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Alerta

Novo Hamburgo está infestada pelo mosquito da dengue

Aedes aegypti também é um vizinho incômodo em outros 20 municípios da região
25/04/2019 03:00 25/04/2019 07:04

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Foto por: Bianca Dilly/GES-Especial
Descrição da foto: POR TODO LADO: dona Clarice recorre ao ventilador pra tentar afugentar mosquitos
Enquanto cozinha, o ventilador ligado é o seu grande companheiro. Durante a refeição, à mesa, ele também não sai do seu lado. Até para ler o jornal, assistir à televisão e passar roupa, o aparelho é indispensável. E isso não significa que a artesã Clarice Magdalena de Lima, 70 anos, sinta muito calor. Até porque, no dia a dia, ela acaba vestindo calças, mesmo quando está mais quente. O motivo para esse hábito curioso mesmo em uma estação mais amena, como o outono, é a grande quantidade de mosquitos. Desde o período do verão, a hamburguense comenta que os insetos atrapalham o cotidiano de moradores da Rua Ribeiro de Almeida, no bairro Hamburgo Velho.

A situação é preocupante tendo em vista que Novo Hamburgo é uma das 21 cidades de região de abrangência do Jornal NH consideradas infestadas pelo Aedes aegypti, mosquito que transmite doenças como dengue, zika vírus e febre chikungunya (leia mais ao lado). No Estado, dos 497 municípios, 340 se encontram nesta situação. É o maior número de cidades infestadas desde a série histórica iniciada em 2000. Juntos, estes municípios somam aproximadamente 10 milhões de pessoas sob risco.

Há 40 anos morando em Novo Hamburgo, Clarice percebe que a situação tem piorado. "Nos outros anos até tinha mosquitos, mas não nesse número e por tanto tempo como está acontecendo, já que sentimos isso pelo menos desde dezembro do ano passado", complementa. Há relatos com a mesma reclamação em diferentes lugares da cidade - do bairro Ideal ao Canudos, passando pelo Operário, por exemplo. "A minha sogra mora no bairro Canudos e comenta que a situação está igual por lá", comenta a química Sara Metz Schmidt, 52. Ela mora há mais de 20 anos no bairro Hamburgo Velho.

O que diz a Prefeitura

Para controlar a situação, a administração municipal hamburguense diz que segue as diretrizes do Programa Nacional de Controle da Dengue através do Departamento de Vigilância Ambiental em Saúde e por meio da parceria com a Universidade Feevale. É a instituição que faz o trabalho de campo na cidade e visita periodicamente os bairros. Até o momento, a Prefeitura explica que não há a previsão de aplicação de produtos para eliminar os insetos. O UBV Costal, popularmente conhecido como fumacê, só deve ser utilizado em casos específicos. Segundo o Executivo, em todas as visitas é feito o tratamento mecânico dos depósitos de água ou tratamento químico, de acordo com cada caso.

Entre as medidas adotadas, ainda estão a realização do trabalho de campo por meio do Levantamento de Índice Tratamento Li T, que é rotineiro. A administração frisa que já desenvolveu um Levantamento de Índice Rápido de Aedes aegypti (LIRAa) em fevereiro deste ano, para ter um panorama de todo o Município. O departamento responsável destaca que atende denúncias, conforme a demanda, e promove uma campanha de conscientização sobre as doenças transmitidas pelo Aedes. Porém, o problema não vem de agora. Conforme a Prefeitura, esse fenômeno da infestação já foi percebido em outros anos, visto que a proliferação de mosquitos está diretamente relacionada com a sazonalidade climática e o rigor da estação do inverno. "Como o inverno de 2018 foi bastante rigoroso, o índice geral do Município modificou-se, havendo considerável mudança quando passou da primavera para o verão", informou, em nota. 

Orientação

A principal orientação para a população, neste momento, é para que permita a entrada dos agentes de endemias em suas residências, a fim de que eles realizem a vistoria. Os agentes estão sempre identificados, com crachá e/ou colete, e há um supervisor de campo com o grupo. Além disso, evitar qualquer tipo de depósito de água parada é fundamental, porque o ciclo do vetor inclui o depósito de ovos em água. O Departamento de Vigilância Ambiental em Saúde de Novo Hamburgo pode ser acionado pelo telefone (51) 3097-9410, ramal 3414.

 

Diversas cidades da região infestadas

Foto por: Divulgação/ Arquivo-GES
Descrição da foto: Lixo acumulado é local de proliferação para o Aedes
A proliferação do mosquito transmissor de doenças fatais não é exclusiva de Novo Hamburgo, que possui Índice Geral de Infestação Predial (IIP) de 5,6% - de novembro do ano passado para fevereiro de 2019, esse número teve um incremento de quase 4%, passando de 1,7% para a atual porcentagem. Além da cidade, na região, o último boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (SES), divulgado ontem, aponta que Bom Princípio, Campo Bom, Capela de Santana, Dois Irmãos, Estância Velha, Feliz, Gramado, Igrejinha, Imbé, Ivoti, Lindolfo Collor, Montenegro, Nova Hartz, Nova Petrópolis, Parobé, São Leopoldo, São Sebastião do Caí, Sapiranga, Taquara e Tramandaí também apresentam o problema.

Um município é considerado infestado quando registra a presença de focos de larvas nas atividades de vigilância do vetor, realizadas com armadilhas distribuídas em locais estratégicos, como ferros-velhos, borracharias, cemitérios, entre outros. Após ingressar na lista, ele só sai depois de passar um período de 12 meses sem voltar a encontrar focos do inseto. "O Rio Grande do Sul ainda é um dos poucos Estados em que há municípios que não registraram a presença do Aedes. Todo o trabalho que é feito, de vigilância, demonstra que ele está se dispersando. É um inseto alado, de transferência muito fácil. Então, a tendência é justamente que ele se espalhe", frisa a coordenadora do Programa Estadual de Vigilância e Controle do Aedes no RS, Carmen Silvia Gomes. 

Doenças são consequência

Como consequência da infestação, passam a surgir casos de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como a dengue, zika e chikungunya. Neste ano são 217 casos confirmados de dengue no Rio Grande do Sul, sendo 162 autóctones - aqueles contraídos na cidade onde a pessoa reside. Das confirmações, há registros em Ivoti e São Leopoldo. Montenegro também teve pelo menos dois casos da doença este ano, contudo, são oriundos de outros locais. Da mesma maneira, Novo Hamburgo soma um caso importado de dengue.

A coordenadora do Programa Estadual de Vigilância e Controle do Aedes, Carmen Silvia Gomes explica que o mosquito sempre vai existir e que não há a possibilidade de acabar com a espécie. O objetivo é trabalhar com índices de infestação baixos, dificultando a transmissão viral. "Uma vez que há o mosquito na cidade, há o risco de transmissão viral. Por isso, a importância de eliminar o vetor", frisa. A profissional lembra que o dever é de todos. "Os gestores têm a sua responsabilidade, mas a população também. O Aedes é uma espécie que coloca ovos em pequenos depósitos e já observamos que a maioria está dentro das residências", diz.

 

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