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Notícias | Região Inovação

São Leopoldo é vice-líder no Estado na criação de startups

Número evidencia novo modelo de negócio em ascensão na região

Por DANIEL STEIN ROHR
Última atualização: 06.05.2019 às 14:02

A parede preta rabiscada com giz, o traje despojado dos funcionários e o cachorro Golden Retriever circulando pela sala não deixam mentir: as startups estão ganhando espaço na economia capilé. Impulsionado pelo Parque Tecnológico de São Leopoldo (Tecnosinos), o Município alcançou o número de 63 startups ativas, o que o coloca na vice-liderança do ranking estadual, atrás apenas de Porto Alegre.

Foto por: Daniel Stein Rohr/GES-Especial
Descrição da foto: Criada em 2017, Saipos oferece um sistema de gestão para restaurantes, e já tem mais de dois mil clientes

Os números do banco de dados da StartupBase, atualizado recentemente, mostram que a maior parte das startups capilés - nome dado a pequenas empresas focadas em tecnologia - se dedica a serviços de hardware. Além de mostrar a força do Tecnosinos, o protagonismo de São Leopoldo evidencia uma mudança na economia local: cada vez mais, jovens empresários encontram soluções tecnológicas para resolver problemas históricos, seja na parte de produto, serviço ou processos.

É o caso do empresário Bruno Tusset, 32 anos, co-fundador da empresa Saipos e dono do cachorro Bud, que rouba a cena circulando pela startup sediada no Tecnosinos. Depois de vender a operação da empresa Devorando ao iFood, Tusset e os outros sócios decidiram criar outra startup. A ideia foi desenvolver um sistema de gestão para restaurantes, capaz de automatizar funções no dia a dia. Hoje, a empresa tem mais de 2 mil clientes, majoritariamente de Rio de Janeiro e São Paulo. "O que os caras sempre pediam para nós: um sistema que fosse simples, online e ágil. Ali vimos a oportunidade. Rodamos uma MVP (mínimo produto viável), tivemos os primeiros resultados, e depois começamos a desenvolver uma ferramenta mais robusta", conta. Segundo ele, o sistema economiza de uma a duas horas diárias para os donos de restaurantes.

Tecnosinos mira as 100 startups

Para a CEO do Tecnosinos e diretora de Inovação da Unisinos, Susana Kakuta, a informação de que São Leopoldo é vice-líder no Estado em número de startups é motivo de orgulho. "Dentro do Estado, a nossa rede do Parque Tecnológico é um grande eixo que se mobiliza para que isso tudo aconteça. Construímos uma série de ecossistemas importantes para a inovação tecnológica, e é isso que atrai as startups", orgulha-se. Ela revela que o Tecnosinos tem a meta de pular das atuais 33 startups para 100 nos próximos quatro anos. "Para isso, a gente tem todo um trabalho, não só a gente, mas toda a universidade, atuando no município e na região. A gente capta empresas até de Porto Alegre", conta.

Susana explica que boa parte das startups busca a inovação disruptiva, mas salienta que a tarefa é complexa. "Via de regra, as startups são empresas que estão fora dos setores tradicionais da economia, normalmente produzem produtos dentro dos novos conhecimentos, como tecnologia da informação, inteligência artificial, georreferenciamento, biotecnologia, semicondutores e internet das coisas. Elas buscam a inovação disruptiva, quando se faz uma inovação totalmente única, o que é difícil acontecer", ressalta.

Segundo ela, o grande desafio das startups é transformar ideias tecnológicas em empresas com potencial de base tecnológica. "Chegam para nós jovens com ideias e nós temos que dizer não, porque não têm maturidade tecnológica", diz.

Como incubar uma startup no Tecnosinos

Para quem tem interesse de iniciar uma startup e quer ter a empresa incubada no Tecnosinos, Susana explica que há uma série de etapas que precisam ser vencidas. "Toda startup incubada no Tecnosinos passa por um sistema de seleção, só aceitamos empresas que estejam vinculadas às nossas áreas tecnológicas. A segunda coisa que precisa ter é uma solução inovadora, ou de produto, ou de serviço, ou de processo. Tem que ser inovador", detalha.

Vencidas estas duas etapas iniciais, o interessado em criar a startup deve encaminhar uma proposta de ideia, que será analisada pelos gestores do Tecnosinos e pelos mentores, para configurar o plano de negócios.

Depois disso, a ideia é aceita na área de pré-incubação, onde a empresa fica pelo período de três anos. "A gente dá um espaço onde ele vai trabalhar, com toda infra disponível, prototipagem, programa de capacitação, curso de gestão financeira, toda formação para se tornar um empresário de base tecnológica, além de criarmos uma série de oportunidades para ele. Desde captar dinheiro até levar para uma feira. Esse é o papel da incubação: fazer com que a ideia que transformou num CNPJ cresça e floresça", explica Susana.

As dicas de quem chegou lá

Com oito meses de vida, a Birdi é uma empresa que permite ao usuário contratar serviços de profissionais autônomos cadastrados na plataforma, como pintores, encanadores e eletricistas, de forma imediata. Inspirado no Uber, o app pede que o usuário faça uma foto do problema e lance o pedido. Depois, é só comparar orçamentos e fechar com algum prestador, que imediatamente se desloca até o local. O objetivo da empresa é revolucionar o setor de serviços, acabando com os problemas recorrentes. "A gente não permite agendar. Você pede o serviço quando precisa dele, e o profissional disponível tem o compromisso de se deslocar. Se não, fica mal avaliado na plataforma. Outro diferencial é a segurança: solicitamos uma série de documentos e só aceitamos profissionais que não tenham nenhum tipo de antecedente criminal", explica o fundador da empresa, Leonardo Pedrozo. Hoje, a empresa tem cerca de 200 profissionais cadastrados, principalmente de Porto Alegre, e mais de mil usuários cadastrados.

Foto por:
Descrição da foto: Birdi tem oito meses de vida e já conta com mais de mil usuários

Para quem tem o sonho de abrir uma startup ou possui uma ideia com potencial inovador, Pedrozo e a especialista em marketing Franciele Einsweiler recomendam analisar o mercado com antes de amadurecer qualquer ideia. Além disso, ressaltam a importância de buscar um propósito. "Tem um erro que cometemos internamente e acho interesante citar. A gente viu o potencial e ficou deslumbrado. Ganhar muito dinheiro é um objetivo errado. Para qualquer negócio prosperar, o objetivo tem que ser ajudar as pessoas, melhorar a vida das pessoas. O dinheiro vai ser consequência", ensina Pedrozo, com o complemento de Franciele: "Hoje, uma empresa fria, que não colabora com a sociedade, não é mais bem vista, e não tem mais futuro".

Já o co-fundador da Saipos, Tusset, recomenda dar atenção especial ao MVP (mínimo produto viável), uma espécie de teste que valida a ideia. E completa: "Acredito muito em empreendedorismo, acho que as pessoas devem tentar, mas não desistir e não se iludir. Empreender nada mais é do que muito trabalho e esforço."

Número de startups

Porto Alegre 568

São Leopoldo 63

Caxias do Sul 52

Santa Maria 44

Novo Hamburgo 20

Sapucaia do Sul 1

Esteio 4

Fonte: StartupBase

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