a morte precoce dos vegetais. "Eu tirei até onde a gente alcança, no tronco, mas lá na copa a gente não consegue chegar", lamenta.

Com autorização da Semam, que fornece as mudas, Silva se encarregou de plantar, cercar e instalar ripas para conduzir o crescimento das novas árvores. Segundo ele, foram plantadas 20 mudas na praça nas últimas semanas. "Tem Quaresmeira, Amoreira, Goiabeira, bastante coisa. Se não dá pra salvar as que estão morrendo, pelo menos a praça vai ter um futuro", orgulha-se.

Foto por:
Descrição da foto: AÇÃO: Inácio foca no plantio

SAIBA MAIS

Com nome científico "hemiparasita", a erva-de- passarinho ataca geralmente as plantas lenhosas e as árvores, sugando sua seiva e podendo causar a morte se não for retirada. Nativa em todos os continentes do mundo, ela parasita diversas espécies de árvores de grande porte.

Para solicitar vistoria

Árvores em ruas e praças - 156

Árvores nos pátios das casas - diretamente na sede da Semam, Rua da Praia, 50, bairro Rio dos Sinos.

Jornal VS
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Capa do dia

FOLHEIE O SEU JORNAL PREFERIDO NA TELA DO SEU COMPUTADOR.

ACESSE ASSINE AGORA
51 3600.3636
CENTRAL DO ASSINANTE

51 3553.2020 / 51 992026770
CENTRAL DE VENDAS DE ASSINATURAS