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Investigação da PF

Dinheiro em malas, carros de luxo, negócio galopante: oitos pontos sobre a InDeal

Nesta terça-feira, Justiça mandou soltar dois colaboradores da empresa; sócios seguem presos
12/06/2019 11:52 12/06/2019 11:53

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Foto por: Polícia Federal/Divulgação
Descrição da foto: Malas de dinheiro foram apreendidas durante operação em endereço de pessoas ligadas à InDeal
A promessa de enriquecimento fácil com o investimento em criptomoedas e rendimento de 15% ao mês vendida pela InDeal para pessoas de todos o Brasil chegou ao fim. Na manhã do dia 21 de abril, a Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram a Operação Egypto, que resultou na prisão de dez pessoas, entre eles os cinco sócios da empresa, as esposas dos sócios e colaboradores. Até o momento, uma pessoa já foi solta e outras duas conseguiram habeas corpus de soltura. 

O esquema já havia sido denunciado pelo Jornal NH em 15 de fevereiro. Em seis meses, eles movimentaram mais de R$ 700 milhões, valor que chega a R$ 850 milhões em um ano e já pode ter ultrapassado a cifra de R$ 1 bilhão. Em contrapartida, o rombo da InDeal também tem cifras gigantes. De acordo com a Polícia, se todos os 55 mil investidores quisessem reaver somente o valor depositado no negócio, o rombo inicial seria de R$ 300 milhões.


Foto por: Arquivo Pessoal/ Facebook
Descrição da foto: Francisco Daniel Lima de Freitas e a esposa Fernanda de Cássia Ribeiro
1) Ostentação

O sócio da InDeal Francisco Daniel Lima de Freitas e a esposa Fernanda de Cássia Ribeiro ostentavam uma vida de luxo. Só na Dolce e Gabanna, que fica em São Paulo, o casal fez uma compra no valor de R$ 968 mil. A loja, com origem da Itália, é uma das mais renomadas grifes de moda do mundo, junto com Armani, Versace, Chanel, Gucci, Prada e Louis Vuitton. De 28 de janeiro a 5 de março, o casal fez a aquisição de 22 produtos pela internet, operações que foram identificadas pela Receita Federal. Somente em dois dias eles gastaram R$ 270 mil, sendo R$ 250 mil gastos em um relógio de pulso masculino.

2) Perito do PSL

O engenheiro porto-alegrense Paulo Henrique Godoi Fagundes, 51 anos, foi o perito indicado em outubro do ano passado pelo PSL, partido do então candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro, para inspecionar urnas eletrônicas. Especialista em segurança da informação, Fagundes criticou os meios de fiscalização disponibilizados pela Justiça Eleitoral. Segundo ele, sem ter acesso ao código-fonte, não era possível verificar o que era gerado dentro da urna. Nesta terça-feira, a 7ª Turma do TRF-4, em Porto Alegre, concedeu habeas corpus de soltura a Fagundes. 

Foto por: Polícia Federal
Descrição da foto: Ferrari avaliada em R$ 700 mil foi recolhido
3) Carros luxuosos

A Polícia Federal apreendeu mais de 30 veículos apreendidos dos sócios da InDeal. Entre eles, esta uma Ferrari Califórnia, avaliada em quase R$ 700 mil. O esportivo foi apreendido em um condomínio na Serra. Quando a operação estourou, no dia 21 de abril, a chave do esportivo vermelho, com placas de Belo Horizonte, foi encontrada em uma residência na mesma região. A cidade, no entanto, não foi informada pela PF.

4) Imagem de sucesso

Para transmitir ideia de sucesso para o público, uma foto mostrando os sócios da InDeal no início das operações, há oito meses, e uma recentemente, antes da operação, transmitia ideia de sucesso e credibilidade dos negócios.

5) Repercussão internacional

A Hard Fork, publicação de tecnologia The Next Web sobre criptomoedas e tecnologias blockchain, deu destaque ao caso da InDeal. A reportagem da empresa holandesa afirma que um "cartel de crimes de criptomoedas, no Brasil, foi fechado depois de chegar a ter 55 mil investidores que aplicaram mais de 200 milhões de dólares" (R$ 850 milhões) na operação.

6) Vazamento de informações

Por trás do golpe apurado pela Polícia Federal (PF), há uma trama que envolve vazamento de informações, intervenção suspeita de advogada e propagação de notícias falsas para favorecer a InDeal. O jogo de interesses e manobras de bastidores, descoberto por meio de interceptações telefônicas, está detalhado no inquérito da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros da PF, obtido com exclusividade pelo Jornal NH.

7) Reportagem do Jornal NH

Foi somente a partir da reportagem do Jornal NH, publicada em 15 de fevereiro, sobre o esquema operado pela InDeal, que a empresa com sede em Novo Hamburgo passou a comprar criptomoedas. A informação foi divulgada pela Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo, que analisou todos os extratos bancários da InDeal durante o período de um ano, de fevereiro de 2018 a fevereiro de 2019.


8) Restituição de valores investidos

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal ainda não divulgaram como será realizada a restituição dos valores que agora estão retidos por meio de bloqueio judicial. Segundo a assessoria de imprensa dos órgãos, a orientação deve ser divulgada para os investidores em breve. Já o MPF informou que vai requerer a alienação antecipada dos bens apreendidos e efetuar levantamento, junto com a Polícia Federal, dos valores que restaram bloqueados nas contas dos investigados. 

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